| Até breve Porto
Alegre!!!
Por Adalberto Marcondes
A grande Babel do Fórum Social Mundial se despede
de Porto Alegre, mas é apenas um até breve,
porque em 2004 os movimentos sociais mundiais se reúnem
novamente na Índia. Este foi o grande Fórum
da esperança, principalmente pela ponte construída
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre o calor
dos debates tropicais em Porto Alegre e os frios salões
de Davos, na Suíça. “Devemos derrubar
os muros que separam os que têm tudo, dos que nada têm”,
disse Lula aos que foram à montanha mágica de
Davos cultuar o deus Mercado.
Durante uma semana mais de 100 mil pessoas, em sua grande
maioria jovens, puderam debater, mostrar seus problemas, apontar
soluções e consolidar em suas mentes e corações
a idéia de que um outro mundo realmente é possível.
A presença de quase quatro mil jornalistas do mundo
todo em Porto Alegre atraiu o presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, que segue em sua busca por um palanque global
onde possa explicar a confusa situação de seu
país. Mesmo sem um convite do FSM, o presidente da
Venezuela conseguiu falar aos jornalistas, mas na Assembléia
Legislativa local.
Porto Alegre ergueu sua voz ao mundo em uma mensagem contra
a guerra, as injustiças e as desigualdades sociais.
O ex-presidente de Portugal, Mário Soares, chamou os
países a fortalecerem a ONU como única forma
de preservar a paz. Para ele é inaceitável que
os Estados Unidos abandonem o multilateralismo construído
nas ultimas décadas pelo retrocesso de ações
imperiais. Disse, porém, que não se deve confundir
o povo norte-americano, com o governo que lá está.
Este ano, apesar da aparente anarquia, os organizadores do
FSM conseguiram abrir espaço para todos os movimentos
sociais. As centenas de salas de aula da Universidade Católica,
o estádio do Gigantinho, os armazéns do porto
e muitos outros espaços da cidade de Porto Alegre foram
palcos privilegiados de debates contra a fome, a guerra, a
discriminação de gênero e de todas as
minorias, por justiça, protestos, apoios e manifestações.
A mesma mensagem ecoou por todos os lugares: O mundo tem de
nos ouvir!!!
E isto foi o que aconteceu, segundo um dos organizadores
do FSM e coordenador do Ibase, Candido Grzybowski. “Nossa
maior vitória este ano é que o mundo nos ouviu”,
disse. “O Fórum é um eco de propostas
de toda a sociedade civil, muito do que se discutiu em 2002
faz parte do programa de governo do presidente Lula”,
afirma Grzybowski. Outro dos organizadores, Ignácio
Ramonet, acredita que os resultados deste Fórum virão
nos próximos meses, quando as tudo o que foi discutido
estiver organizado em documentos e propostas a serem enviados
a governos, ONGs, partidos, sindicatos e outros organismos
sociais. Para ele, no entanto, a principal mensagem do Fórum
para o mundo foi o repudio a guerra.
O Fórum Social Mundial conseguiu subverter a pauta
do debate global. Foi criado para fazer um contraponto ao
Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça,
mas este ano claramente conseguiu fazer com que Davos olhasse
ao Sul. “Davos está discutindo a crise de confiança
em seu próprio modelo, enquanto Porto Alegre mostra
uma exuberância impressionante” disse Noam Chomsky,
lingüista norte-americano.
Porto Alegre também mostrou que o Sul está
pensando em si mesmo, em seus modelos. Em todas as manifestações
ficou a clara mensagem de que a corrupção, a
desigualdade e a injustiça, tão comuns abaixo
do equador, não serão mais toleradas pela sociedade.
Terminaram os debates, agora todos têm lição
de casa para fazer.
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