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Jan 31, Feb 5, 2002

 

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Ambiente e saúde: Os riscos ocultos da manipulação genética

Katherine Stapp

NOVA YORK/IPS - Vacinas orais e espermicidas feitos a partir de vegetais modificados com genes humanos poderiam salvar vidas e evitar a super população, mas, caso esse material genético ingresse por acidente na cadeia alimentícia, as conseqüências poderão ser fatais.

Alguns cientistas vislumbram uma grande promessa nos vegetais, que não são afetados por enfermidades humanas como acontece com ratos de laboratório e morcegos suscetíveis à contaminação viral e bacteriana. Além disso, os vegetais podem produzir anticorpos a um custo 100 vezes menor que a fermentação celular tradicional.

Algumas companhias cultivam variedades vegetais manipuladas para produzir anticorpos contra enfermidades humanas, como a hepatite B e a malária, e até para produzir esperma. A Epicyte, de San Diego, Califórnia, pretende iniciar provas clínicas de um espermicida tópico (de uso local), alcançado este ano a partir de milho geneticamente modificado e apelidado pela imprensa de "milho anticonceptivo".

Cultivos desse tipo de cereal crescem em um campo de Indiana, Estados Unidos, e se planeja uma outra semeadura no Havaí, segundo Sandy Strauss, porta-voz da Epicyte.

"Estamos seguindo todas as normas federais. Há uma possibilidade quase nula de que se produza uma polinização inadvertida (de vegetais da espécie originária sem manipulação fora da área experimental), mas não posso afirmá-lo com 100% de certeza", acrescentou Strauss.

É justamente essa possibilidade que preocupa organizações ambientalistas, como o Greenpeace. "Há relatórios sobre uma contaminação ao redor de cultivos geneticamente modificados, no México. Isso aconteceu, ainda que tivessem afirmado que não ocorreria, e a um grau muito grave", disse Graig Culp, encarregado de imprensa do Greenpeace. "O material genético pode ser levado pelo vento, insetos e pássaros, e em sementes e fezes de animais. Há muitas formas em que pode escapar das zonas contidas".

Em 200, uma variedade de milho geneticamente modificado, comercializado com o nome de Starlink e só autorizado para consumo animal, chegou, não se sabe de que forma, a afetar numerosos alimentos de consumo humano, nos Estados Unidos. "A questão é como assegurar que as versões geneticamente modificadas, em especial para usos não-alimentares, não chegarão aos cultivos alimentícios, e isso é algo que as agências reguladoras estão investigando nos Estados Unidos", assinala um representante da Iniciativa Pew.