| Cenários
Adalberto Marcondes
Chuva e lama no caminho dos trabalhadores
O portal sindical montado pela CUT (Central Única
dos Trabalhadores) em Porto Alegre, para o Fórum Social
Mundial, mostrou-se um cenário fiel do ambiente enfrentado
por trabalhadores rurais. Muita chuva e lama nesta quinta-feira
não atrapalharam o entusiasmo de sindicalistas de diversas
partes do mundo, reunidos para o Fórum Sindical Mundial,
evento que faz parte do Fórum Social Mundial. Muitos
comemorando a ascensão ao poder de um “companheiro”,
o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
A estrutura montada este ano para o Fórum Sindical
Mundial é três vezes maior do que a do ano passado
e tem espaços definidos para exposições,
palestras, apresentações culturais e muitas
outras atividades. O auditório para 700 pessoas nesta
quinta-feira já começou a cumprir sua missão.
Foi palco da reunião da Confederação
Mundial do Trabalho, com a presença do Ministro brasileiro
do Trabalho, Jaques Wagner. .
Nos próximos dias, segundo o sindicalista Eduardo
Estevez, da Confederação Mundial do Trabalho,
muitas das idéias discutidas deverão transformar-se
em documentos que servirão de subsídio a governos
de diversos países para o tratamento de temas como
formalização do trabalho, reforma dos sistemas
de previdência, modernização da relação
capital-trabalho, entre outras coisas.
Wagner defende formalização do trabalho
O ministro do trabalho de Brasil, Jaques Wagner, disse hoje
no Fórum Sindical Mundial que é prioridade do
governo trazer para a formalidade quase 50 milhões
de trabalhadores que atuam na economia informal. Para ele,
é importante que empresas pequenas, com até
10 empregados, não sejam tratadas da mesma maneira
que as grandes multinacionais. “Não podemos tratar
igualmente os desiguais”, disse o ministro, acrescentando
que estas empresas representam grande parte do emprego no
País.
Apesar do cenário turbulento da economia, com juros
altos e uma possível guerra no Oriente Médio,
o ministro garantiu que o governo brasileiro está atuando
para ampliar a oferta de empregos. Um acordo com a Abrave
– Associação Nacional de Distribuidores
de Veículos, que tem mais de 10 mil revendas associadas,
deverá garantir o primeiro emprego para milhares de
jovens. “A idéia é que cada revenda abra
ao menos uma vaga de primeiro emprego”, diz. A iniciativa
de geração de empregos continua com a criação,
que vai ser anunciada amanhã, da Secretaria da Economia
Solidária, que será dirigida pelo economista
Paul Singer. O ministro acredita que mais empregos somente
serão possíveis através do crescimento
da economia. Apesar de ainda não ter uma fórmula,
Wagner afirmou que pretende propor ao governo a criação
de um projeto SIMPLES (programa de simplificação
de pagamentos de impostos) para o setor do trabalho. Com isto
ficará mais fácil administrar as relações
entre capital e trabalho nas pequenas empresas.
Em relação ao cenário internacional,
Wagner criticou as incertezas criadas pelo governo dos Estados
Unidos na economia mundial. “Não podemos aceitar
uma guerra de dominação. Os Estados Unidos querem
atacar o Iraque apenas para garantir o controle da 2a maior
reserva de petróleo do mundo”, disse o ministro,
que defende a busca da paz pela negociação
Sindicalismo, a ponte entre sociedade, governo e capital
O sindicalista Eduardo Estevez, da Confederação
Mundial do trabalho, defendeu hoje no Fórum Sindical
Mundial, que os sindicatos não podem representar apenas
os trabalhadores formais. Pata ele, todos os trabalhadores
devem estar representados e os sindicatos precisam caminhar
neste sentido. Estevez acredita que alguns dogmas do neoliberalismo
precisam ser derrubados. Um dos principais é que o
desemprego é conseqüência de encargos trabalhistas
excessivos. Para ele os governos devem buscar uma alternativa
mais adequada de incentivos à geração
de empregos, como oferecer benefício a empresas que
efetivamente estão criando novos postos de trabalho
e não baixar encargos apenas pela expectativa de que
isto gere empregos.
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