{"id":10014,"date":"2012-05-31T09:26:09","date_gmt":"2012-05-31T09:26:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10014"},"modified":"2012-05-31T09:26:09","modified_gmt":"2012-05-31T09:26:09","slug":"veto-desenvolvimentista-ao-cdigo-florestal-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/veto-desenvolvimentista-ao-cdigo-florestal-brasileiro\/","title":{"rendered":"Veto desenvolvimentista ao C&oacute;digo Florestal brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 31\/05\/2012 &ndash; O veto parcial da presidente Dilma Rousseff &agrave; pol&ecirc;mica reforma no C&oacute;digo Florestal do Brasil contraria os interesses &quot;mais arcaicos do latif&uacute;ndio&quot;, mas determina a vit&oacute;ria do setor produtivo acima do desenvolvimento sustent&aacute;vel, afirmam ecologistas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10014\" style=\"width: 122px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10014\" class=\"size-medium wp-image-10014\" title=\"Neste terreno submetido a queimada havia floresta amaz&ocirc;nica - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS4.jpg\" alt=\"Neste terreno submetido a queimada havia floresta amaz&ocirc;nica - Mario Osava\/IPS\" width=\"112\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10014\" class=\"wp-caption-text\">Neste terreno submetido a queimada havia floresta amaz&ocirc;nica - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A pol&ecirc;mica reforma foi aprovada pelo Legislativo em 25 de abril e modificada por Dilma um m&ecirc;s depois, mediante uma medida provis&oacute;ria e vetos a 12 artigos da lei. O veto pretende &quot;impedir a anistia a quem desmata e a redu&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o ambiental&quot;, declararam porta-vozes da Presid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O C&oacute;digo de 1965 resguarda as selvas brasileiras existentes em propriedades rurais, especialmente as localizadas em ecossistemas protegidos como a Amaz&ocirc;nia, e para isso penaliza de diversas formas os propriet&aacute;rios que cortarem &aacute;rvores e desmatarem, e os obriga a restaurar o que destru&iacute;ram. Mas sua aplica&ccedil;&atilde;o foi limitada, pois o Estado tinha poucos instrumentos para punir as abundantes infra&ccedil;&otilde;es. Este foi o argumento central para empreender uma reforma.<\/p>\n<p>Os vetos e as modifica&ccedil;&otilde;es de Dilma se baseiam em premissas de &quot;preserva&ccedil;&atilde;o das florestas e dos biomas brasileiros, produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola sustent&aacute;vel e aten&ccedil;&atilde;o para a quest&atilde;o social, sem prejudicar o meio ambiente&quot;, disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ao destacar os benef&iacute;cios para os pequenos agricultores.<\/p>\n<p>Os produtores rurais &quot;ter&atilde;o que contribuir&quot; para restaurar as &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente, acrescentou o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, confirmando a vers&atilde;o oficial de que &quot;n&atilde;o haver&aacute; anistia&quot; para quem desmatou irregularmente essas &aacute;reas sens&iacute;veis. Trata-se de nascentes e mananciais, costas de rios, zonas &uacute;midas, inund&aacute;veis ou de grande declive, mangues, &aacute;reas sujeitas a deslizamentos ou picos de morros.<\/p>\n<p>Entretanto, a primeira e positiva impress&atilde;o deixada pelo an&uacute;ncio governamental, feito no dia 25, deu lugar &quot;&agrave; pior das not&iacute;cias&quot;, quando o Di&aacute;rio Oficial divulgou, no dia 28, as modifica&ccedil;&otilde;es completas, afirmam as 163 organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais reunidas no Comit&ecirc; Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel. O veto &quot;manteve um C&oacute;digo ruim e o piorou ainda mais&quot;, disse &agrave; IPS o bi&oacute;logo Jo&atilde;o Paulo Capobianco, presidente do Instituto de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (IDS), uma das entidades que integram o Comit&ecirc;. O agravante &eacute; a &quot;estrat&eacute;gia do governo&quot; para &quot;enganar a imprensa&quot;, ao publicar os documentos posteriormente, acrescentou.<\/p>\n<p>Embora o veto parcial &quot;contrarie os interesses dos setores mais arcaicos do latif&uacute;ndio, foi insuficiente para o cumprimento da promessa&quot; do governo de que n&atilde;o perdoaria quem desmatou, pois &quot;mant&eacute;m a anistia e a redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o&quot;, criticou o Comit&ecirc; em um comunicado. Al&eacute;m disso, a medida provis&oacute;ria deve ser discutida e votada no Congresso, o que acontecer&aacute; logo depois da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que ser&aacute; realizada no Rio de Janeiro, entre 20 e 22 de junho.<\/p>\n<p>Segundo o Comit&ecirc;, o veto n&atilde;o tocou na defini&ccedil;&atilde;o de &quot;&aacute;rea rural consolidada&quot; para caracterizar as ocupa&ccedil;&otilde;es de &aacute;reas florestais efetuadas at&eacute; julho de 2008, e que serve de base para todas as anistias previstas na nova lei. &quot;A anistia continua como eixo central do texto, j&aacute; que a data de 2008 como linha de corte para a manuten&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas desmatadas ilegalmente continua inalterada e, consequentemente, promove&quot; que se deixe de reflorestar &quot;as &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o permanente e as reservas locais&quot;, apontaram as entidades. O Comit&ecirc; denuncia ainda que esta anistia tamb&eacute;m se estende a 80% dos casos em que se devia restaurar florestas ribeirinhas, de picos e ladeiras de morros e &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o permanente em nascentes e olhos de &aacute;gua, lagos e lagoas naturais.<\/p>\n<p>&quot;Estamos surpresos por a Presidente ter conseguido piorar o que j&aacute; era muito ruim&quot;, declarou &agrave; IPS o ativista M&aacute;rcio Santilli, coordenador de pol&iacute;tica e direito do Instituto Socioambiental, que tamb&eacute;m faz parte do Comit&ecirc;. Santilli destacou que praticamente se extinguem as &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o, pois se autoriza a reflorestar com esp&eacute;cies ex&oacute;ticas. A medida provis&oacute;ria inicialmente dava a possibilidade de replantar inclusive com cultivos comerciais pol&ecirc;micos, como eucalipto e pinheiro.<\/p>\n<p>No entanto, o governo voltou atr&aacute;s e limitou as op&ccedil;&otilde;es de reflorestamento ex&oacute;tico a &aacute;rvores frut&iacute;feras, para dar aos pequenos produtores a op&ccedil;&atilde;o de com ela obterem renda extra. Para que isto fosse um verdadeiro avan&ccedil;o, se deveria voltar &agrave; vers&atilde;o original que propunha apoio governamental aos agricultores familiares que reflorestassem com esp&eacute;cies nativas, criticou Capobianco.<\/p>\n<p>Outra medida pol&ecirc;mica &eacute; a que Santilli chama de &quot;eletroveto&quot; e que beneficiaria as construtoras de grandes hidrel&eacute;tricas em &aacute;reas de selva. Sua opini&atilde;o &eacute; que o veto se dirige ao &uacute;nico artigo &quot;bom&quot; do projeto, que &quot;estabelecia uma fonte concreta de recursos para a recupera&ccedil;&atilde;o florestal&quot;, pois obrigava as empresas concession&aacute;rias do setor energ&eacute;tico a investirem 1% de seu lucro l&iacute;quido na prote&ccedil;&atilde;o das selvas situadas nas bacias de suas centrais hidrel&eacute;tricas. O governo vetou esse ponto em nome de um &quot;interesse social&quot;, porque poderia levar as empresas a aumentaram o pre&ccedil;o da eletricidade.<\/p>\n<p>&quot;O governo nunca teve tanto apoio fora do Congresso para fazer valer seu poder de veto de forma honrosa, e n&atilde;o o fez&quot;, enfatizou Capobianco. A campanha &quot;Veta Dilma&quot; que promovia o veto total &agrave; reforma florestal, obteve apoios de setores empresariais, art&iacute;sticos, cient&iacute;ficos e pol&iacute;ticos e reuniu mais de dois milh&otilde;es de assinaturas. Por&eacute;m, grande parte do setor agropecu&aacute;rio brasileiro e dos legisladores que o representam tamb&eacute;m est&aacute; descontente com o veto, pois coloca &quot;a produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria como fun&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria do im&oacute;vel rural. A fun&ccedil;&atilde;o principal &eacute; preservar a floresta e n&atilde;o produzir alimentos&quot;, argumentou o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Ces&aacute;rio Ramalho.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do analista pol&iacute;tico Maur&iacute;cio Santoro, da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas, o veto e a aprova&ccedil;&atilde;o de uma lei para reprimir o trabalho escravo &quot;s&atilde;o passos importantes para reequilibrar o jogo pol&iacute;tico frente a um setor agr&aacute;rio cuja vis&atilde;o de pa&iacute;s mostra, no m&iacute;nimo, uma grande dificuldade para aceitar as demandas de uma democracia din&acirc;mica que o restante do Brasil luta para consolidar&quot;.<\/p>\n<p>Outros, como a senadora e presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o da Agricultura e Pecu&aacute;ria, K&aacute;tia Abreu, consideram que a postura do governo foi equilibrada. &quot;A cor da camisa n&atilde;o foi totalmente verde nem totalmente amarela. Foi meio termo&quot;, apontou. Agora se antecipa uma guerra jur&iacute;dica de interpreta&ccedil;&otilde;es sobre a medida provis&oacute;ria, que deve ser aprovada pelo Congresso. E as organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas estudam propor um recurso de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 31\/05\/2012 &ndash; O veto parcial da presidente Dilma Rousseff &agrave; pol&ecirc;mica reforma no C&oacute;digo Florestal do Brasil contraria os interesses &quot;mais arcaicos do latif&uacute;ndio&quot;, mas determina a vit&oacute;ria do setor produtivo acima do desenvolvimento sustent&aacute;vel, afirmam ecologistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/05\/america-latina\/veto-desenvolvimentista-ao-cdigo-florestal-brasileiro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-10014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}