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World Social Forum - Porto Alegre , January 25, 2003



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IPS gratefully acknowledges the financial support received for this publication from: Novib Oxfam Netherlands and the Charles Stewart Mott Foundation.

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Debra Anthony
Zarina Geloo
Marwaan Macan-Markar
Sanjay Suri
Kalinga Seneviratne


 

 


 

Nasce a Lulalogia

Por Sanjay Suri

O debate de abertura sobre a globalização no Gigantinho deixou claro que tudo no FSM realmente começou ao final de outubro com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. Lula não esteve presente no debate de abertura sobre a globalização, o que estabeleceu as bases do fórum. E não precisava, se considerarmos o encantamento que ele provocou no Gigantinho. A platéia aplaudia a cada vez que seu nome era mencionado, o que era freqüente. O sentimento era de que seu sucesso nas eleições sublinhava e amplificava tudo aquilo que era dito no Fórum, transformando o desejável no possível.

O ex-líder sindical venceu com o slogan "Quero um Brasil decente", segundo afirmou Juan Somavia, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT). "E um Brasil decente significa emprego decente para seu povo." "Quero congratular o povo brasileiro por sua coragem democrática", completou Somavia. "Os mercados financeiros têm tentado intimidar os brasileiros, porém as pessoas conseguiram demonstrar sua vontade. O que o povo brasileiro fez deve ser feito agora pelos povos de outros países do mundo."

A vitória de Lula "mostra o tipo de tensões que temos neste sistema de capitalismo globalizado", afirmou Nicola Bullard, chefe da Focus on the Global South. "Ela mostra as demandas democráticas de pessoas em conflito com a pressão não democrática dos mercados e instituições financeiras." O que em geral recebe o nome de globalização "falhou na geração de emprego", continuou Somavia. Cerca de 80% das pessoas em idade de trabalho não têm segurança de renda. "Este modelo de globalização não responde às necessidades das famílias e comunidades", ele afirmou. "Devemos mudá-lo", acrescentou. Esta mudança é possível em toda parte, ele completou. "Mudamos a ditadura no Chile, e mudaremos este tipo de globalização", afirmou. "É isto o que resulta de uma reunião como esta."

A palavra-chave para Somavia é multiplicação. "É aqui onde as pessoas se reúnem para a multiplicação das idéias", disse. "As pessoas aqui devem organizar forças sociais para mudança dentro de suas regiões e em todas as regiões. Precisamos de um grande sindicato mundial contra a globalização. Isto não é fácil. Porém, se ficarmos apenas fazendo grandes debates estratégicos em nosso canto, então o resultado será o mesmo que o resultado contra as ditaduras, pois elas duraram muito mais tempo do que deveriam."

O FSM está buscando dar uma forma concreta a este sentimento. "Precisamos desconstruir e reduzir o poder das instituições internacionais como o FMI, o Banco Mundial e a OMC, e construir uma nova democracia ao nível internacional", afirmou Bullard. "O mais importante que estamos fazendo aqui neste debate no FSM e nos próximos anos é a construção de uma linguagem comum para a democracia ao nível internacional, para que possamos encontrar espaço, consenso e uma perspectiva comum para reduzir o poder destas instituições não democráticas."

Nicola Bullard não se contenta em apenas falar sobre elas. "Precisamos atacar estas instituições, desmantelá-las, dissolver seu poder", afirmou. "Devemos desafiar as suposições de que a única forma de obter crescimento é abrir os mercados aos investidores estrangeiros. Precisamos usar os recursos de nosso povo para restabelecer a soberania do povo sobre decisões econômicas importantes." A mensagem implícita, palestra após palestra, era a de que, se Lula pôde fazer isso, então todos podem.


 

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