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World Social Forum - Porto Alegre , January 26, 2003



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IPS gratefully acknowledges the financial support received for this publication from: Novib Oxfam Netherlands and the Charles Stewart Mott Foundation.

The Commonwealth Foundation generously funded the participation of the following journalists:

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Zarina Geloo
Marwaan Macan-Markar
Sanjay Suri
Kalinga Seneviratne


 

 


 

A Ofensiva do Imperio e a Reação dos Povos

Por João Pedro Stedile (*)

Das três edições do FSM, esta talvez seja a mais importante. Se realiza num momento de crescente de militarização, de ofensiva econômico-militar do governo dos Estados Unidos sobre o mundo, de aumento de sua prepotência, da inocuidade e subserviência dos organismos internacionais e da eminência de uma nova guerra, agora contra o Iraque. Tudo isso com conseqüências trágicas para a humanidade.

O FSM tem sido um grande espaço de debates, de reflexões e de protestos, aonde se encontram milhares de intelectuais, militantes, dirigentes, jovens e idosos, com suas idéias contra o neoliberalismo e todas as formas de opressão. Há muitas idéias, diferenças e pluralidade de pensamento. Mas talvez o ponto que unifica a todos é a unidade contra a ofensiva do império Estadunidense. Bush-Sharon conseguiram uma façanha: nos unir a todos, contra eles!

Os objetivos do Governo dos Estados Unidos e de suas empresas são claros.

Basta ler os jornais e ouvir os depoimentos de seus dirigentes. Eles querem manter a qualquer custo o seu poder imperial. Querem sair da crise capitalista, jogando seus custos sobre os povos do terceiro mundo. Querem manter o acesso às fontes de energia , monopolizando-os em proveito apenas do seu padrão de vida. Querem recuperar rapidamente suas taxas de lucro.

Toda vez que o capitalismo teve crises prolongadas, sempre apelou para a guerra e para a indústria bélica como forma de recuperar seu processo de acumulação de capital. Afinal, os capitalistas descobriram rápido que a indústria bélica é a única que produz uma mercadoria especial. Uma mercadoria que é feita para se auto-destruir e assim destrói trabalhoacumulado e abre espaço para novas mercadorias.

Desde os lamentáveis episódios de setembro de 2001, o Governo dos Estados Unidos aplicou mais de 400 bilhões de dólares na indústria bélica. E aumentou sua ofensiva, no Oriente médio, impondo a guerra contra o povo Do Afeganistão, alimentando a guerra da Palestina, e agora exigindo a guerra contra o Iraque.

Já na América Latina, sua política imperial se aplica em várias frentes.

Primeiro, alimenta com suas armas e financia a interminável guerra da Colômbia, que só tem uma saída política. Está implementando um cerco militar, impondo várias bases em toda América do Sul. Já colocou suas botas no Equador, na Bolívia, e agora tenta na Argentina e Paraguay. No Brasil, fez um acordo de uso da base aérea de Alcântara, mas por ferir a soberania nacional brasileira teve sua legalidade contestada no Parlamento. Impôs ao governo Fernando Henrique Cardoso a instalação de um sistema de vigilância da Amazônia, por satélites, radares e potentes computadores (SIVAM) construídos por suas empresas, com total acesso a informações e dados sobre toda Amazônia.

Não satisfeito com isso, querem agora, impor o Acordo de Livre comercio das Américas, ALCA. Que de livre não tem nada, e não se restringe ao comércio. Trata-se na verdade de um plano estratégico arquitetado pelo Governo Estadunidense, que visa submeter o território, as riquezas, a economia, os investimentos, agricultura, as sementes, a cultura, a moeda, os bancos centrais, os serviços públicos e até gastos públicos , dos países da América Latina em proveito das empresas Estadunidenses. E assim obterem vantagens comparativas e saírem mais rápido da crise e enfrentarem em melhores condições as empresas competidoras da Europa e da Asia. O que os Estados Unidos não conseguiram com o Acordo Multilateral de Investimentos -AMI e com a OMC, agora buscam impor com a ALCA.

Por outro lado, por trás da militarização do continente, da imposição da ALCA, se esconde os objetivos de garantir acesso ilimitado ao petróleo Equatoriano, Colombiano e Venezuelano. De garantir acesso ilimitado aos bens da biodiversidade amazônica e da água potável. Por isso, os Estados Unidos querem impor com na ALCA leis que garantam a propriedade privada de seres vivos da biodiversidade, o controle das patentes de sementes transgênicas. Querem impor um processo de propriedade privada, não apenas da terra e dos recursos minerais, mas agora também da água. Que se transformaria em fonte inesgotável de lucro para suas empresas monopólicas.

Todas essas medidas afetam diretamente a agricultura familiar, os camponeses, a produção de alimentos, a soberania alimentar, o acesso aos bens da natureza e colocam em risco o futuro dos camponeses, enquanto classe social, e enquanto cidadãos, que querem viver no meio rural. Por isso a ofensiva do governo dos Estados Unidos, com sua ALCA, OMC, bases militares, controle da água, está politizando e unificando todo movimento camponês na América latina. Os movimentos camponeses estão cada vez mais unidos e articulados em torno da Via Campesina, e dispostos a travar todas as batalhas possíveis para impedir a imposição da ALCA, impedir que a OMC regule nossos produtos agrícolas. Impedir novas bases militares Estadunidenses e desalojar as atuais.

Felizmente, o povo latino-americano está despertando. Está surgindo um poderoso movimento unitário, popular, de campanha continental contra a ALCA. E nos recentes processos eleitorais , o povo tem votado decisivamente contra o neoliberalismo e os prepostos dos Estados Unidos. Assim foi no Equador, no Brasil, na Bolívia.. E nesse ano certamente se repetirá na Argentina e no Uruguai.

Esperamos que o FSM seja um espaço privilegiado para trocar idéias e intercambio com os demais movimentos sociais, com os intelectuais e acadêmicos, para criarmos uma grande unidade continental e mundial contra a ofensiva do Império. Nenhum império foi eterno e tampouco este o será.!

(*) João Pedro Stedile, dirigente do MST, da Via Campesina-Brasil e membro do Comitê organizador do FSM.


 

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