{"id":10083,"date":"2012-06-14T09:14:40","date_gmt":"2012-06-14T09:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10083"},"modified":"2012-06-14T09:14:40","modified_gmt":"2012-06-14T09:14:40","slug":"ndia-a-farmcia-dos-pobres-est-em-perigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/ndia-a-farmcia-dos-pobres-est-em-perigo\/","title":{"rendered":"&Iacute;NDIA: A farm&aacute;cia dos pobres est&aacute; em perigo"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 14\/06\/2012 &ndash; A &Iacute;ndia &eacute; famosa pelo Taj Mahal, por suas cerim&ocirc;nias religiosas, pelos filmes de Bollywood e por seu acelerado crescimento econ&ocirc;mico nos anos recentes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10083\" style=\"width: 164px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Artigo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10083\" class=\"size-medium wp-image-10083\" title=\"Martin Khor. - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Artigo.jpg\" alt=\"Martin Khor. - \" width=\"154\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10083\" class=\"wp-caption-text\">Martin Khor. - <\/p><\/div>  Por&eacute;m, &eacute; mais importante e menos conhecida sua contribui&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de medicamentos gen&eacute;ricos de boa qualidade e baixo custo, que salvam ou prolongam milh&otilde;es de vidas.<\/p>\n<p>Muitas pessoas v&atilde;o &agrave; &Iacute;ndia para comprar rem&eacute;dios gen&eacute;ricos e levar para familiares que n&atilde;o podem comprar os caros medicamentos originais de marca.<\/p>\n<p>H&aacute; uma d&eacute;cada, a companhia farmac&ecirc;utica indiana Cipla produziu rem&eacute;dios gen&eacute;ricos contra HIV\/aids ao pre&ccedil;o de US$ 300 para um tratamento anual, enquanto os produtos de marca custavam US$ 10 mil. Atualmente, a vers&atilde;o gen&eacute;rica indiana custa ainda mais barata: menos de US$ 80.<\/p>\n<p>Isso permitiu estender o fornecimento de medicamentos a muitos milh&otilde;es de doentes de aids de escassos recursos. De fato, a &Iacute;ndia fornece 70% dos rem&eacute;dios contra a s&iacute;ndrome de imunodefici&ecirc;ncia adquirida ao Unicef, ao Fundo Global e &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o William J. Clinton.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, entre 75% e 80% dos rem&eacute;dios (n&atilde;o apenas contra a aids) distribu&iacute;dos pela Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Dispens&aacute;rios nos pa&iacute;ses em desenvolvimento procedem da &Iacute;ndia, que por isso &eacute; qualificada de &quot;farm&aacute;cia do mundo em desenvolvimento&quot;.<\/p>\n<p>Em janeiro passado, a Associa&ccedil;&atilde;o Indiana de Fabricantes de Medicamentos, que re&uacute;ne 700 empresas, comemorou seu 50&ordm; anivers&aacute;rio e o grande crescimento da ind&uacute;stria, a ampla variedade de seus produtos e sua contribui&ccedil;&atilde;o para a cria&ccedil;&atilde;o de medicamentos seguros e a pre&ccedil;os razo&aacute;veis.<\/p>\n<p>No entanto, tamb&eacute;m h&aacute; fatores que podem impedir a continuidade da produ&ccedil;&atilde;o indiana de rem&eacute;dios acess&iacute;veis aos pobres.<\/p>\n<p>Um fator b&aacute;sico para o &ecirc;xito da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica foi a decis&atilde;o do governo indiano, em 1970, de excluir os medicamentos da lista de produtos necessariamente patente&aacute;veis. Assim, foi poss&iacute;vel que os laborat&oacute;rios locais produzissem vers&otilde;es gen&eacute;ricas de caros rem&eacute;dios estrangeiros e em poucas d&eacute;cadas dominaram mais de 80% do mercado interno e exportaram medicamentos baratos em grande escala.<\/p>\n<p>Um giro negativo ocorreu quando o tratado internacional sobre propriedade intelectual, conhecido como Trips, foi estabelecido em 1995 e invalidou a decis&atilde;o de alguns pa&iacute;ses de excluir os medicamentos da obriga&ccedil;&atilde;o de patentear.<\/p>\n<p>Entretanto, o tratado aceitou que os pa&iacute;ses determinassem individualmente o crit&eacute;rio para conceder uma patente a uma inven&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, deu aos governos a faculdade de expedir licen&ccedil;as para as companhias locais para fabricar os produtos patenteados, se n&atilde;o tivessem &ecirc;xito em seus pedidos aos donos da patente de ceder voluntariamente a licen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Para cumprir suas obriga&ccedil;&otilde;es, a &Iacute;ndia aprovou em 2005 mudan&ccedil;as em sua lei de patentes de modo que seus medicamentos pudessem ser patenteados. No entanto, a nova lei tamb&eacute;m cont&eacute;m crit&eacute;rios r&iacute;gidos (mudan&ccedil;as m&iacute;nimas para um produto cuja patente expirou poderiam n&atilde;o dar o direito a uma nova patente) e autoriza a oposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de uma patente antes que seja tomada uma decis&atilde;o.<\/p>\n<p>A &Iacute;ndia tem uma das melhores leis de patentes do mundo e gra&ccedil;as a ela ainda possui algum espa&ccedil;o para produzir medicamentos gen&eacute;ricos. Por&eacute;m, a amplitude permitida pela legisla&ccedil;&atilde;o anterior diminuiu, porque muitos novos medicamentos foram, desde 2005, patenteados por multinacionais que os vendem a pre&ccedil;os exorbitantes.<\/p>\n<p>As empresas indianas j&aacute; n&atilde;o podem fazer suas vers&otilde;es gen&eacute;ricas destes novos medicamentos a menos que pe&ccedil;am licen&ccedil;as ao governo, e, mediante um processo muito complicado, a obt&ecirc;m, ou chegam a um acordo com a multinacional dona da patente, que seria dada sob duras condi&ccedil;&otilde;es, principalmente para a exporta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; que a &Iacute;ndia est&aacute; negociando um tratado de livre com&eacute;rcio com a Uni&atilde;o Europeia. Tais tratados normalmente cont&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es que impedem ou criam obst&aacute;culos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica, como a exclusividade dos dados e a extens&atilde;o do prazo da patente.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, seis companhias indianas foram compradas recentemente por grandes empresas estrangeiras. Se esta tend&ecirc;ncia continuar, o mercado indiano de medicamentos poder&aacute; ser novamente controlado pelas multinacionais. &Eacute; incerto se elas v&atilde;o querer continuar exportando para o mundo em desenvolvimento medicamentos gen&eacute;ricos competindo com seus pr&oacute;prios produtos de marca.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es internacionais como Onusida, Unitaid e M&eacute;dicos Sem Fronteiras se preocupam com a possibilidade de essas tend&ecirc;ncias colocarem em perigo o papel da &Iacute;ndia como principal fornecedor de rem&eacute;dios a pre&ccedil;o baixo para a &Aacute;frica e outras regi&otilde;es em desenvolvimento. Milh&otilde;es morrer&atilde;o se a &Iacute;ndia n&atilde;o puder produzir no futuro os novos rem&eacute;dios contra o HIV\/aids. &quot;&Eacute; uma quest&atilde;o de vida ou morte&quot;, disse Michel Sidib&eacute;, diretor-executivo da Onusida.<\/p>\n<p>Da&iacute; a necessidade de uma estrat&eacute;gia que envolva o governo e as companhias farmac&ecirc;uticas, que assegure que a ind&uacute;stria local de medicamentos continue prosperando, que produza n&atilde;o apenas os rem&eacute;dios existentes, mas tamb&eacute;m os novos, embora j&aacute; estejam patenteados, e que sejam fornecidos a pre&ccedil;os baixos n&atilde;o apenas na &Iacute;ndia. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Martin Khor &eacute; diretor-executivo do South Centre, com sede em Genebra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 14\/06\/2012 &ndash; A &Iacute;ndia &eacute; famosa pelo Taj Mahal, por suas cerim&ocirc;nias religiosas, pelos filmes de Bollywood e por seu acelerado crescimento econ&ocirc;mico nos anos recentes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/ndia-a-farmcia-dos-pobres-est-em-perigo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1149,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,4,7],"tags":[17,26],"class_list":["post-10083","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-mundo","category-saude","tag-asia-e-pacifico","tag-india"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10083","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1149"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10083"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10083\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10083"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10083"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10083"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}