| Imprensa, um poder decadente.
Por Adalberto Marcondes
A imprensa já foi considerada o quarto poder. No entanto,
os grandes grupos de comunicação não
podem mais ser considerados aliados da sociedade, uma vez
que aderiram ao sistema neoliberal. “Não se trata
mais de oferecer informações aos cidadãos,
mas de vender cidadãos aos anunciantes”, disse
o jornalista Ignácio Ramonet aos mais de 500 atentos
espectadores do seminário Observatório Internacional
de Mídia. O interesse sobre o tema foi tão grande
que os organizadores tiveram de mudar o seminário para
um anfiteatro mais amplo.
Durante mais de três horas, jornalistas de diversas
partes do mundo, participantes da ONG “Observatório
Internacional da Mídia”, deixaram claro que a
imprensa não tem mais a “confiança natural”
da sociedade, “é preciso um poder cívico
para nos proteger dos quatro poderes”, afirmou Ramonet.
Este debate que toma força no Fórum Social Mundial
não é tão novo. Roberto Sávio,
presidente de honra da agencia IPS, disse que nos anos setenta
a Unesco iniciou um movimento para discutir o papel social
da mídia “A entidade foi massacrada, seus documentos
eram desmoralizados pela própria mídia e os
Estados Unidos pararam de contribuir com fundos para sua manutenção”,
disse o jornalista.
O fato é que 92% de todas as noticias internacionais
presentes nos jornais de todo o mundo vêm de apenas
três agencias. Alem disto, os fluxos de informações
são sempre de Norte ao Sul e nunca do Sul ao Sul, porque
as grandes agências que abastecem as mídias locais
são parte de um sistema que reforça o modelo
de dominação financeira neoliberal.
Para o jornalista Mario Lubetkin, diretor-geral da IPS, que
fez a moderação dos debates, “devemos
nos engajar em batalhas locais e mundiais contra este novo
poder”. Ele acredita que organizações
como o Observatório Internacional da Mídia devem
se manter vigilante sobre os temas e a forma como a imprensa
os aborda. “Com isto poderemos ter uma visão
objetiva dos mecanismos que levam a imprensa a ser falha e
descobrir formas de pressão para conseguir meios mais
democráticos” diz o jornalista.
Falsa bomba em Porto Alegre
A “bomba relógio” que assustou a milhares
de pessoas ontem na PUC não passava de uma caixa cheia
de areia com uns fios soltos e um relógio barato. Uma
boa notícia é que o terrorismo continua longe
do FSM.
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