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Pesquisa Global Valida o FSM
Aplausos e vaias na abertura
Não foi exatamente um dia de abertura comum. O governador
do Rio Grande do Sul foi vaiado, a delegação
iraquiana, agitando suas bandeiras, foi aplaudida de pé,
o prefeito em exercício de Porto Alegre foi saudado
e cantou muito bem, e israelenses e palestinos se deram as
mãos. A abertura do Fórum Social Mundial ontem
foi muitas coisas: em parte foi teatro, em parte, política,
e foi totalmente exuberante.
Às vezes os espíritos ficaram animados demais.
A sessão de abertura quase naufragou quando manifestantes
fora do recinto clamavam para poderem entrar e dizer a Germano
Rigotto, governador do RS, exatamente o que pensavam dele,
o que não era coisa boa. Rigotto pertence ao PMDB,
partido oposicionista, e estamos em território do PT.
O governador pareceu não se perturbar com a comoção.
Em um discurso acompanhado por ruídos sibilantes da
platéia pedindo silêncio, ele exortou os brasileiros
a aprenderem a conviver com as diferenças. Ele não
iria se abalar com o que ocorria à sua volta, disse.
A história foi diferente antes, no discurso do prefeito
em exercício João Verle. Sua apresentação
de cinco minutos foi completamente subjugada pelo ruído
da platéia, que cantou em coro músicas de apoio
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além disso, haviam as diferentes delegações
cujos governos estão no momento engajados em hostilidades
demonstrando seu desdém pelas posições
de seus líderes. Os israelenses e os palestinos deram-se
as mãos enquanto ouviam um apelo apaixonado pela paz
no Oriente Médio feito pelo queniano Njoiki Njehu.
E os iraquianos, que orgulhosamente ostentavam sua bandeira
no recinto da conferência, a deram a ativistas pela
paz dos EUA, e então ficaram lado a lado com seus colegas
americanos, recebendo grande aplauso do público.
Pesquisa global
No entanto, o evento principal da cerimônia de abertura
foi a publicação de uma "pesquisa global
de opinião" que confirmou a crença dos
participantes da conferência de que a população
do mundo deseja que a agenda global enfoque metas sociais
e não o crescimento econômico. Marco Piva, organizador
do Fórum, afirmou que a pesquisa do Fórum Social
Mundial valida a missão do FSM. "Esta pesquisa
foi feita para verificar se de fato um outro mundo é
possível. Os resultados nos mostram que ele não
apenas é possível, porém necessário."
Discutindo a pesquisa de opinião, Rob Kerr, diretor
da Environics International, instituto de pesquisas canadense
que a conduziu, afirmou que suas metas eram estabelecer:
- como as pessoas viam o caminho para um mundo melhor para
todos
- se as pessoas devem enfocar o crescimento econômico
e a esperança de que os problemas sociais serão
resolvidos como conseqüência deste crescimento
- se a globalização econômica trouxe benefícios
a todos
- se as pessoas acreditam que controlam seu destino.
A pesquisa revelou que a maioria acreditava que a globalização
tornava os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres; que
era impulsionada principalmente pelos interesses de conglomerados
multinacionais; que a sociedade global deveria enfocar metas
sociais ao invés do crescimento econômico, e
que a maioria das pessoas acredita que seu destino foi decidido
por forças externas além de seu controle.
A pesquisa foi conduzida em 20 países entre novembro
e dezembro de 2002.
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