{"id":10086,"date":"2012-06-14T09:23:03","date_gmt":"2012-06-14T09:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10086"},"modified":"2012-06-14T09:23:03","modified_gmt":"2012-06-14T09:23:03","slug":"brasil-o-coentro-decora-a-convivncia-com-a-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/brasil-o-coentro-decora-a-convivncia-com-a-seca\/","title":{"rendered":"BRASIL: O coentro decora a conviv&ecirc;ncia com a seca"},"content":{"rendered":"<p>Jeremoabo, Brasil, 14\/06\/2012 &ndash; Muitos cultivam alface, tomate, cenoura, beterraba e outros vegetais, mas &eacute; o coentro a decora&ccedil;&atilde;o constante nas hortas que ajudam fam&iacute;lias camponesas a suportarem a prolongada seca que novamente afeta a regi&atilde;o Nordeste do Brasil.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10086\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS13.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10086\" class=\"size-medium wp-image-10086\" title=\"Um campon&ecirc;s de Macurur&eacute;, munic\u00c3\u00adpio de clima muito seco, em uma &aacute;rea de sua nova horta. - Instituto Regional da Pequena Agropecu&aacute;ria Apropriada\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS13.jpg\" alt=\"Um campon&ecirc;s de Macurur&eacute;, munic\u00c3\u00adpio de clima muito seco, em uma &aacute;rea de sua nova horta. - Instituto Regional da Pequena Agropecu&aacute;ria Apropriada\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10086\" class=\"wp-caption-text\">Um campon&ecirc;s de Macurur&eacute;, munic\u00c3\u00adpio de clima muito seco, em uma &aacute;rea de sua nova horta. - Instituto Regional da Pequena Agropecu&aacute;ria Apropriada<\/p><\/div>  &quot;Pelo sabor&quot; que agrega a &quot;feij&atilde;o, carnes, macarr&atilde;o, em tudo&quot;, o coentro tem a prefer&ecirc;ncia, explicou Silvia Santana Santos, uma benefici&aacute;ria do Projeto Gente de Valor (PGV), que disseminou &quot;quintais produtivos&quot; em 34 munic&iacute;pios da Bahia, nos quais a escassez h&iacute;drica alimenta a pobreza.<\/p>\n<p>A inclina&ccedil;&atilde;o por essa erva estimula a incorpora&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias a iniciativas que est&atilde;o melhorando a conviv&ecirc;ncia com o clima semi&aacute;rido e a forma de vida em 282 comunidades rurais, as mais pobres da Bahia, segundo identificou a Companhia de Desenvolvimento e A&ccedil;&atilde;o Regional (CAR), &oacute;rg&atilde;o estatal que executa o projeto. As tr&ecirc;s principais metas do PGV s&atilde;o instala&ccedil;&atilde;o de pequenas infraestruturas h&iacute;dricas para armazenar &aacute;gua de chuva, aumento produtivo e capacita&ccedil;&atilde;o, com investimento de US$ 60 milh&otilde;es, metade financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr&iacute;cola (Fida) e o restante pelo governo baiano.<\/p>\n<p>&quot;Feij&otilde;es ningu&eacute;m compra, mas o coentro sim&quot;, disse J&uacute;lio Santos, cujos sete filhos com Silvia Santana ampliaram a popula&ccedil;&atilde;o do S&iacute;tio Taperinha, hoje com mais de cem fam&iacute;lias, do interior de Jeremoabo, um dos munic&iacute;pios inclu&iacute;dos no projeto, que a IPS visitou. A seca destruiu a planta&ccedil;&atilde;o de milho e feij&atilde;o, mas as hortali&ccedil;as &quot;vendemos a cada 15 dias&quot;, sem interrup&ccedil;&atilde;o, contou o agricultor, que aceitou abandonar seu cultivo tradicional de gr&atilde;os, vulner&aacute;veis aos riscos clim&aacute;ticos do semi&aacute;rido, onde vivem 22 milh&otilde;es dos 198 milh&otilde;es de brasileiros.<\/p>\n<p>A horta poder&aacute; ser a principal atividade da fam&iacute;lia no futuro, reconheceu J&uacute;lio. Sua rentabilidade est&aacute; assegurada pela irriga&ccedil;&atilde;o com &aacute;gua de &quot;cisternas de produ&ccedil;&atilde;o&quot; fornecidas pelo projeto. S&atilde;o dois tanques de cinco mil litros cada um, semienterrados para poder recolher a chuva que escorre pelo solo. A seca esgota essa &aacute;gua em dois meses, mas a fam&iacute;lia Santos conta com uma bomba para se abastecer de um manancial pr&oacute;ximo e expandir a horta. Al&eacute;m disso, com ajuda do projeto, come&ccedil;ou a produ&ccedil;&atilde;o de mel, interrompida este ano pela seca.<\/p>\n<p>As hortas do projeto somavam 5.644 at&eacute; fevereiro e &quot;mudaram os h&aacute;bitos alimentares das pessoas&quot;, reconheceu Gilberto de Alc&acirc;ntara, antigo morador de Curralinho, uma comunidade do munic&iacute;pio de Itapicuru, 175 quil&ocirc;metros ao sul de Jeremoabo, a cidade cabeceira principal, que tem 35 mil habitantes. Al&eacute;m disso, &quot;valorizaram as mulheres&quot;, pois s&atilde;o elas que cuidam das terras agr&iacute;colas utilizadas em terra&ccedil;os perto de suas casas, segundo Cleonice Castro, jovem ativista comunit&aacute;ria de Jeremoabo e da Pastoral da Inf&acirc;ncia, da Igreja Cat&oacute;lica que ajudou a reduzir a mortalidade infantil no pa&iacute;s. E todos se alimentam melhor, acrescentou, &quot;sem venenos, porque n&atilde;o usamos agrot&oacute;xicos&quot;.<\/p>\n<p>O &quot;excelente foco nas comunidades mais pobres&quot; e a ativa participa&ccedil;&atilde;o feminina e juvenil s&atilde;o aspectos que fazem Gente de Valor &quot;uma de nossas melhores experi&ecirc;ncias&quot; em numerosos pa&iacute;ses, disse Ivan Cossio, gerente de programas do Fida no Brasil. Os mesmos benefici&aacute;rios se capacitaram para administrar os recursos recebidos &quot;com efici&ecirc;ncia e transpar&ecirc;ncia&quot;, acrescentou. Algumas t&eacute;cnicas melhoram a produtividade de hortali&ccedil;as e outras atividades tradicionais neste meio rural, incrementadas pelo projeto, como cria&ccedil;&atilde;o de caprinos e ovinos, apicultura, produ&ccedil;&atilde;o de castanha de caju, derivados de mandioca, frutas nativas e artesanato.<\/p>\n<p>As hortas, por exemplo, incluem um pl&aacute;stico sob os tr&ecirc;s terra&ccedil;os habituais para evitar que a &aacute;gua vaze pelo subsolo, e telas para fazer sombra acima, a fim de reduzir a insola&ccedil;&atilde;o excessiva e a evapora&ccedil;&atilde;o, explicou Carlos Henrique Ramos, agr&ocirc;nomo da CAR e subcoordenador do PGV. A seguran&ccedil;a alimentar e o aumento da renda s&atilde;o as metas produtivas, destacou. Os &quot;quintais produtivos&quot;, com suas cisternas duplas e outros dep&oacute;sitos subterr&acirc;neos maiores destinados &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel, a capacita&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o h&iacute;drica e a assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica agr&iacute;cola s&atilde;o as a&ccedil;&otilde;es mais generalizadas do projeto, que beneficia cerca de 36.500 pessoas diretamente, al&eacute;m de outras 55 mil indiretamente.<\/p>\n<p>Sua execu&ccedil;&atilde;o envolveu oito entidades n&atilde;o governamentais, de atua&ccedil;&atilde;o local sob orienta&ccedil;&atilde;o do PGV, para atender &quot;os mais pobres entre os pobres&quot;, enfatizou Cesar Maynart, coordenador do projeto. S&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es sociais que integram um amplo movimento de desenvolvimento e difus&atilde;o de tecnologias de baixo custo e promovem uma forma de vida afinada com o clima semi&aacute;rido. Um exemplo s&atilde;o as cisternas de 16 mil litros para recolher &aacute;gua de chuva a partir dos telhados das casas, das quais h&aacute; cerca de 400 mil instaladas no Nordeste. Outra a&ccedil;&atilde;o do PGV que alivia as secas &eacute; o aproveitamento forrageiro das esp&eacute;cies da caatinga, a vegeta&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica deste territ&oacute;rio semi&aacute;rido do pa&iacute;s, e seu armazenamento como se faz com o feno. Isto garante alimento para o gado durante as estiagens mais severas e prolongadas.<\/p>\n<p>&quot;Aprendi muito, n&atilde;o sabia que a moringa &eacute; forrageira&quot;, contou Gilberto Alc&acirc;ntara, da comunidade de Curralinho. Trata-se de uma &aacute;rvore origin&aacute;ria da &Iacute;ndia que cresce em terrenos secos e adaptou-se muito bem ao clima nordestino. &quot;Ignorava que o guandu, que conhe&ccedil;o desde crian&ccedil;a, tamb&eacute;m serve de forragem&quot;, acrescentou Jo&atilde;o dos Santos, de 26 anos, agente de desenvolvimento subterritorial (ADS) de Curralinho. Os ADS s&atilde;o promotores do Projeto Gente de Valor, em geral jovens escolhidos nos subterrit&oacute;rios, como &eacute; denominado cada grupo de comunidades participantes.<\/p>\n<p>A forragem feita de plantas locais &eacute; primordial, especialmente no munic&iacute;pio de Macurur&eacute;, no norte da Bahia, onde s&atilde;o criados caprinos, por sua maior resist&ecirc;ncia ao clima muito seco. Ali o ADS local, Adriano Souza, coordena um &quot;ensaio agroecol&oacute;gico&quot; que experimenta o cultivo de 17 esp&eacute;cies como forragem. Miguel Jos&eacute; dos Santos, de 67 anos, se prepara para &quot;vender tudo o que lhe resta&quot; por temer que a seca se prolongue. S&atilde;o nove vacas, &quot;que valem muito&quot;, cerca de US$ 450 cada uma, mas custa aliment&aacute;-las porque &quot;o milho duplicou de pre&ccedil;o&quot;, lamentou, enquanto se conforma em criar apenas caprinos. Os camponeses, explicou Ramos, persistem em criar bovinos porque os consideram &quot;uma poupan&ccedil;a, uma reserva&quot; para momentos de pen&uacute;ria. Contudo, na seca s&atilde;o for&ccedil;ados a vend&ecirc;-los a pre&ccedil;os baix&iacute;ssimos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jeremoabo, Brasil, 14\/06\/2012 &ndash; Muitos cultivam alface, tomate, cenoura, beterraba e outros vegetais, mas &eacute; o coentro a decora&ccedil;&atilde;o constante nas hortas que ajudam fam&iacute;lias camponesas a suportarem a prolongada seca que novamente afeta a regi&atilde;o Nordeste do Brasil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/brasil-o-coentro-decora-a-convivncia-com-a-seca\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,7],"tags":[27],"class_list":["post-10086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-saude","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10086\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}