{"id":10001,"date":"2012-05-29T08:50:18","date_gmt":"2012-05-29T08:50:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10001"},"modified":"2012-05-29T08:50:18","modified_gmt":"2012-05-29T08:50:18","slug":"os-cinco-grandes-sufocam-questionamento-ao-veto-na-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/os-cinco-grandes-sufocam-questionamento-ao-veto-na-onu\/","title":{"rendered":"Os cinco grandes sufocam questionamento ao veto na ONU"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 29\/05\/2012 &ndash; Quando a Guerra Fria estava em seu apogeu, um embaixador peruano, V&iacute;ctor Andr&eacute;s Bela&uacute;nde, expressou ceticismo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade dos pa&iacute;ses pequenos de sobreviver ao poderio diplom&aacute;tico das grandes pot&ecirc;ncias na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10001\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/42.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10001\" class=\"size-medium wp-image-10001\" title=\"As pot&ecirc;ncias com poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a fizeram desaparecer uma resolu&ccedil;&atilde;o para limitar o mau uso dessa faculdade. - UN Photo\/Paulo Filgueiras\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/42.jpg\" alt=\"As pot&ecirc;ncias com poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a fizeram desaparecer uma resolu&ccedil;&atilde;o para limitar o mau uso dessa faculdade. - UN Photo\/Paulo Filgueiras\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10001\" class=\"wp-caption-text\">As pot&ecirc;ncias com poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a fizeram desaparecer uma resolu&ccedil;&atilde;o para limitar o mau uso dessa faculdade. - UN Photo\/Paulo Filgueiras<\/p><\/div>  A ONU &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o &quot;onde sempre h&aacute; algo que desaparece&quot;, diz uma frase atribu&iacute;da a Bela&uacute;nde (1993-1966) na d&eacute;cada de 1960. &quot;Quando dois pa&iacute;ses pequenos t&ecirc;m uma disputa, a disputa desaparece. E quando uma grande pot&ecirc;ncia e uma menor est&atilde;o em conflito, a pot&ecirc;ncia menor &eacute; que desaparece&quot;, observava o diplomata.<\/p>\n<p>Isto &eacute;, supostamente, o que aconteceu este m&ecirc;s quando cinco dos menores Estados-membros das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que se fazem chamar &quot;os cinco pequenos&quot;, desafiaram outras cinco pot&ecirc;ncias com cadeira permanente no Conselho de Seguran&ccedil;a (Estados Unidos, China, Fran&ccedil;a, Gr&atilde;-Bretanha e R&uacute;ssia) sobre o mau uso que fazem de seu poder de veto. Horas antes do debate e da vota&ccedil;&atilde;o de uma resolu&ccedil;&atilde;o proposta pelos cinco pequenos &agrave; Assembleia Geral de 193 membros, esse texto desapareceu sem nenhuma cerim&ocirc;nia do sagrado recinto da ONU, e provavelmente da face da Terra.<\/p>\n<p>Bela&uacute;nde, que presidiu a Assembleia Geral e o Conselho de Seguran&ccedil;a, foi, inclusive, mais longe ao afirmar que, &quot;quando duas grandes pot&ecirc;ncias t&ecirc;m uma disputa, o que desaparece &eacute; a ONU&quot;, segundo consta do livro Crosscurrents at Turtle Bay (Contracorrentes em Turtle Bay), publicado em 1970 pela jornalista do The New York Times, Kathleen Teltsch. Felizmente, desta vez as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e os cinco pequenos (Costa Rica, Jord&acirc;nia, Liechtenstein, Cingapura e Su&iacute;&ccedil;a) n&atilde;o desapareceram e vivem para contar o ocorrido.<\/p>\n<p>A abortada resolu&ccedil;&atilde;o, formulada no delicado jarg&atilde;o diplom&aacute;tico, &quot;recomendava&quot; aos cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a considerarem &quot;a conten&ccedil;&atilde;o no uso do veto diante de a&ccedil;&otilde;es concebidas para evitar ou p&ocirc;r fim a genoc&iacute;dios, crimes de guerra e contra a humanidade&quot;. Por&eacute;m, desde o come&ccedil;o, os cinco grandes deixaram claro que a Assembleia Geral n&atilde;o tinha motivo para fazer tais recomenda&ccedil;&otilde;es ao Conselho.<\/p>\n<p>William Pace, diretor-executivo do Movimento Federalista Mundial &#8211; Instituto para a Pol&iacute;tica Global, disse &agrave; IPS que, apesar de os cinco pequenos se virem obrigados a retirar essa hist&oacute;rica proposta, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais esperam que isto seja apenas o primeiro passo, depois de 67 anos, de um trabalho comum da Assembleia e do Conselho para responder &agrave; enorme necessidade de se melhorar a capacidade de manter a paz e a seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso mudar os fundamentos disfuncionais de um Conselho de Seguran&ccedil;a dos tempos da Guerra Fria&quot;, opinou Pace. &quot;E um come&ccedil;o indispens&aacute;vel seria esse organismo aceitar uma provis&atilde;o de n&atilde;o uso do veto para bloquear a&ccedil;&otilde;es sobre grandes crimes&quot;. A oposi&ccedil;&atilde;o a semelhante recomenda&ccedil;&atilde;o foi &quot;um esc&acirc;ndalo&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Stephen Zunes, professor de estudos pol&iacute;ticos e internacionais na Universidade de S&atilde;o Francisco, a retirada da Resolu&ccedil;&atilde;o mostra que os cinco grandes continuam mandando na ONU. &quot;No entanto, s&atilde;o questionados cada vez mais, sua credibilidade enfraquece e seu fracasso &eacute;tico &eacute; cada vez mais evidente para uma crescente maioria da comunidade internacional&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A import&acirc;ncia da resolu&ccedil;&atilde;o estava no fato de n&atilde;o s&oacute; desafiar o veto chin&ecirc;s e russo &agrave;s medidas contra o regime s&iacute;rio, que reprime de forma sangrenta a oposi&ccedil;&atilde;o, e o da China diante do genoc&iacute;dio no Sud&atilde;o, como tamb&eacute;m dos Estados Unidos quanto aos crimes de guerra cometidos por Israel, relatou Zunes, especialista em Conselho de Seguran&ccedil;a. &quot;Ao impulsionar essa resolu&ccedil;&atilde;o, esses pequenos pa&iacute;ses destacaram que as viola&ccedil;&otilde;es ao direito internacional humanit&aacute;rio s&atilde;o imperdo&aacute;veis, sem importar que tipo de rela&ccedil;&atilde;o tenham os cinco grandes com o governo acusado&quot;, explicou Zunes.<\/p>\n<p>Para Zunes, a proposta foi especialmente oportuna, n&atilde;o apenas pela situa&ccedil;&atilde;o na S&iacute;ria, mas pela quase un&acirc;nime vota&ccedil;&atilde;o na c&acirc;mara baixa do Congresso norte-americano que, no come&ccedil;o deste m&ecirc;s, estabeleceu como pol&iacute;tica oficial de Washington o veto sistem&aacute;tico a qualquer resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a que critique Israel.<\/p>\n<p>Um diplomata do Sul em desenvolvimento, que pediu reserva de seu nome, contou &agrave; IPS que os cinco retiraram a proposta no dia 23, mesmo dia em que estava prevista sua discuss&atilde;o, ap&oacute;s intensa press&atilde;o exercida pelos cinco grandes, tanto na sede nova-iorquina da ONU, quanto em cada uma das capitais. O Escrit&oacute;rio de Assuntos Legais, prosseguiu o diplomata, tamb&eacute;m embaralhou o meio de campo ao afirmar que a resolu&ccedil;&atilde;o exigia um apoio de dois ter&ccedil;os da Assembleia Geral, pois implicava uma reforma do Conselho de Seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>&quot;Provavelmente, o Escrit&oacute;rio estava agradando aos cinco grandes, e chama a aten&ccedil;&atilde;o o fato de a China ter feito circular o texto do Escrit&oacute;rio entre todos os Estados-membros mesmo antes de sua publica&ccedil;&atilde;o, indicando que os cinco membros permanentes o receberam antecipadamente&quot;, relatou a fonte. &quot;Isto frustra todo o impulso para reformar o Conselho e tamb&eacute;m prejudica sua efetividade&quot;, lamentou. Ao bloquearem a menor reforma, os cinco grandes podem ter ganho momentaneamente uma batalha, mas, no longo prazo, causam um enorme dano &agrave; credibilidade do Conselho. &quot;Pode haver mais e mais pa&iacute;ses que o evitem ou se neguem a cumprir suas decis&otilde;es&quot;, alertou o diplomata.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da oposi&ccedil;&atilde;o das pot&ecirc;ncias, os cinco pequenos n&atilde;o conseguiram convencer uma quantidade suficiente de governos sobre a conveni&ecirc;ncia de separar a amplia&ccedil;&atilde;o do Conselho de Seguran&ccedil;a, que exige reformas na Carta da ONU, da modifica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos de trabalho e procedimentos do &oacute;rg&atilde;o. Isto est&aacute; limitado por uma resolu&ccedil;&atilde;o que a Assembleia Geral adotou em 1993 e que exige maioria de dois ter&ccedil;os de seus membros, ou 129 pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>&quot;Um objetivo fundamental &eacute; separar as reformas, que n&atilde;o exigirem mexer na Carta, das restri&ccedil;&otilde;es de 1993. E isto se consegue com uma decis&atilde;o da Assembleia Geral por maioria simples&quot;, explicou Pace. Embora a amplia&ccedil;&atilde;o do Conselho, para dar lugar a mais membros permanentes, seja muito importante, pode demorar anos ou mesmo d&eacute;cadas, enquanto as outras reformas nesse &oacute;rg&atilde;o devem ser adotadas de imediato, tanto pela Assembleia Geral quanto pelo pr&oacute;prio Conselho de Seguran&ccedil;a, ressaltou.<\/p>\n<p>Os cinco pequenos, segundo esse especialista, n&atilde;o colocaram em quest&atilde;o a legitimidade do veto, mas seu uso indevido, causador de milh&otilde;es e milh&otilde;es de mortes. Ao criticar o sil&ecirc;ncio sobre esta not&iacute;cia na maioria dos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o, Pace destacou que &quot;o fato de a IPS e apenas mais um punhado de &oacute;rg&atilde;os da m&iacute;dia em todo o mundo cobrirem a resolu&ccedil;&atilde;o dos cinco pequenos constitui um sinal aterrador do estado em que se encontra o jornalismo internacional&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 29\/05\/2012 &ndash; Quando a Guerra Fria estava em seu apogeu, um embaixador peruano, V&iacute;ctor Andr&eacute;s Bela&uacute;nde, expressou ceticismo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade dos pa&iacute;ses pequenos de sobreviver ao poderio diplom&aacute;tico das grandes pot&ecirc;ncias na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/mundo\/os-cinco-grandes-sufocam-questionamento-ao-veto-na-onu\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-10001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}