The daily journal of the
World Social Forum.
Porto Alegre, Brazil,
Jan 31, Feb 5, 2002

 

news in

      Homepage
      Global affairs
      Africa
      Asia-Pacific
      Caribbean
      Europe
      Latin America
      Middle East
      North America
 
      Environment
      Development
      Human Rights
      Population
      Health
      Arts &
      Entertainment

      Columns
 
      News in RSS
 
      Subscriptions
      Readers' Opinions
      About IPS

 

 

 


 
index terraviva     
'A alternativa não é a sociedade civil, mas a desobediência civil' - Naomi Klein

Satya Sivaraman

Após a euforia de congregar milhares de pessoas de todos os cantos do mundo no segundo Fórum Social Mundial em Porto Alegre, a hora chegou para que os ativistas reflitam seriamente sobre a forma e a direção futura do movimento como um todo.

Em um debate no domingo, enquanto líderes e ideólogos do movimento antiglobalização abordavam esses assuntos, as perguntas do público vieram rápidas e em grande número.

'Então, como será a vitória?', perguntou um. 'Por quê o movimento está sendo projetado como sendo liderado por grupos do hemisfério Norte?', perguntou outro, enquanto várias pessoas reclamavam sobre a forma com que os sindicados e os partidos políticos tratavam os organizadores do Fórum Social Mundial, como sendo de um escalão inferior aos das ONGs e dos grupos da sociedade civil.

'A alternativa não é a sociedade civil, porém a desobediência civil', afirmou Naomi Klein, ativista e autora do aclamado 'No Logo', que, em um discurso contundente e articulado, alertou para as tentativas de transformar o FSM em 'mais uma reunião grande' que não trará nenhum impacto ao mundo real. Desmentindo o argumento dos defensores do 'status quo' de que o movimento antiglobalização não possuía nenhuma meta específica, ela afirmou que "há tantas alternativas evidentes no FSM que elas estão transbordando para as ruas."

Klein afirmou que a abordagem do 'se você não está a nosso favor, está contra nós' das elites globais deveria ser rejeitada porque não existe uma verdade única e há muitas abordagens possíveis para cada um dos problemas que o mundo enfrenta hoje. "A natureza da própria natureza é querer se espalhar", afirmou, fazendo um chamado ao movimento antiglobalização para que "cruzasse todas as fronteiras e escalasse todas as cercas".

Respondendo perguntas do público sobre o que o movimento do FSM esperava 'ganhar', Emilio Tadei, do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais, afirmou que não se deveria falar em termos de 'grande vitória', mas de uma série de vitórias menores, do âmbito individual ao internacional. Estas vitórias, disse , seriam referentes a vencer diversos direitos e avanços sociais para as pessoas ao mesmo tempo em que estabelecer uma revolução em nossas vidas diárias".

Perguntas sobre o papel e a relevância dos sindicatos no movimento antiglobalização surgiram diversas vezes, e um delegado do Congresso Coreano de Sindicatos (KCTU) afirmou que havia uma tensão entre os sindicatos e os grupos da sociedade civil global e que ela estava evidente no FSM. "Os sindicatos estiveram na dianteira das lutas contra a globalização neoliberal diariamente em muitas economias do hemisfério sul", afirmou, pedindo ao FSM que adotasse uma postura mais clara sobre a questão.

Eduardo Fernandez, da Federação Cone Sul de Sindicatos, afirmou que especialmente na América Latina houve fortes alianças entre os sindicatos e grupos da sociedade civil, que foram forjadas durante longos anos de ditaduras na região. "Se o processo do FSM quiser ir adiante, deve haver respeito pela diversidade dentro do movimento".

Em suas observações sobre como tornar o FSM um movimento mais coerente sem torná-lo mais uma instituição, Suwit Watnoo, do Fórum dos Pobres da Tailândia, afirmou que os diversos grupos que se reuniram precisam estabelecer ligações regulares de informação. Ele pediu a organização regular de mais conferências do FSM nos próximos anos e uma mobilização global por intermédio do FSM em questões específicas, como a demanda pela libertação imediata de líderes sindicais na Coréia do Sul.

A questão de incidentes recorrentes de violência em diversos protestos antiglobalização como em Seattle e em Gênova também provocaram discussões animadas. Diversos delegados no público perguntaram por quê as grandes ONGs, que integravam o movimento, objetavam tão fortemente ao uso de métodos violentos pelos anarquistas e outros grupos menores, quando tudo o que estavam fazendo era "responder à violência perpetrada pelos estados que estão forçando políticas neoliberais sobre uma população indefesa".

Em resposta, Vittorio Agnelotto, do Fórum Social de Gênova, na Itália, afirmou que o tipo de violência exercida pelos anarquistas do 'Bloco Negro' na reunião do G-8 em Gênova no ano passado era contraproducente e danosa ao movimento como um todo. Esses atos de violência, ele alegou, deram uma oportunidade à polícia e mesmo a grupos neofascistas de se infiltrarem nos protestos antiglobalização com suas próprias agendas duvidosas.