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Ambiente e saúde: Os riscos ocultos da manipulação
genética
Katherine Stapp
NOVA YORK/IPS - Vacinas orais e espermicidas feitos a partir de
vegetais modificados com genes humanos poderiam salvar vidas e evitar
a super população, mas, caso esse material genético
ingresse por acidente na cadeia alimentícia, as conseqüências
poderão ser fatais.
Alguns cientistas vislumbram uma grande promessa nos vegetais,
que não são afetados por enfermidades humanas como
acontece com ratos de laboratório e morcegos suscetíveis
à contaminação viral e bacteriana. Além
disso, os vegetais podem produzir anticorpos a um custo 100 vezes
menor que a fermentação celular tradicional.
Algumas companhias cultivam variedades vegetais manipuladas para
produzir anticorpos contra enfermidades humanas, como a hepatite
B e a malária, e até para produzir esperma. A Epicyte,
de San Diego, Califórnia, pretende iniciar provas clínicas
de um espermicida tópico (de uso local), alcançado
este ano a partir de milho geneticamente modificado e apelidado
pela imprensa de "milho anticonceptivo".
Cultivos desse tipo de cereal crescem em um campo de Indiana, Estados
Unidos, e se planeja uma outra semeadura no Havaí, segundo
Sandy Strauss, porta-voz da Epicyte.
"Estamos seguindo todas as normas federais. Há uma
possibilidade quase nula de que se produza uma polinização
inadvertida (de vegetais da espécie originária sem
manipulação fora da área experimental), mas
não posso afirmá-lo com 100% de certeza", acrescentou
Strauss.
É justamente essa possibilidade que preocupa organizações
ambientalistas, como o Greenpeace. "Há relatórios
sobre uma contaminação ao redor de cultivos geneticamente
modificados, no México. Isso aconteceu, ainda que tivessem
afirmado que não ocorreria, e a um grau muito grave",
disse Graig Culp, encarregado de imprensa do Greenpeace. "O
material genético pode ser levado pelo vento, insetos e pássaros,
e em sementes e fezes de animais. Há muitas formas em que
pode escapar das zonas contidas".
Em 200, uma variedade de milho geneticamente modificado, comercializado
com o nome de Starlink e só autorizado para consumo animal,
chegou, não se sabe de que forma, a afetar numerosos alimentos
de consumo humano, nos Estados Unidos. "A questão é
como assegurar que as versões geneticamente modificadas,
em especial para usos não-alimentares, não chegarão
aos cultivos alimentícios, e isso é algo que as agências
reguladoras estão investigando nos Estados Unidos",
assinala um representante da Iniciativa Pew.
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