The daily journal of the
World Social Forum.
Porto Alegre, Brazil,
Jan 31, Feb 5, 2002

 

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Rumores Discordantes na Selva do FSM

Por Satya Sivaraman

Com o início de seu segundo ano de deliberações no FSM contra a globalização neoliberal, dissidentes de dentro e de fora do movimento estão levantando questões tanto sobre a composição do Fórum quanto sobre a direção que ele está tomando.

Em uma carta aberta aos milhares de participantes reunidos em todo o mundo, um grupo de sindicalistas brasileiros acusou o Fórum de tentar dar uma face humana à globalização com reformas de pequena estatura como a taxa Tobin, e não abordar as realidades subjacentes de um 'capitalismo global'.

'A globalização capitalista destruiu nações, democracias e a soberania dos pobres. Ela não pode ser 'humanizada'', afirma a carta assinada por mais de 20 líderes sindicais, dentre eles Júlio Turra, da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que é um dos organizadores do FSM. Os signatários da carta decidiram boicotar todos os painéis, oficinas e sessões oficiais do Fórum Social Mundial.

Os sindicalistas também denominaram o conceito de 'sociedade civil', que o FSM diz representar, como uma tentativa de acobertar as fronteiras entre as classes sociais que existem na sociedade. 'Como é possível incluir na mesma categoria de 'sociedade civil' tanto os explorados quanto os exploradores, os chefes e os trabalhadores, os opressores e os oprimidos - sem mencionar as igrejas, ONGs e representantes de governos e das Nações Unidas?' pergunta a carta.

Uma outra questão que está provocando rumores de desagrado dentre alguns participantes no FSM é a 'Guerra contra o terrorismo', liderada pelos Estados Unidos, para o que, segundo sentem, o Fórum não está fazendo o suficiente para se opor. Os seminários propostos sobre o tema de 'Um mundo sem guerras é possível' que ocorrerão durante o Fórum, segundo apontam, relacionam conflitos na Palestina, Caxemira, no País Basco, Colômbia e em Chiapas para discussão, porém não incluem o contínuo bombardeio dos Estados Unidos no Afeganistão.

Ao longo dos cinco dias de deliberações no Fórum, apontam os críticos alguns pontos importantes para se prestar atenção:, como as controvérsias sobre o tratamento de estrelas dado a 'personalidades' ativistas ou acadêmicas em detrimento dos movimentos sociais, a presença no FSM de ministros de gabinete de alguns governos europeus e a possível intervenção de parlamentares de direita em nome de políticas neoliberais no fórum.

E, mais uma vez, assim como no primeiro FSM em 2001, haverá provavelmente uma contenda nos bastidores entre os organizadores 'moderados' e os 'radicais' do FSM sobre a forma e os aspectos específicos da conclamação pela mobilização emitida ao final da reunião.

Em outras palavras, mantenha seus olhos e ouvidos abertos, e não deixe de se divertir!