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World Social Forum - Porto Alegre , January 28, 2003



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Até breve Porto Alegre!!!

Por Adalberto Marcondes

A grande Babel do Fórum Social Mundial se despede de Porto Alegre, mas é apenas um até breve, porque em 2004 os movimentos sociais mundiais se reúnem novamente na Índia. Este foi o grande Fórum da esperança, principalmente pela ponte construída pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre o calor dos debates tropicais em Porto Alegre e os frios salões de Davos, na Suíça. “Devemos derrubar os muros que separam os que têm tudo, dos que nada têm”, disse Lula aos que foram à montanha mágica de Davos cultuar o deus Mercado.

Durante uma semana mais de 100 mil pessoas, em sua grande maioria jovens, puderam debater, mostrar seus problemas, apontar soluções e consolidar em suas mentes e corações a idéia de que um outro mundo realmente é possível.

A presença de quase quatro mil jornalistas do mundo todo em Porto Alegre atraiu o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que segue em sua busca por um palanque global onde possa explicar a confusa situação de seu país. Mesmo sem um convite do FSM, o presidente da Venezuela conseguiu falar aos jornalistas, mas na Assembléia Legislativa local.

Porto Alegre ergueu sua voz ao mundo em uma mensagem contra a guerra, as injustiças e as desigualdades sociais. O ex-presidente de Portugal, Mário Soares, chamou os países a fortalecerem a ONU como única forma de preservar a paz. Para ele é inaceitável que os Estados Unidos abandonem o multilateralismo construído nas ultimas décadas pelo retrocesso de ações imperiais. Disse, porém, que não se deve confundir o povo norte-americano, com o governo que lá está.

Este ano, apesar da aparente anarquia, os organizadores do FSM conseguiram abrir espaço para todos os movimentos sociais. As centenas de salas de aula da Universidade Católica, o estádio do Gigantinho, os armazéns do porto e muitos outros espaços da cidade de Porto Alegre foram palcos privilegiados de debates contra a fome, a guerra, a discriminação de gênero e de todas as minorias, por justiça, protestos, apoios e manifestações. A mesma mensagem ecoou por todos os lugares: O mundo tem de nos ouvir!!!

E isto foi o que aconteceu, segundo um dos organizadores do FSM e coordenador do Ibase, Candido Grzybowski. “Nossa maior vitória este ano é que o mundo nos ouviu”, disse. “O Fórum é um eco de propostas de toda a sociedade civil, muito do que se discutiu em 2002 faz parte do programa de governo do presidente Lula”, afirma Grzybowski. Outro dos organizadores, Ignácio Ramonet, acredita que os resultados deste Fórum virão nos próximos meses, quando as tudo o que foi discutido estiver organizado em documentos e propostas a serem enviados a governos, ONGs, partidos, sindicatos e outros organismos sociais. Para ele, no entanto, a principal mensagem do Fórum para o mundo foi o repudio a guerra.

O Fórum Social Mundial conseguiu subverter a pauta do debate global. Foi criado para fazer um contraponto ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, mas este ano claramente conseguiu fazer com que Davos olhasse ao Sul. “Davos está discutindo a crise de confiança em seu próprio modelo, enquanto Porto Alegre mostra uma exuberância impressionante” disse Noam Chomsky, lingüista norte-americano.

Porto Alegre também mostrou que o Sul está pensando em si mesmo, em seus modelos. Em todas as manifestações ficou a clara mensagem de que a corrupção, a desigualdade e a injustiça, tão comuns abaixo do equador, não serão mais toleradas pela sociedade. Terminaram os debates, agora todos têm lição de casa para fazer.


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