{"id":10093,"date":"2012-06-15T09:50:33","date_gmt":"2012-06-15T09:50:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10093"},"modified":"2012-06-15T09:50:33","modified_gmt":"2012-06-15T09:50:33","slug":"depois-da-guerra-a-crise-econmica-atinge-o-sul-do-sudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/africa\/depois-da-guerra-a-crise-econmica-atinge-o-sul-do-sudo\/","title":{"rendered":"Depois da Guerra, a Crise Econ&oacute;mica Atinge o Sul do Sud&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Juba, 15\/06\/2012 &ndash; As Na&ccedil;&otilde;es Unidas advertiram que, apesar das medidas de austeridade impostas no Sul do Sud&atilde;o para lidar com os seus problemas econ&oacute;micos, as ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias ter&atilde;o de aumentar os seus esfor&ccedil;os para manter os pobres do pa&iacute;s vivos &agrave; medida que a situ&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica se deteriora. <!--more--> &quot;Ser&atilde;o as organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias que v&atilde;o prestar a assist&ecirc;ncia necess&aacute;ria para ajudar as fam&iacute;lias a sobreviver,&quot; disse &agrave; IPS Lise Grande, coordenadora humanit&aacute;ria das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no Sul do Sud&atilde;o. A crise econ&oacute;mica foi desencadeada pela decis&atilde;o do Sul do Sud&atilde;o de suspender a produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera, que representa 98 por cento das receitas do pa&iacute;s, no final de Janeiro, depois de um diferendo com o Sud&atilde;o sobre as taxas cobradas para usar os seus oleodutos. O governo introduziu medidas de austeridade pouco depois, que incluem cortes em &aacute;reas essencias como investimentos, redu&ccedil;&atilde;o para metade dos gastos das institui&ccedil;&otilde;es governamentais, restri&ccedil;&otilde;es ao cr&eacute;dito de forma a financiar apenas as actividades que estimulem o crescimento econ&oacute;mico como o desenvolvimento de infra-estruturas, e intensifica&ccedil;&atilde;o dos esfor&ccedil;os de cobran&ccedil;a das receitas fiscais. O governo tamb&eacute;m tem recorrido a um forte endividamento internacional, adquirindo diversos empr&eacute;stimos de grande dimens&atilde;o junto de bancos estrangeiros para atenuar a crise financeira. No entanto, Grande disse &agrave; IPS que, se o governo ficasse sem dinheiro para pagar os cuidados de sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o, as comunidades seriam gravemente afectadas. &quot;Estamos todos preocupados com o facto de, quando a austeridade come&ccedil;ar a ter um impacto cada vez maior nas fam&iacute;lias, ter&atilde;o de ser as ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias a aumentar as suas opera&ccedil;&otilde;es, a intensificar o seu apoio para ajudar as fam&iacute;lias a ultrapassar as dificuldades,&quot; disse Grande &agrave; IPS. <\/p>\n<p>Embora os economistas e o Banco Mundial advirtam que a economia do Sul do Sud&atilde;o pode entrar em colapso total antes do fim do ano, os l&iacute;deres locais afirmam que esta afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; verdadeira. (O jornal local, Sudan Tribune, noticiou no dia 6 de Maio que a fuga de documentos do Banco Mundial (http:\/\/www.sudantribune.com\/DOCUMENT-World-Bank-Analysis-of,42534) indicava que o pa&iacute;s iria enfrentar o poss&iacute;vel &quot;colapso do estado&quot;).<\/p>\n<p>&quot;O Sul do Sud&atilde;o vai prosseguir o seu caminho durante o tempo que for necess&aacute;rio. N&atilde;o temos nenhum plano para entrar em colapso como as pessoas que nos querem mal gostariam de acreditar. N&atilde;o temos nenhum plano para desaparecer. Estamos aqui para ficar,&quot; disse &agrave; IPS o Ministro das Finan&ccedil;as e Planeamento Econ&oacute;mico, Kosti Manibe. <\/p>\n<p>Contudo, a cessa&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o pretrol&iacute;fera causou uma grave falta de moeda estrangeira. Consequentemente, a moeda local ca&iacute;u drasticamente contra o d&oacute;lar. O c&acirc;mbio oficial &eacute; 296 libras do Sul do Sud&atilde;o por cada d&oacute;lar, mas baixou drasticamente para cinco libras por cada d&oacute;lar no mercado negro do valor de 3.5 registado em Janeiro. Numa entrevista anterior concedida &agrave; IPS, Grande afirmou que o pre&ccedil;o dos produtos b&aacute;sicos nas comunidades fronteiri&ccedil;as tinha aumentado quase 200 por cento. <\/p>\n<p>Em resultado, o combust&iacute;vel escasseia e o pre&ccedil;o aumentou para cerca de 30 libras (seis d&oacute;lares) por litro para o gas&oacute;leo e a gasolina, comparado com as seis libras antes da crise.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a taxa de infla&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s saltou para 50.9 por cento em Mar&ccedil;o dos 21.3 por cento em Fevereiro, de acordo com o gabinete de estat&iacute;stica do Sul do Sud&atilde;o. &quot;Os tempos s&atilde;o dif&iacute;ceis. Isso &eacute; verdade, mas tom&aacute;mos medidas para lidarmos com a situa&ccedil;&atilde;o e vamos (sobreviver)&#8230; da mesma forma que o fizemos durante os tempos dif&iacute;ceis da guerra,&quot; insistiu Manibe. O pa&iacute;s, outrora parte do Sud&atilde;o, esteve envolvido numa guerra civil desde 1983 at&eacute; 2005. No entanto, Spencer Kenyi, economista ambiental e consultor do Banco Mundial sobre o sector privado no Sul do Sud&atilde;o, afirmou que era errado o governo usar a capacidade do povo de suportar priva&ccedil;&otilde;es como desculpa pelo seu falhan&ccedil;o em resolver os actuais desafios econ&oacute;micos. &quot;As pessoas sofreram durante a guerra mas n&atilde;o foi por quererem. N&atilde;o tinham escolha. O governo precisa de criar alguma apar&ecirc;ncia de ordem n&atilde;o s&oacute; na execu&ccedil;&atilde;o da sua pol&iacute;tica mas tamb&eacute;m na execu&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas correctas com vista a melhorar as vidas das pessoas,&quot; observou. <\/p>\n<p>Kenyi &eacute; uma das muitas pessoas que criticaram a decis&atilde;o do governo de suspender a produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera, afirmando que foi tomada prematuramente sem qualquer an&aacute;lise pr&eacute;via e sem qualquer prepara&ccedil;&atilde;o para as consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Entretanto, o governo afirmou que neste momento depende das reservas que fazem parte de poupan&ccedil;as que afirma terem sido acumuladas nos &uacute;ltimos sete anos. Apesar do governo n&atilde;o ter revelado quanto dinheiro tem dispon&iacute;vel, j&aacute; informou que os fundos v&atilde;o durar 18 meses. &quot;Se estas reservas se esgotarem, &eacute; &oacute;bvio que a economia entrar&aacute; em colapso. J&aacute; est&atilde;o a aparecer alguns sinais indiciadores que o sistema est&aacute; a come&ccedil;ar a entrar em colapso. O facto de j&aacute; n&atilde;o existir combust&iacute;vel nos postos de combust&iacute;vel demonstra que, se n&atilde;o fizermos algo dr&aacute;stico, a economia em breve entrar&aacute; em colapso. A falta de combust&iacute;vel afecta todos os aspectos da nossa vida,&quot; disse Kenyi. O antigo Ministro das Finan&ccedil;as e Planeamento Econ&oacute;mico, Arthur Akuein Chol, tamb&eacute;m criticou o governo por n&atilde;o ter diversificado para outras formas de produ&ccedil;&atilde;o de receitas para al&eacute;m do petr&oacute;leo. Afirmou que a campanha do governo, lan&ccedil;ada em Maio, direccionada para o aumento da cobran&ccedil;a de receitas n&atilde;o petrol&iacute;feras em 300 por cento nos pr&oacute;ximos seis meses, n&atilde;o iria gerar receitas significativas. Contudo, Manibe afirmou que a cobran&ccedil;a governamental nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses tinha quadruplicado. &quot;Mas tamb&eacute;m vamos cobrar impostos sobre fontes n&atilde;o tradicionais, o que n&atilde;o foi feito at&eacute; agora. Elas incluem &aacute;reas que anteriormente estavam sob a jurisdi&ccedil;&atilde;o do governo do Sud&atilde;o e que agora nos pertencem, como a emiss&atilde;o de licen&ccedil;as. Isto inclui o licenciamento, por exemplo, das telecomunica&ccedil;&otilde;es, licen&ccedil;as para concess&otilde;es no campo da explora&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera e desenvolvimento e licen&ccedil;as de explora&ccedil;&atilde;o mineira,&quot; disse &agrave; IPS. Em Maio, o Sul do Sud&atilde;o obteve um empr&eacute;stimo de 100 milh&otilde;es de d&oacute;lares do Banco Nacional do Qatar para financiar a importa&ccedil;&atilde;o de bens essenciais e servi&ccedil;os, incluindo combust&iacute;vel, alimentos e medicamentos. Sabe-se que o governo tamb&eacute;m est&aacute; em vias de obter um outro empr&eacute;stimo de 100 milh&otilde;es de d&oacute;lares do Banco Stanbic e um outro empr&eacute;stimo de 500 milh&otilde;es de d&oacute;lares de outra fonte n&atilde;o revelada. Em Abril, a China concordou conceder ao novo pa&iacute;s um empr&eacute;stimo de oito bili&otilde;es de d&oacute;lares que o Sul do Sud&atilde;o disse iriam ser usados para financiar o desenvolvimento infra-estrutural do Sul do Sud&atilde;o. Os termos exactos destas negocia&ccedil;&otilde;es ainda n&atilde;o foram publicados, mas sabe-se que o reembolso est&aacute; ligado &agrave;s futuras receitas petrol&iacute;feras. Kenyi apontou que, em vez de pedir dinheiro emprestado, o governo devia ter encetado contactos com instituti&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monet&aacute;rio Internacional e pa&iacute;ses doadores com os quais podia ter negociado acordos bilaterais acerca de subven&ccedil;&otilde;es. Contudo, Kenyi advertiu que a economia emergente do Sul do Sud&atilde;o podia sofrer consequ&ecirc;ncias graves se come&ccedil;asse a depender de empr&eacute;stimos numa fase t&atilde;o precoce na sua democracia. &quot;Qualquer dinheiro obtido de subven&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode ser desperdi&ccedil;ado. S&oacute; dever&aacute; ser usado para prestar servi&ccedil;os essenciais como cuidados m&eacute;dicos para o cidad&atilde;o comum e para realizar trabalho de desenvolvimento,&quot; afirmou Kenyi. Um relat&oacute;rio de 17 de Maio elaborado pelo grupo activista Global Witness apelou ao Sul do Sud&atilde;o que fosse cauteloso e demonstrasse transpar&ecirc;ncia total na obten&ccedil;&atilde;o de financiamentos apoiados pelo petr&oacute;leo. O grupo pediu ao governo que publicasse os dados pormenorizados de qualquer acordo de empr&eacute;stimo para impedir condi&ccedil;&otilde;es exploradoras, corrup&ccedil;&atilde;o e m&aacute; administra&ccedil;&atilde;o que podem subverter os benef&iacute;cios imediatos. Entretanto, Grande afirma que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas far&atilde;o tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar as pessoas afectadas pela inseguran&ccedil;a alimentar. &quot;Vamos ajudar as pessoas com assist&ecirc;ncia alimentar conforme o per&iacute;odo de escassez for evoluindo e quando a austeridade apertar com mais for&ccedil;a,&quot; disse. &quot;O Programa Alimentar Mundial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ir&aacute; fornecer ajuda alimentar a 2.7 milh&otilde;es de pessoas, de um total de 4.7 milh&otilde;es que precisam de ajuda alimentar este ano,&quot; acrescentou Grande. Kenyi avisou que as ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias n&atilde;o podem arcar todo o fardo de ajudar o povo do Sul do Sud&atilde;o. &quot;As Na&ccedil;&otilde;es Unidas e outras organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias s&oacute; podem ajudar os refugiados e os deslocados internos. N&atilde;o acredito que forne&ccedil;am alimentos, roupas e cuidados m&eacute;dicos a toda a popula&ccedil;&atilde;o,&quot; acrescentou. Mas n&atilde;o via muitos pa&iacute;ses a apressarem-se a oferecer ajuda: &quot;Os pa&iacute;ses europeus t&ecirc;m os seus pr&oacute;prios problemas e &eacute; pouco prov&aacute;vel que continuem a doar dinheiro &agrave;s ONGs para que estas apoiem os Sudaneses do Sul.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juba, 15\/06\/2012 &ndash; As Na&ccedil;&otilde;es Unidas advertiram que, apesar das medidas de austeridade impostas no Sul do Sud&atilde;o para lidar com os seus problemas econ&oacute;micos, as ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias ter&atilde;o de aumentar os seus esfor&ccedil;os para manter os pobres do pa&iacute;s vivos &agrave; medida que a situ&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica se deteriora. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/africa\/depois-da-guerra-a-crise-econmica-atinge-o-sul-do-sudo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":601,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10093","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10093","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/601"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10093"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10093\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10093"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}