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World Social Forum.
Porto Alegre, Brazil,
Jan 31, Feb 5, 2002

 

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"O Hemisfério Norte Roubando o Sul"

Satya Sivaraman

O injusto sistema financeiro e de operações comerciais internacional está sendo mantido vivo por instituições multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, que 'receberam uma boca enorme mas nenhum ouvido' nos esforços da comunidade internacional de estabelecer uma agenda para o desenvolvimento global, afirmaram ativistas no seminário sobre 'Financiamento para o desenvolvimento', ocorrido ontem no Fórum Social Mundial.

Referindo-se à reunião de cúpula das Nações Unidas sobre 'Financiamento do Desenvolvimento', que ocorrerá no próximo mês em Monterrey, no México, Fernando Cardim da Social Watch, uma ONG de pesquisa de políticas, criticou duramente a agenda da reunião de cúpula, dizendo que está muito desapontado com o fato de ela não abordar questões como controles sobre os capitais e as políticas econômicas neoliberais.

"O FMI e o Banco Mundial forçam essas políticas sobre os países em desenvolvimento e isto afetou sua capacidade de encontrar financiamento para o desenvolvimento", afirmou Cardim.

Ele acusou o governo dos Estados Unidos em particular por pressionar os organizadores da reunião de cúpula para que mudassem sua agenda original, que inicialmente mencionava a necessidade de controles sobre o capital. Um dos grandes problemas com a reunião de cúpula de Monterrey, afirmou, é a participação de duas poderosas instituições financeiras, que "uma voz poderosa mas nenhum ouvido".

Henk-Jan Brokman, conselheiro especial do Secretário Geral das Nações Unidas, disse no seminário que, embora houvessem algumas desvantagens com a base conceitual da reunião de cúpula sobre Financiamento do Desenvolvimento no México, as ONGs não deveriam rejeitar o evento como sendo mais um exercício de 'globalização neoliberal'. Ao invés disso, sugeriu , elas deveriam preparar uma agenda e um texto alternativos para o debate entre participantes da reunião de cúpula.

Maria Floro, da Iniciativa Feminista Cartagena, afirmou que qualquer discussão sobre financiamento do desenvolvimento deveria incluir sistematicamente questões de gênero, porque, muitas vezes, sob o pretexto de 'eficiência de mercado', as questões femininas e dos muito pobres são negligenciadas.

A experiência de muitas das medidas de liberalização do comércio forçadas por instituições multilaterais, afirmou, mostram que são as mulheres mal-pagas dos países desenvolvidos as que mais perdem no processo. Floro pediu que o gênero fosse transformado em categoria de análise econômica e a criação de um novo sistema de controle global que promova sistematicamente o papel crucial das questões de gênero nas matérias sociais e econômicas.

Segundo Martin Khor, diretor da ONG malaia de pesquisa em políticas Third World Network, o injusto sistema financeiro e de operações comerciais internacionais está sendo mantido pelo poder bruto, e os movimentos de massa são a única forma de mudar as realidades do momento. Ele disse no seminário do sábado que o injusto sistema econômico global está sistematicamente sugando recursos que valem bilhões de dólares dos países do hemisfério Sul e repassando-os aos do Norte.

"Pedir alguns bilhões de dólares a mais de ajuda financeira aos países desenvolvidos é apenas paliativo e não pode resolver o problema de encontrar fundos para arcar com as necessidades de desenvolvimento dos países em desenvolvimento", afirmou.

Dentre as diferentes formas com as quais os países do Sul estão sendo 'ludibriados' estão as operações do capital global predatório e especulativo, a remessa de lucros por parte de multinacionais e as medidas comerciais protecionistas adotadas pelos países desenvolvidos.