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World Social Forum - Porto Alegre , January 25, 2003



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IPS gratefully acknowledges the financial support received for this publication from: Novib Oxfam Netherlands and the Charles Stewart Mott Foundation.

The Commonwealth Foundation generously funded the participation of the following journalists:

Debra Anthony
Zarina Geloo
Marwaan Macan-Markar
Sanjay Suri
Kalinga Seneviratne


 

 


 

JOVENS
A língua da rebelião toma forma sob as árvores

Por Marwaan Macan-Markar

Se você quiser sentir a vibração dos ativistas de amanhã, dê um passeio pelas margens do rio Guaíba. Lá, jovens do mundo inteiro proclamam contra a injustiça e aprendem sobre rebelião sob as árvores. Você irá encontrar jovens como Wendel Vieira e Juninho Silva, brasileiros que têm um inimigo claramente identificado: os manda-chuvas do capitalismo que provocam o caos na Argentina e o governo norte-americano por suas hostilidades contra o Iraque.

Ou mulheres como Maria José, estudante universitária do Uruguai, que veio a Porto Alegre para somar sua voz em apoio às causas que a tocam, como ecologia, ambiente, as vítimas da terra provocadas pelo avanço da globalização. O futuro da educação é um ponto que também provoca ira, com muitos na América Latina denunciando os planos do Banco Mundial para privatizar universidades.

E estes jovens não buscam o conforto dos locais onde se desenrola o FSM para sorver gotas de sabedoria dos colegas viajantes. Ao invés disso, eles se reúnem sob as árvores, sentam-se no chão do parque Harmonia para refinar seus argumentos. "Este ambiente é ideal para que possamos trocar idéias, conversar, discutir, debater o que precisamos", afirma Augostin Vanella, 24, presidente da federação de estudantes universitários de Buenos Aires. "O que temos aqui é um espaço aberto para jovens de muitos países desenvolverem formas de organização para conseguirem mudanças", completa Silva, 20, vice-presidente da União Brasileira de Estudantes (UBE).

Há jovens de mais de 20 países atraídos para os espaços abertos e as frondosas árvores do parque, para seus gramados e caminhos, onde compartilham esta visão. Alguns vieram de países longínquos como o Japão ou as Filipinas, Argélia ou África do Sul, Suécia e Alemanha. Este espírito de engajamento se espalhou de outras formas, também, como as faixas com mensagens de protesto estendidas entre centenas de barracas, a música que alguns tocam, e as camisetas que vestem, a favorita mostrando a figura de Che Guevara, um ícone de rebeliões passadas.

É um mundo que atraiu até mesmo mulheres mais velhas que têm a paixão da juventude em seus corações. Garca Carpes, uma brasileira de 47 anos, é típica deste grupo. Em sua barraca, Carpes ajuda pintando placas para o próximo protesto que os jovens estão planejando. "Não a todas as guerras", diz um cartaz em tinta vermelha. "Há uma energia muito positiva aqui entre estas pessoas, que deveriam desempenhar um papel ao dar uma nova forma ao mundo", ela diz. "Eu vim do Rio de Janeiro para fazer parte disto aqui."

Ainda assim, Vieira, de 24 anos, fala em nome de muitos de seus compatriotas ao dizer o que os jovens querem desta festa política: que do FSM surja um curso de ação. E, para isto, eles farão lobbies para os ativistas adultos saturados dos debates do dia na PUC e no Gigantinho. "Nós buscamos mudanças através de planos concretos", afirma. "Não basta, como eles estão fazendo no FSM, apenas discutir política. É preciso que se construa uma nova ordem mundial", encerra Vieira.


 

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