{"id":10005,"date":"2012-05-29T09:09:59","date_gmt":"2012-05-29T09:09:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10005"},"modified":"2012-05-29T09:09:59","modified_gmt":"2012-05-29T09:09:59","slug":"desperdcios-do-crescimento-desordenado-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/desperdcios-do-crescimento-desordenado-do-brasil\/","title":{"rendered":"Desperd&iacute;cios do crescimento desordenado do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 29\/05\/2012 &ndash; Sabe-se que na China h&aacute; cidades vazias, rec&eacute;m-constru&iacute;das para milh&otilde;es de habitantes que n&atilde;o aparecem.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10005\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10005\" class=\"size-medium wp-image-10005\" title=\"Canal em constru&ccedil;&atilde;o no Eixo Norte da transposi&ccedil;&atilde;o do Rio S&atilde;o Francisco. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/21.jpg\" alt=\"Canal em constru&ccedil;&atilde;o no Eixo Norte da transposi&ccedil;&atilde;o do Rio S&atilde;o Francisco. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10005\" class=\"wp-caption-text\">Canal em constru&ccedil;&atilde;o no Eixo Norte da transposi&ccedil;&atilde;o do Rio S&atilde;o Francisco. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  No Brasil, existem in&uacute;meros grandes projetos com atrasos de anos, incompletos ou amea&ccedil;ados de ficarem inconclusos. Al&eacute;m das numerosas obras de infraestrutura energ&eacute;tica e log&iacute;stica exigidas pela expans&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s, a Copa do Mundo de Futebol, que o Brasil sediar&aacute; em 2014, imp&otilde;e a constru&ccedil;&atilde;o ou reforma de est&aacute;dios e melhorias na mobilidade urbana de 12 cidades.<\/p>\n<p>A gigantesca hidrel&eacute;trica de Santo Ant&ocirc;nio, no amaz&ocirc;nico Rio Madeira, come&ccedil;ou a funcionar no final de mar&ccedil;o, mas sem a linha que levar&aacute; sua eletricidade ao local de maior demanda, o Estado de S&atilde;o Paulo, que estar&aacute; conclu&iacute;da no final deste ano. A hidrovia do Rio Tocantins, uma sa&iacute;da natural para o Oceano Atl&acirc;ntico para a produ&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os e minerais do eixo centro-norte do Brasil, obteve no ano passado eclusas para que grandes navios possam transpor a barreira de Tucuru&iacute;, a terceira maior hidrel&eacute;trica do mundo. O custo subiu para cerca de US$ 830 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>No entanto, o Tocantins &quot;continua invi&aacute;vel&quot; para transporte de grandes cargas, porque n&atilde;o foi feita uma interven&ccedil;&atilde;o muito mais barata: retirar as rochas do Pedral de Louren&ccedil;o, que se estendem por 43 quil&ocirc;metros do rio, curso acima de Tucuru&iacute;, afirmou Renato Pavan, s&oacute;cio da Macrolog&iacute;stica, empresa especializada em estrat&eacute;gias de transporte. Estima-se que as eclusas, neste caso, teriam custado metade do pre&ccedil;o final se tivessem sido feitas durante a constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica, conclu&iacute;da em 1984. Contudo, teriam ficado ociosas durante 28 anos por falta de demanda de navios de grande porte, e continuar&atilde;o assim por um longo tempo, por outras raz&otilde;es.<\/p>\n<p>Completar a hidrovia exige &quot;um m&iacute;nimo de cinco anos&quot;, porque, al&eacute;m de erradicar o Pedral, ser&aacute; preciso construir portos e dragar trechos do rio. Estas obras exigem investimentos que n&atilde;o est&atilde;o nas prioridades governamentais do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento (PAC), lamentou o engenheiro Pavan, que h&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas trabalha em infraestrutura de transportes.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, governo e empresas multiplicaram hidrel&eacute;tricas, portos, estradas e ferrovias, em constru&ccedil;&atilde;o por todo o pa&iacute;s. Algumas destas obras registram atrasos superiores a quatro anos, enquanto os empres&aacute;rios se queixam de que o pa&iacute;s vive &agrave; beira de um colapso chamado de &quot;apag&atilde;o log&iacute;stico&quot;. A Ferrovia de Integra&ccedil;&atilde;o Oeste-Leste, que unir&aacute; o centro do pa&iacute;s &agrave; costa atl&acirc;ntica da Bahia, ao longo de 1.500 quil&ocirc;metros e cruzando terras de gr&atilde;os e min&eacute;rios, j&aacute; tem tr&ecirc;s anos de atraso, que tendem a se prolongar porque o porto de destino continua indefinido e amea&ccedil;ado por um veto devido a quest&otilde;es ambientais.<\/p>\n<p>De 155 centrais hidrel&eacute;tricas e termoel&eacute;tricas licitadas a partir de 2004 e cujas datas previstas de opera&ccedil;&atilde;o chegavam at&eacute; o ano passado, 72 registraram atraso m&eacute;dio de um ano, segundo o Instituto Acende Brasil, um observat&oacute;rio do setor. H&aacute; usinas que n&atilde;o funcionam porque n&atilde;o contam com fornecimento de g&aacute;s natural. As geradoras el&eacute;tricas se tornaram priorit&aacute;rias ap&oacute;s o apag&atilde;o de 2001, que provocou racionamento, campanhas de economia de consumo e a ressurrei&ccedil;&atilde;o de megaprojetos suspensos desde a d&eacute;cada de 1980. &Eacute; o caso da central de Belo Monte, que ser&aacute; a maior hidrel&eacute;trica do mundo e que est&aacute; sendo constru&iacute;da no Rio Xingu, na Amaz&ocirc;nia oriental.<\/p>\n<p>Nas duas &quot;d&eacute;cadas perdidas&quot; de 1980 e 1990, as crises financeiras travaram o crescimento da economia brasileira e, por extens&atilde;o, paralisaram a demanda energ&eacute;tica, deixando de lado os planos de infraestrutura que exigem uma matura&ccedil;&atilde;o de longo prazo. Agora, tenta-se recuperar essas d&eacute;cadas perdidas enfrentando novas exig&ecirc;ncias ambientais e conflitos com ambientalistas, ind&iacute;genas e movimentos sociais, al&eacute;m de outras disputas.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; falta de m&atilde;o de obra qualificada, e inclusive a menos capacitada tamb&eacute;m escasseia e fica mais cara, diante da oferta de empregos abundantes mesmo em &aacute;reas que antes exportavam for&ccedil;a de trabalho barata, como o empobrecido Nordeste do pa&iacute;s. As greves se repetem e as reclama&ccedil;&otilde;es incluem mais dias livres para visitas a familiares de oper&aacute;rios que chegam de longe, al&eacute;m de melhores sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>Assim, a capacita&ccedil;&atilde;o de trabalhadores locais se imp&ocirc;s aos grandes projetos, embora n&atilde;o evite uma intensa rotatividade. Pela constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica de Santo Ant&ocirc;nio &quot;passaram mais de 50 mil oper&aacute;rios&quot;, o triplo dos que havia no momento de apogeu da obra, destacou Altair Donizete Oliveira, vice-presidente do Sindicato de Trabalhadores da Constru&ccedil;&atilde;o Civil do Estado de Rond&ocirc;nia.<\/p>\n<p>No Nordeste, que vive uma onda de industrializa&ccedil;&atilde;o, um engenheiro, que pediu para n&atilde;o ser identificado, afirmou que sua empresa conta com 500 empregados, &quot;mas precisa de 2.500&quot; para construir no ritmo desejado o trecho que lhe corresponde na transposi&ccedil;&atilde;o do Rio S&atilde;o Francisco, imenso projeto para levar mais &aacute;gua a essa regi&atilde;o semi&aacute;rida. Planejada para ser inaugurada pelo ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2003-2011), dificilmente estar&aacute; pronta ao final do mandato de Dilma Rousseff, em 1&ordm; de janeiro de 2015. V&aacute;rios dos 15 trechos em que a obra foi dividida est&atilde;o paralisados.<\/p>\n<p>O projeto para desviar as &aacute;guas do Rio S&atilde;o Francisco, que consiste em dois canais a c&eacute;u aberto, com largura m&eacute;dia de 25 metros, t&uacute;neis, represas e aquedutos ao longo de 713 quil&ocirc;metros de um relevo ondulado, real&ccedil;a os problemas da multiplica&ccedil;&atilde;o de obras gigantescas. Seu custo total quase duplicou, e hoje &eacute; estimado em cerca de US$ 4 bilh&otilde;es. Os atrasos e as interrup&ccedil;&otilde;es tendem a torn&aacute;-lo ainda mais caro.<\/p>\n<p>Par agravar o cen&aacute;rio, o esc&acirc;ndalo de corrup&ccedil;&atilde;o envolvendo v&aacute;rios dirigentes pol&iacute;ticos com neg&oacute;cios do bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, amea&ccedil;a paralisar dezenas de projetos priorit&aacute;rios, inclusive um dos trechos da transposi&ccedil;&atilde;o. Isto porque a construtora Delta, estreitamente ligada a Cachoeira, participa em cerca de 200 obras, na maioria licitadas pelo governo, que incluem estradas, est&aacute;dios de futebol, portos e servi&ccedil;os de coleta de lixo urbana. Substituir a empresa nos projetos pode desatar batalhas judiciais e agravar os atrasos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 29\/05\/2012 &ndash; Sabe-se que na China h&aacute; cidades vazias, rec&eacute;m-constru&iacute;das para milh&otilde;es de habitantes que n&atilde;o aparecem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/desperdcios-do-crescimento-desordenado-do-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5],"tags":[27],"class_list":["post-10005","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10005\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}