{"id":1006,"date":"2005-09-15T00:00:00","date_gmt":"2005-09-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1006"},"modified":"2005-09-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-15T00:00:00","slug":"naes-unidas-a-cpula-vai-produzir-um-ladro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/naes-unidas-a-cpula-vai-produzir-um-ladro\/","title":{"rendered":"Na&ccedil;&otilde;es Unidas: A c&uacute;pula vai produzir um ladr&atilde;o?"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 15\/09\/2005 &ndash; O balan&ccedil;o de 60 anos de exist&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &eacute; bem mais negativo do que positivo: sucederam-se guerras de agress&atilde;o, genoc&iacute;dios, fome, guerras entre etnias, a brecha entre os mais ricos e os mais pobres (pa&iacute;ses e pessoas) n&atilde;o p&aacute;ra de aumentar. O meio ambiente e o clima sofrem uma degrada&ccedil;&atilde;o veloz e o desarmamento, tanto em mat&eacute;ria de armas nucleares quanto convencionais, est&aacute; paralisado. Ao mesmo tempo acontecem as c&uacute;pulas mundiais onde a ONU e as grandes pot&ecirc;ncias fazem promessas que nunca s&atilde;o cumpridas. Por exemplo, as metas fixadas periodicamente em mat&eacute;ria de ajuda ao desenvolvimento. Nos fatos, os grandes princ&iacute;pios inscritos na Carta, na Declara&ccedil;&atilde;o Universal e em outros instrumentos internacionais s&atilde;o deixados de lado.<br \/> <!--more--> <br \/> Este balan&ccedil;o deve ser colocado na conta das grandes pot&ecirc;ncias, que em Yalta dividiram entre si o mundo e conceberam uma organiza&ccedil;&atilde;o internacional sob seu controle, e para isso se atribu&iacute;ram o estatuto de membros permanentes e o direito de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a, com seus desmedidos poderes. Al&eacute;m disso, exercem, em particular os Estados Unidos, uma acentuada influ&ecirc;ncia sobre a Secretaria Geral. Atrav&eacute;s de doa&ccedil;&otilde;es seletivas de governos e entidades privadas, entre elas companhias multinacionais, os programas de diversos &oacute;rg&atilde;os das Na&ccedil;&otilde;es Unidas se orientam conforme os interesses dos doadores. Esta vulnerabilidade &agrave;s press&otilde;es dos doadores tamb&eacute;m afeta o Escrit&oacute;rio do Alto comissariado para os Direitos Humanos, que tem dois ter&ccedil;os de seu or&ccedil;amento coberto por doa&ccedil;&otilde;es volunt&aacute;rias de Estados e particulares. Esta situa&ccedil;&atilde;o pode se agravar caso se reduza ainda mais o or&ccedil;amento oficial da ONU, como pretendem os Estados Unidos.<\/p>\n<p> Depois do documento elaborado por um grupo de &quot;not&aacute;veis&quot;, Kofi Annan apresentou em mar&ccedil;o passado suas pr&oacute;prias propostas, nas quais tocou os grandes problemas s&oacute;cio-econ&ocirc;micos e defendeu a legitimidade da guerra preventiva e a substitui&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos por um Conselho restrito formado por pessoas &quot;reconhecidamente democr&aacute;ticas&quot;. Mais recentemente, tr&ecirc;s grupos de Estados apresentaram propostas diferentes centradas nas reformas do Conselho de Seguran&ccedil;a. Nenhuma delas inclui o fim do estatuto de membro permanente nem do direito de veto. Parece mais dif&iacute;cil que uma dessas propostas ou uma transa&ccedil;&atilde;o entre as mesmas obtenha a maioria de dois ter&ccedil;os na Assembl&eacute;ia Geral.<\/p>\n<p> Os rascunhos da &quot;Declara&ccedil;&atilde;o final&quot; da c&uacute;pula se sucedem, mas nenhuma das vers&otilde;es vai al&eacute;m das proclama&ccedil;&otilde;es solenes e do estabelecimento de &quot;metas&quot; que, como de costume, n&atilde;o ser&atilde;o cumpridas. Os Estados Unidos apresentaram h&aacute; poucos dias suas pr&oacute;prias propostas que consistem, entre outras coisas, em suprimir toda refer&ecirc;ncia a objetivos econ&ocirc;mico-sociais, deixar o Conselho de Seguran&ccedil;a em seu estado atual e substituir a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos por um Conselho restrito de 20 membros. Uma das cr&iacute;ticas feitas, com raz&atilde;o &agrave; Comiss&atilde;o de Direitos Humanos &eacute; sua &quot;politiza&ccedil;&atilde;o&quot;, que seria melhor chamar de seletividade, falta de objetivo e de imparcialidade, porque &agrave;s vezes parece um tribunal destinado a julgar apenas os pa&iacute;ses pobres. Ma, isto &eacute; imput&aacute;vel &agrave;s press&otilde;es que as pot&ecirc;ncias exercem sobre ela, principalmente os Estados Unidos, que com um cinismo a toda prova d&atilde;o li&ccedil;&otilde;es e qualificam os demais Estados em mat&eacute;ria de direitos humanos, em lugar de come&ccedil;ar a dar exemplo.<\/p>\n<p> Mas quando a Comiss&atilde;o se ocupa dos direitos econ&ocirc;micos, sociais e culturais, os Estados Unidos, oponente irredut&iacute;vel ao reconhecimento desses direitos (o desenvolvimento n&atilde;o seria um direito, mas algo que depende da iniciativa privada e da economia de mercado), fica em minoria, quanto n&atilde;o totalmente isolado nas vota&ccedil;&otilde;es. Por isso Washington quer eliminar a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos e substitu&iacute;-la por um Conselho pouco numeroso e maus vulner&aacute;vel &agrave;s suas press&otilde;es. A reforma do Conselho de Seguran&ccedil;a requer a modifica&ccedil;&atilde;o da Carta da ONU. E para que essa reforma entre em vigor, al&eacute;m do voto favor&aacute;vel de dois ter&ccedil;os dos Estados-membros da Assembl&eacute;ia Geral, &eacute; necess&aacute;rio que seja aprovada pelos cinco membros permanentes atrav&eacute;s de seus respectivos procedimentos constitucionais. Por exemplo, basta que o Senado norte-americano n&atilde;o aprove as reformas para que elas n&atilde;o entrem em vigor.<\/p>\n<p> J&aacute; a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos pode ser suprimida sem modificar a Carta, por simples decis&atilde;o da maioria da Assembl&eacute;ia Geral. Corre-se o risco de durante a C&uacute;pula, uma maioria de Estados &#8211; e muitas ONGs fazendo coro &#8211; se dividir em quatro para conseguir alguma concess&atilde;o dos Estados Unidos na parte declarat&oacute;ria (de boas inten&ccedil;&otilde;es) e aceitar como moeda de troca a liquida&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos para substitu&iacute;-la por um Conselho reduzido, seleto e d&oacute;cil, de uma configura&ccedil;&atilde;o at&eacute; agora imprecisa e, em todo caso, nada representativa da comunidade internacional. Cabe esperar que na C&uacute;pula esta pretens&atilde;o norte-americana fracasse. &Eacute; aparentemente o melhor que se pode desejar da C&uacute;pula: que as coisas n&atilde;o mudem para pior. E o mais prov&aacute;vel &eacute; que a imprescind&iacute;vel democratiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que deve come&ccedil;ar com a supress&atilde;o do direito de veto e do estatuto de membro permanente, fique para outra oportunidade. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p> (*) Alejandro Teitelbaum, advogado, especialista em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e representante permanente da Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Juristas junto aos organismos das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em Genebra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 15\/09\/2005 &ndash; O balan&ccedil;o de 60 anos de exist&ecirc;ncia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &eacute; bem mais negativo do que positivo: sucederam-se guerras de agress&atilde;o, genoc&iacute;dios, fome, guerras entre etnias, a brecha entre os mais ricos e os mais pobres (pa&iacute;ses e pessoas) n&atilde;o p&aacute;ra de aumentar. O meio ambiente e o clima sofrem uma degrada&ccedil;&atilde;o veloz e o desarmamento, tanto em mat&eacute;ria de armas nucleares quanto convencionais, est&aacute; paralisado. Ao mesmo tempo acontecem as c&uacute;pulas mundiais onde a ONU e as grandes pot&ecirc;ncias fazem promessas que nunca s&atilde;o cumpridas. Por exemplo, as metas fixadas periodicamente em mat&eacute;ria de ajuda ao desenvolvimento. Nos fatos, os grandes princ&iacute;pios inscritos na Carta, na Declara&ccedil;&atilde;o Universal e em outros instrumentos internacionais s&atilde;o deixados de lado.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/naes-unidas-a-cpula-vai-produzir-um-ladro\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":390,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1006","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/390"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1006"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1006\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}