{"id":1001,"date":"2005-09-15T00:00:00","date_gmt":"2005-09-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1001"},"modified":"2005-09-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-15T00:00:00","slug":"direitos-civis-aspirante-a-juiz-da-suprema-corte-dos-eua-evita-perguntas-chave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/direitos-civis-aspirante-a-juiz-da-suprema-corte-dos-eua-evita-perguntas-chave\/","title":{"rendered":"Direitos Civis: Aspirante a juiz da Suprema Corte dos EUA evita perguntas-chave"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 15\/09\/2005 &ndash; O juiz nomeado pelo presidente George W. Bush para encabe&ccedil;ar a Suprema Corte de Justi&ccedil;a dos Estados Unidos, John G. Roberts, evita responder perguntas-chave sobre o direito ao aborto feitas pelos senadores que examinam sua indica&ccedil;&atilde;o. De todo modo, Roberts disse nas audi&ecirc;ncias do Senado que entende a privacidade &#8211; pe&ccedil;a angular das normas e senten&ccedil;as que permitem aos Estados Unidos a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez &#8211; como direito constitucional. Al&eacute;m disso, afirmou seu apoio &agrave; maioria das decis&otilde;es da Suprema Corte em mat&eacute;ria de direitos civis.<br \/> <!--more--> <br \/> As perguntas sobre aborto foram feitas pelo presidente do Comit&ecirc; Judicial do Senado, Arlen Specter, um legislador do governante Partido Republicano, mas a favor da legalidade de interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez. Por&eacute;m, Roberts se limitou a responder que o assunto deve ser encaminhado &agrave; Suprema Corte, a reiterar que a senten&ccedil;a a esse respeito no caso Roe versus Wade &eacute; &quot;lei vigente&quot; e a afirmar que o direito &agrave; privacidade &eacute; constitucional, embora esse termo nem mesmo figure na carta pol&iacute;tica norte-americana. Com a senten&ccedil;a de Roe versus Wade, a Suprema Corte removeu em 1973 as restri&ccedil;&otilde;es ao direito de as mulheres se submeterem a um aborto.<\/p>\n<p> Os crist&atilde;os conservadores que constituem um dos pilares eleitorais do Partido Republicano pressionam pela nomea&ccedil;&atilde;o de membros do principal tribunal norte-americano que tenham inclina&ccedil;&atilde;o por anular essa senten&ccedil;a. Mas, Roberts disse aos senadores que n&atilde;o h&aacute; nada em sua f&eacute; cat&oacute;lica que o impe&ccedil;a de aderir &agrave;s leis vigentes em mat&eacute;ria de aborto. &quot;Acredita que o direito &agrave; privacidade se aplica no come&ccedil;o e no final da vida?&quot;, perguntou-lhe a senadora Diane Feinstein, do opositor Partido Democrata. Roberts se recusou a responder porque esses assuntos seriam considerados pela Suprema Corte.<\/p>\n<p> Em audi&ecirc;ncias anteriores do Senado, nas quais se confirmou sua designa&ccedil;&atilde;o em um tribunal de apela&ccedil;&otilde;es, Roberts havia se negado a responder se a privacidade era um direito de n&iacute;vel constitucional. Interrogado pelo senador democrata Edward M. Kennedy, o magistrado manifestou seu apoio a senten&ccedil;as da Suprema Corte que consagraram pol&iacute;ticas antidiscriminat&oacute;rias em preju&iacute;zo da minoria negra. Entre elas, mencionou a que p&ocirc;s fim, em 1954, &agrave; segrega&ccedil;&atilde;o racial nas escolas (Brown versus Junta de Educa&ccedil;&atilde;o), a que em 1964 eliminou a discrimina&ccedil;&atilde;o no emprego p&uacute;blico (a Lei de Direitos Civis), e a que removeu os obst&aacute;culos eleitorais contra os negros (a Lei de Direito ao Voto, de 1965).<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m expressou seu apoio &agrave; Lei de Restaura&ccedil;&atilde;o dos Direitos Civis, que em 1987 tornou ilegal a discrimina&ccedil;&atilde;o racial nas universidades e outros centros de educa&ccedil;&atilde;o superior cujos estudantes receberam assist&ecirc;ncia federal. Pressionado pelo senador Kennedy, Roberts tamb&eacute;m considerou que o Congresso tem direito de legislar para &quot;corrigir&quot; o impacto do furac&atilde;o Katrina. O legislador democrata havia dito em sua interven&ccedil;&atilde;o que &quot;os afro-norte-americanos sofreram o pior&quot; da trag&eacute;dia. &quot;Se o Congresso tem o direito de declarar a guerra, tem a faculdade de por fim a ela?&quot;, perguntou a Roberts o senador democrata Patrick Leahy. Por&eacute;m, o juiz se negou a responder, pois a Lei de Poderes de Guerra pode ser objeto de discuss&atilde;o na Suprema Corte.<\/p>\n<p> Leahy perguntou a Roberts se concordava com o memorando de 2002 pelo redigido ent&atilde;o vice-procurador geral Jay Bybee, segundo o qual a fun&ccedil;&atilde;o de comandante em chefe do presidente conferia ao Poder Executivo a autoridade de invalidar a vontade do Congresso, inclusive na autoriza&ccedil;&atilde;o do uso de torturas contra os prisioneiros. &quot;Ningu&eacute;m est&aacute; acima da lei, nem mesmo o presidente&quot;, respondeu o juiz. Assegurou que tamb&eacute;m teria se oposto ao confinamento de 120 mil norte-americanos de origem japonesa durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p> Os senadores tamb&eacute;m lhe perguntaram se ainda concorda com pol&ecirc;micos memorandos que redigiu na qualidade de advogado do Departamento de Justi&ccedil;a, durante a presid&ecirc;ncia de Ronald Reagan (1983-1989), e como assessor de George Bush, chefe de governo entre 1989 e 1993. Roberts respondeu que em casos extremos expressava a posi&ccedil;&atilde;o de Reagan e Bush, n&atilde;o a sua. O senador democrata Joseph Biden demonstrou exaspera&ccedil;&atilde;o pela negativa de Roberts em responder perguntas sobre assuntos com possibilidade de serem debatidos na Suprema Corte. Outros indicados para esse tribunal responderam essas perguntas, advertiu Biden.<\/p>\n<p> Os legisladores tamb&eacute;m questionaram declara&ccedil;&otilde;es anteriores do juiz que minimizam o problema da discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres. &quot;Sempre acreditei na igualdade de direitos para as mulheres&quot;, respondeu Roberts, que garantiu que para ele a discrimina&ccedil;&atilde;o era inconstitucional. Roberts integra uma corte federal de apela&ccedil;&otilde;es, cargo para o qual o mesmo comit&ecirc; do Senado o confirmou por unanimidade h&aacute; dois anos. Havia sido escolhido por Bush para integrar a Suprema Corte, mas a indica&ccedil;&atilde;o foi para a presid&ecirc;ncia desse tribunal depois da morte no m&ecirc;s passado do juiz William H. Rehnquist.<\/p>\n<p> Virtualmente, todas as organiza&ccedil;&otilde;es de direitos civis e femininos e outras defensoras da separa&ccedil;&atilde;o entre Igreja e Estado se opuseram &agrave; nomea&ccedil;&atilde;o de Roberts, apoiado por grupos conservadores e da direita religiosa. Em uma decis&atilde;o que desagradou a oposi&ccedil;&atilde;o democrata, a Casa Branca entregou ao Comit&ecirc; documentos de Roberts sobre seu atua&ccedil;&atilde;o no Departamento de Justi&ccedil;a e na presid&ecirc;ncia, mas se negou a fazer o mesmo com outros pap&eacute;is escritos quando era vice-procurador-geral. &quot;Os &aacute;rbitros de futebol n&atilde;o fazem as regras: as aplicam. Ningu&eacute;m assiste a um jogo para ver o &aacute;rbitro&quot;, disse Roberts no Senado. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 15\/09\/2005 &ndash; O juiz nomeado pelo presidente George W. Bush para encabe&ccedil;ar a Suprema Corte de Justi&ccedil;a dos Estados Unidos, John G. Roberts, evita responder perguntas-chave sobre o direito ao aborto feitas pelos senadores que examinam sua indica&ccedil;&atilde;o. De todo modo, Roberts disse nas audi&ecirc;ncias do Senado que entende a privacidade &#8211; pe&ccedil;a angular das normas e senten&ccedil;as que permitem aos Estados Unidos a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez &#8211; como direito constitucional. Al&eacute;m disso, afirmou seu apoio &agrave; maioria das decis&otilde;es da Suprema Corte em mat&eacute;ria de direitos civis.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/direitos-civis-aspirante-a-juiz-da-suprema-corte-dos-eua-evita-perguntas-chave\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1001"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1001\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}