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Rumores Discordantes na Selva do FSM
Por Satya Sivaraman
Com o início de seu segundo ano de deliberações
no FSM contra a globalização neoliberal, dissidentes
de dentro e de fora do movimento estão levantando questões
tanto sobre a composição do Fórum quanto sobre
a direção que ele está tomando.
Em uma carta aberta aos milhares de participantes reunidos em todo
o mundo, um grupo de sindicalistas brasileiros acusou o Fórum
de tentar dar uma face humana à globalização
com reformas de pequena estatura como a taxa Tobin, e não
abordar as realidades subjacentes de um 'capitalismo global'.
'A globalização capitalista destruiu nações,
democracias e a soberania dos pobres. Ela não pode ser 'humanizada'',
afirma a carta assinada por mais de 20 líderes sindicais,
dentre eles Júlio Turra, da Executiva Nacional da Central
Única dos Trabalhadores (CUT), que é um dos organizadores
do FSM. Os signatários da carta decidiram boicotar todos
os painéis, oficinas e sessões oficiais do Fórum
Social Mundial.
Os sindicalistas também denominaram o conceito de 'sociedade
civil', que o FSM diz representar, como uma tentativa de acobertar
as fronteiras entre as classes sociais que existem na sociedade.
'Como é possível incluir na mesma categoria de 'sociedade
civil' tanto os explorados quanto os exploradores, os chefes e os
trabalhadores, os opressores e os oprimidos - sem mencionar as igrejas,
ONGs e representantes de governos e das Nações Unidas?'
pergunta a carta.
Uma outra questão que está provocando rumores de
desagrado dentre alguns participantes no FSM é a 'Guerra
contra o terrorismo', liderada pelos Estados Unidos, para o que,
segundo sentem, o Fórum não está fazendo o
suficiente para se opor. Os seminários propostos sobre o
tema de 'Um mundo sem guerras é possível' que ocorrerão
durante o Fórum, segundo apontam, relacionam conflitos na
Palestina, Caxemira, no País Basco, Colômbia e em Chiapas
para discussão, porém não incluem o contínuo
bombardeio dos Estados Unidos no Afeganistão.
Ao longo dos cinco dias de deliberações no Fórum,
apontam os críticos alguns pontos importantes para se prestar
atenção:, como as controvérsias sobre o tratamento
de estrelas dado a 'personalidades' ativistas ou acadêmicas
em detrimento dos movimentos sociais, a presença no FSM de
ministros de gabinete de alguns governos europeus e a possível
intervenção de parlamentares de direita em nome de
políticas neoliberais no fórum.
E, mais uma vez, assim como no primeiro FSM em 2001, haverá
provavelmente uma contenda nos bastidores entre os organizadores
'moderados' e os 'radicais' do FSM sobre a forma e os aspectos específicos
da conclamação pela mobilização emitida
ao final da reunião.
Em outras palavras, mantenha seus olhos e ouvidos abertos, e não
deixe de se divertir!
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