{"id":10010,"date":"2012-05-30T09:14:14","date_gmt":"2012-05-30T09:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10010"},"modified":"2012-05-30T09:14:14","modified_gmt":"2012-05-30T09:14:14","slug":"asia-alerta-para-escassez-de-peixes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/economia\/asia-alerta-para-escassez-de-peixes\/","title":{"rendered":"ASIA: Alerta para escassez de peixes"},"content":{"rendered":"<p>Phnom Penh, Camboja, 30\/05\/2012 &ndash; Kohm Kiew e sua fam&iacute;lia s&atilde;o donos de uma concorrida peixaria na periferida da capital do Camboja desde que t&ecirc;m mem&oacute;ria.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10010\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10010\" class=\"size-medium wp-image-10010\" title=\"As represas projetadas para o baixo Rio Mekong ter&atilde;o um efeito devastador sobre a pesca interna de cada pa\u00c3\u00ads da bacia - Irwin Loy\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS-2.jpg\" alt=\"As represas projetadas para o baixo Rio Mekong ter&atilde;o um efeito devastador sobre a pesca interna de cada pa\u00c3\u00ads da bacia - Irwin Loy\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10010\" class=\"wp-caption-text\">As represas projetadas para o baixo Rio Mekong ter&atilde;o um efeito devastador sobre a pesca interna de cada pa\u00c3\u00ads da bacia - Irwin Loy\/IPS<\/p><\/div>  Contudo, cada vez &eacute; mais dif&iacute;cil para eles garantir a disponibilidade de uma das principais fontes de prote&iacute;nas neste pa&iacute;s. &quot;Parece que ano ap&oacute;s ano h&aacute; menos pescado. N&atilde;o tenho ideia do motivo&quot;, contou Kieu, que &eacute; obrigado a importar produto congelado do vizinho Vietn&atilde;, atrav&eacute;s do Rio Mekong, quando a pesca n&atilde;o &eacute; suficiente.<\/p>\n<p>Os abundantes recursos h&iacute;dricos deste pa&iacute;s do sudeste da &Aacute;sia permitiram aos cambojanos serem autossuficientes durante v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es. No entanto, numerosos ambientalistas preveem que no futuro o pescado n&atilde;o ser&aacute; suficiente para abastecer o Camboja com as prote&iacute;nas necess&aacute;rias. A rede h&iacute;drica do Mekong sustenta a ind&uacute;stria pesqueira de &aacute;gua doce mais produtiva do mundo, sendo uma fonte de prote&iacute;na animal para os pa&iacute;ses da bacia baixa: Camboja, Laos, Tail&acirc;ndia e Vietn&atilde;.<\/p>\n<p>Nenhum pa&iacute;s &eacute; t&atilde;o dependente do pescado quanto o Camboja, onde a ingest&atilde;o de prote&iacute;na procede da pesca interna. Por&eacute;m, ambientalistas alertam que a s&eacute;rie de represas projetadas para a bacia baixa do Mekong representa uma grave crise para o fornecimento alimentar da regi&atilde;o. O alerta &eacute; particularmente impactante &agrave;s v&eacute;speras da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que acontecer&aacute; no Rio de Janeiro entre 20 e 22 de junho.<\/p>\n<p>&quot;Uma das amea&ccedil;as mais significativas para o desenvolvimento sustent&aacute;vel da regi&atilde;o s&atilde;o as represas do Rio Mekong&quot;, alertou Ame Trandem, diretora de programa para o sudeste asi&aacute;tico da organiza&ccedil;&atilde;o International Rivers. &quot;Seria irresponsabilidade os governos da regi&atilde;o permitirem a constru&ccedil;&atilde;o de represas no Rio&quot;, acrescentou. A China j&aacute; avan&ccedil;ou no desenvolvimento de uma cascata de represas na parte alta da bacia, ao contr&aacute;rio da parte baixa. No entanto, os governos desta &aacute;rea t&ecirc;m 11 projetos de centrais hidrel&eacute;tricas. A primeira, Xayaburi, no Norte do Laos, gerou pol&ecirc;mica na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que a constru&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica represa na parte baixa do Mekong causar&aacute; um dano irrepar&aacute;vel ao fornecimento alimentar. A obra poderia impedir a passagem dos peixes migrat&oacute;rios. H&aacute; mais de cem esp&eacute;cies conhecidas que devem percorrer longas dist&acirc;ncias para desovar. Al&eacute;m disso, ambientalistas alegam que as medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o propostas n&atilde;o foram testadas e provavelmente n&atilde;o se mostrem efetivas. Inclusive, h&aacute; estudos demonstrando que as represas tamb&eacute;m podem bloquear o fluxo de sedimentos para as terras cultiv&aacute;veis que dependem de seus valiosos nutrientes.<\/p>\n<p>O Camboja poderia perder mais de 300 mil toneladas de pescado por ano se forem constru&iacute;das as represas propostas, segundo estudo encomendado pela Comiss&atilde;o do Rio Mekong em 2010, ag&ecirc;ncia criada pelos quatro pa&iacute;ses de rio abaixo para ordenar o desenvolvimento da bacia. O n&uacute;mero supera a produ&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria total do pa&iacute;s. Ser&aacute; muito dif&iacute;cil para os governos substitu&iacute;rem essa fonte crucial de alimento com a produ&ccedil;&atilde;o intensiva do gado.<\/p>\n<p>Em estudo divulgado em uma confer&ecirc;ncia sobre gest&atilde;o h&iacute;drica transfronteiri&ccedil;a, realizada em maio no contexto dos preparativos para a Rio+20, o pesquisador Jamie Pittock afirma que os quatro pa&iacute;ses da bacia baixa do Mekong precisar&atilde;o de entre 5.700 e 28.300 quil&ocirc;metros quadrados de novas pastagens para substitui&ccedil;&atilde;o da prote&iacute;na perdida, dependendo de quantas represas realmente forem constru&iacute;das no curso principal ou nos tribut&aacute;rios.<\/p>\n<p>O Camboja ser&aacute; o pa&iacute;s com mais problemas porque ter&aacute; pelo menos que duplicar suas terras de pastagem, no pior dos casos, apenas para substituir a fonte de alimentos perdida. Isso far&aacute; com que os pa&iacute;ses da regi&atilde;o se tornem mais dependentes da importa&ccedil;&atilde;o de alimentos para cobrir a demanda. &quot;Repor a seguran&ccedil;a alimentar para milh&otilde;es de pessoas prejudicadas provavelmente seja extremamente caro, e ainda ser&aacute; preciso ver se isso ser&aacute; adequado&quot;, observou Ame Trandem.<\/p>\n<p>Os governos da regi&atilde;o argumentam que as hidrel&eacute;tricas s&atilde;o necess&aacute;rias para o desenvolvimento. A Tail&acirc;ndia seria a principal beneficiada com a represa de Xayaburi. Por&eacute;m, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil afirmam que as autoridades desse pa&iacute;s superestimaram suas necessidades energ&eacute;ticas. O especialista Chuenchom Sangarasri Greacen afirma que &eacute; o desejo exagerado por lucro, e n&atilde;o a demanda prevista, que est&aacute; por tr&aacute;s das proje&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O atual plano energ&eacute;tico tailand&ecirc;s superestimou as necessidades o pa&iacute;s em 13.200 megawattas, mais de dez vezes a capacidade da represa projetada de Xayaburi. &quot;Nem mesmo precisamos da energia de Xayaburi&quot;, enfatizou Greacen, radicado nos Estados Unidos. &quot;Se o projeto se justificasse pelo menos economicamente, ou de uma perspectiva de g&ecirc;nero, ent&atilde;o haveria um debate para saber se o sacrif&iacute;cio valeria a pena. O triste &eacute; que nem mesmo se trata de um sacrif&iacute;cio. Nem mesmo &eacute; necess&aacute;rio&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Os planos para a constru&ccedil;&atilde;o de represas no rio principal da bacia baixa est&atilde;o interrompidos porque os quatro pa&iacute;ses envolvidos n&atilde;o est&atilde;o em acordo sobre como proceder. Camboja e Vietn&atilde; pediram mais estudos antes do in&iacute;cio de qualquer obra. Mas a decis&atilde;o final est&aacute; em cada um dos Estados. O Laos se comprometeu publicamente a adiar o in&iacute;cio das obras at&eacute; serem feitas mais pesquisas. Contudo, h&aacute; den&uacute;ncias de que as autoridades j&aacute; teriam come&ccedil;ado a construir infraestrutura na &aacute;rea onde ser&aacute; constru&iacute;da a represa. A empresa tailandesa encarregada do projeto de Xayaburi, CH Karnchang, anunciou em abril que fechou um acordo para construir a represa. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Phnom Penh, Camboja, 30\/05\/2012 &ndash; Kohm Kiew e sua fam&iacute;lia s&atilde;o donos de uma concorrida peixaria na periferida da capital do Camboja desde que t&ecirc;m mem&oacute;ria. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/economia\/asia-alerta-para-escassez-de-peixes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":93,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10,11],"tags":[17],"class_list":["post-10010","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10010\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}