{"id":10044,"date":"2012-06-05T11:10:17","date_gmt":"2012-06-05T11:10:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10044"},"modified":"2012-06-05T11:10:17","modified_gmt":"2012-06-05T11:10:17","slug":"brasil-fecha-smbolo-de-degradao-ambiental-antes-da-rio20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/brasil-fecha-smbolo-de-degradao-ambiental-antes-da-rio20\/","title":{"rendered":"Brasil fecha s&iacute;mbolo de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental antes da Rio+20"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 05\/06\/2012 &ndash; &Agrave; v&eacute;spera de receber a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que discutir&aacute; o rumo da economia verde, o Rio de Janeiro acabou com um de seus maiores crimes ambientais: o gigantesco lix&atilde;o de Gramacho, na Ba&iacute;a de Guanabara.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10044\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100887-20120604.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10044\" class=\"size-medium wp-image-10044\" title=\" - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/100887-20120604.jpg\" alt=\" - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10044\" class=\"wp-caption-text\"> - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  Durante mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas, no lix&atilde;o Jardim Gramacho, foram acumulados 60 milh&otilde;es de toneladas de lixo s&oacute;lido, criando uma montanha de 50 metros de altura, sem que houvesse tratamento ou conten&ccedil;&atilde;o para mitigar a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental da ba&iacute;a, ao norte da cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Jardim Gramacho &eacute; um exemplo do problema das cidades brasileiras quanto ao manejo de seu lixo, que afeta muitas fam&iacute;lias em volta de improvisados lix&otilde;es, al&eacute;m da &aacute;rea onde est&aacute; situado.<\/p>\n<p>&quot;O Rio de Janeiro n&atilde;o admitir&aacute; mais viol&ecirc;ncias contra o meio ambiente, como foi este crime ambiental que a cidade cometeu por muito tempo&quot;, afirmou o prefeito Eduardo Paes, quando no domingo passado, junto com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, fechou o que &eacute; considerado o maior lix&atilde;o da Am&eacute;rica Latina. Em um ato especial, um cadeado fechou o lix&atilde;o, que chegou a ocupar 1,3 quil&ocirc;metros quadrados, e na entrada foi colocado, simbolicamente, um cadeado.<\/p>\n<p>Mas seu fechamento n&atilde;o p&otilde;e fim aos danos ambientais gerados, como o vazamento de l&iacute;quidos t&oacute;xicos no meio ambiente, disse &agrave; IPS a ecologista Vera Chevalier, diretora da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Ecomarapendi. &quot;Gramacho &eacute; o exemplo de um grave desastre ambiental no Brasil, que gerou um passivo imposs&iacute;vel de ser ressarcido porque &eacute; imposs&iacute;vel recuperar a &aacute;rea dos danos sofridos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Quando foi instalado o lix&atilde;o em 1978, em plena ditadura militar (1964-1985), projetava-se que receberia no m&aacute;ximo tr&ecirc;s mil toneladas de res&iacute;duos diariamente durante 20 anos. Mas, o fechamento de Jardim Gramacho foi adiado por mais 14 anos e nele eram depositadas diariamente cerca de nove mil toneladas de lixo. Seu fechamento foi finalmente for&ccedil;ado pela institui&ccedil;&atilde;o em 2010 da Pol&iacute;tica Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos, que obriga que antes de 2014 sejam eliminados todos os lix&otilde;es localizados em &aacute;reas inapropriadas para esse fim.<\/p>\n<p>O fechamento aconteceu faltando poucos dias para o Rio de Janeiro receber a c&uacute;pula Rio+20, entre 20 e 22 deste m&ecirc;s, duas d&eacute;cadas depois de ter recebido a C&uacute;pula da Terra. Foi informado pelas autoridades que na &aacute;rea ser&aacute; instalada uma unidade para produ&ccedil;&atilde;o de biog&aacute;s, a fim de transformar o metano em do lixo em decomposi&ccedil;&atilde;o em &quot;g&aacute;s verde&quot;. Enquanto isso, o lix&atilde;o ser&aacute; manejado por um Centro de Tratamentos de Res&iacute;duos S&oacute;lidos, instalado na cidade de Serop&eacute;dica, a 75 quil&ocirc;metros do Rio de Janeiro, que, segundo seus defensores, &eacute; o mais moderno da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>Gramacho representa um s&iacute;mbolo da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, social e de trabalho indigno. Cerca de cinco mil pessoas chegaram a sobreviver da reciclagem de seu lixo, que disputavam com os abutres e porcos, em condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de vida muito duras. Horas debaixo de sol e chuva, em jornadas de mais de 10 horas, em condi&ccedil;&otilde;es infames, esse era seu cotidiano. Cada reciclador tem sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria de sofrimento e doen&ccedil;as provocadas pelo contado di&aacute;rio com o lixo e pela contamina&ccedil;&atilde;o a&eacute;rea, em uim trabalho muitas vezes feito por mulheres.<\/p>\n<p>Gl&oacute;ria Cristina dos Santos, de 36 anos, come&ccedil;ou como recicladora aos 11, onde tralhava com sua m&atilde;e e seus irm&atilde;os, para ajudar no sustento da fam&iacute;lia, que seu pai n&atilde;o poda atender sozinho com o trabalho de estivador. &quot;Sou recicladora h&aacute; 25 anos e minha adolesc&ecirc;ncia foi terr&iacute;vel.<\/p>\n<p>Grande parte da minha vida passei em Gramacho. Lembro que aos 18 anos era muito dif&iacute;cil andar pela cidade porque as pessoas evitavam o contato com a gente. &Eacute;ramos empesteados&quot;, contou. Agora, ela &eacute; representante de uma cooperativa de recicladores e foi uma das figuras mais ativas no processo de fechamento do lix&atilde;o e na capacita&ccedil;&atilde;o de suas colegas para garantir seu futuro em melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida e trabalho. &quot;Trabalhar em Gramacho nunca foi desonroso, &eacute; uma maneira de apoiar minha fam&iacute;lia. Agora, seguiremos na cadeia produtiva de reciclagem de uma forma mais organizada e segura&quot;, afirmou Gl&oacute;ria Cristina.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo ano, restavam em Gramachjo 1.700 desses trabalhadores, dos quais 400 manifestaram o desejo de continuar com essa tarefa depois do fechamento do lix&atilde;o. Na d&eacute;cada de 90, muitos conseguiam US$ 600 mensais, mas nos &uacute;ltimos meses os que restavam conseguiam apenas metade desse valor. As autoridades municipais do Rio de Janeiro acordaram com as cooperativas que destinar&atilde;o US$ 700 mil para indenizar os recicladores pelo fechamento do lix&atilde;o.<\/p>\n<p>O presidente de outra cooperativa de Gramacho, Sebasti&atilde;o Carlos dos Santos, o Ti&atilde;o, disse &agrave; IPS que &eacute; grande defensor da inclus&atilde;o formal dos recicladores no mercado de trabalho. &quot;&Eacute; a primeira vez em 34 anos que vamos ter voz e sermos reconhecidos&quot;, disse, antes de assegurar que &quot;a nova pol&iacute;tica de res&iacute;duos s&oacute;lidos vai acabar com os lix&otilde;es, mas n&atilde;o com os recicladores&quot;.<\/p>\n<p>N&atilde;o queremos que se fa&ccedil;a a exclus&atilde;o da exclus&atilde;o. &quot;N&atilde;o defendo quem trabalha em um lix&atilde;o de maneira desumana, com risco de sua vida e sua sa&uacute;de&quot;, lamentou Ti&atilde;o. &quot;Espero que possamos deixar Gramacho da melhor maneira poss&iacute;vel e mostrar que existe vida ap&oacute;s sua desativa&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Valdenir Pereira da Costa, de 29 anos, trabalha h&aacute; 18 em Gramacho e at&eacute; o dia do fechamento manteve a rotina de sempre no lix&atilde;o. Mas, afirmou &agrave; IPS que n&atilde;o faz parte de nenhuma cooperativa e que ter&aacute; de buscar outra forma de sobreviver. &quot;N&atilde;o sei bem para onde ir agora&quot;, reconheceu Costa, que, como seus cinco irm&atilde;os, cresceu no lix&atilde;o e cujo fechamento o deixa &quot;um pouco &oacute;rf&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Mas, apesar dos esfor&ccedil;os, o governamental Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea) adianta que o Brasil dificilmente poder&aacute; cumprir o compromisso de eliminar todos os lix&otilde;es at&eacute; 2014, porque no pa&iacute;s ainda restam 2.906 lix&otilde;es espalhados por 2.810 munic&iacute;pios.<\/p>\n<p>&quot;O desafio &eacute; enorme, mas &eacute; importante tentarmos fechar todas as &aacute;reas inapropriadas para depositar lixo&quot;, disse &agrave; IPS um dos pesquisadores do Ipea, Albino Alvarez, que monitora a situa&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o dos res&iacute;duos no pa&iacute;s. Por&eacute;m, adiantou que os lix&otilde;es se manter&atilde;o como uma d&iacute;vida ambiental at&eacute; 2020. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 05\/06\/2012 &ndash; &Agrave; v&eacute;spera de receber a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), que discutir&aacute; o rumo da economia verde, o Rio de Janeiro acabou com um de seus maiores crimes ambientais: o gigantesco lix&atilde;o de Gramacho, na Ba&iacute;a de Guanabara. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/brasil-fecha-smbolo-de-degradao-ambiental-antes-da-rio20\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-10044","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10044\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}