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World Social Forum - Porto Alegre , January 26, 2003



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Sanjay Suri
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Sebastião Salgado: imagens de uma vida

Por Adalberto Marcondes

Aos 30 anos de carreira, o fotógrafo Sebastião Salgado segue retratando a miséria humana provocada pelos efeitos nefastos da globalização.

Sebastião Salgado recebeu do público no Fórum Social Mundial o tratamento de pop star. Quase duas mil pessoas, em sua maioria jovens, se espremeram em todos os espaços do auditório da PUC. Salgado, de 59 anos, derramou sobre a platéia milhões de palavras na forma de imagens. Cenas dramáticas dos efeitos da globalização sobre as populações pobres da América Latina, Ásia e África. Sua lente revela o sofrimento calado de milhões de anônimos. Suas fotos gritam por justiça.

O público jovem, que olha para suas fotos como documentos históricos, se surpreendeu com a quantidade de miséria que a Humanidade é capaz de espalhar. As fotos apresentadas por Salgado são parte de um trabalho feito nos anos 90, denominado Exodus. Mostram a degradação da família, a fuga da guerra e o abandono do campo. Representam o absurdo maior de populações que têm nas favelas urbanas vida melhor, ou menos indigna do que em seus lares de origem.

"O agribusiness não é um negócio sustentável, é apenas mais uma forma de concentrar renda", diz o fotógrafo, indignado. "Eu vi, eu estive nestes lugares", confirma. Salgado, em seu testemunho, aponta que a grande monocultura é coisa que existe apenas nos países do Terceiro Mundo e nos EUA, pais do modelo."A França, Itália e Alemanha, por exemplo, são países com grande e diversificada produção agrícola, eles barraram este modelo monocultor em suas terras", afirmou. Ele é um defensor intransigente da agricultura familiar e da produção de alimentos de maneira diversificada e em pequenas propriedades, como é feito em muitas regiões do Sul do Brasil.

Salgado, com suas imagens intensas, agarra pelo colarinho a consciência de seu público. "O homem do campo recebe preço negativo por seu trabalho. Ele subsidia quem compra sua produção com sua dignidade, sua educação e sua saúde", denuncia. Para ele, o modelo de produção imposto pelas grandes corporações, baseado no agribusiness, somente serve para gerar divisas que sustentam um modelo econômico deteriorado.

Quando fala sobre isto, ouvimos não somente a voz do fotojornalista, mas também a do economista, doutorado na França, que por muitos anos visitou fazendas de plantação de café ao redor do mundo, principalmente na África. Sua visão crítica é embasada em um sólido conhecimento formal e pessoal.

A respeito da África, Salgado diz emocionado que a Humanidade não tem o direito de abandonar aquele continente explorado à sua própria sorte. "É mentira dizer que as guerras africanas são tribais. Elas são econômicas, pelo controle de recursos minerais estratégicos e muito valiosos", diz. Ao final de seu depoimento, as pessoas deixam a sala silenciadas pela indignação e, talvez, mais dispostas a repartir, distribuir e preservar. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, Sebastião Salgado nos deu uma imensa biblioteca sobre a infinita capacidade humana de criar miséria, destruição e dor.


 

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