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World Social Forum - Porto Alegre , January 27, 2003



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Chuva e lama no caminho dos trabalhadores

Por Adalberto Marcondes

O portal sindical montado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) em Porto Alegre, para o Fórum Social Mundial, mostrou-se um cenário fiel do ambiente enfrentado por trabalhadores rurais. Muita chuva e lama nesta quinta-feira não atrapalharam o entusiasmo de sindicalistas de diversas partes do mundo, reunidos para o Fórum Sindical Mundial, evento que faz parte do Fórum Social Mundial. Muitos comemorando a ascensão ao poder de um “companheiro”, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

A estrutura montada este ano para o Fórum Sindical Mundial é três vezes maior do que a do ano passado e tem espaços definidos para exposições, palestras, apresentações culturais e muitas outras atividades. O auditório para 700 pessoas nesta quinta-feira já começou a cumprir sua missão. Foi palco da reunião da Confederação Mundial do Trabalho, com a presença do Ministro brasileiro do Trabalho, Jaques Wagner. .

Nos próximos dias, segundo o sindicalista Eduardo Estevez, da Confederação Mundial do Trabalho, muitas das idéias discutidas deverão transformar-se em documentos que servirão de subsídio a governos de diversos países para o tratamento de temas como formalização do trabalho, reforma dos sistemas de previdência, modernização da relação capital-trabalho, entre outras coisas.

Jaques Wagner defende formalização do trabalho

O ministro do trabalho de Brasil, Jaques Wagner, disse hoje no Fórum Sindical Mundial que é prioridade do governo trazer para a formalidade quase 50 milhões de trabalhadores que atuam na economia informal. Para ele, é importante que empresas pequenas, com até 10 empregados, não sejam tratadas da mesma maneira que as grandes multinacionais. “Não podemos tratar igualmente os desiguais”, disse o ministro, acrescentando que estas empresas representam grande parte do emprego no País.

Apesar do cenário turbulento da economia, com juros altos e uma possível guerra no Oriente Médio, o ministro garantiu que o governo brasileiro está atuando para ampliar a oferta de empregos. Um acordo com a Abrave – Associação Nacional de Distribuidores de Veículos, que tem mais de 10 mil revendas associadas, deverá garantir o primeiro emprego para milhares de jovens. “A idéia é que cada revenda abra ao menos uma vaga de primeiro emprego”, diz. A iniciativa de geração de empregos continua com a criação, que vai ser anunciada amanhã, da Secretaria da Economia Solidária, que será dirigida pelo economista Paul Singer. O ministro acredita que mais empregos somente serão possíveis através do crescimento da economia. Apesar de ainda não ter uma fórmula, Wagner afirmou que pretende propor ao governo a criação de um projeto SIMPLES (programa de simplificação de pagamentos de impostos) para o setor do trabalho. Com isto ficará mais fácil administrar as relações entre capital e trabalho nas pequenas empresas.

Em relação ao cenário internacional, Wagner criticou as incertezas criadas pelo governo dos Estados Unidos na economia mundial. “Não podemos aceitar uma guerra de dominação. Os Estados Unidos querem atacar o Iraque apenas para garantir o controle da 2a maior reserva de petróleo do mundo”, disse o ministro, que defende a busca da paz pela negociação

Sindicalismo, a ponte entre sociedade, governo e capital

O sindicalista Eduardo Estevez, da Confederação Mundial do trabalho, defendeu hoje no Fórum Sindical Mundial, que os sindicatos não podem representar apenas os trabalhadores formais. Pata ele, todos os trabalhadores devem estar representados e os sindicatos precisam caminhar neste sentido. Estevez acredita que alguns dogmas do neoliberalismo precisam ser derrubados. Um dos principais é que o desemprego é conseqüência de encargos trabalhistas excessivos. Para ele os governos devem buscar uma alternativa mais adequada de incentivos à geração de empregos, como oferecer benefício a empresas que efetivamente estão criando novos postos de trabalho e não baixar encargos apenas pela expectativa de que isto gere empregos.


 

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