{"id":10095,"date":"2012-06-15T09:54:38","date_gmt":"2012-06-15T09:54:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10095"},"modified":"2012-06-15T09:54:38","modified_gmt":"2012-06-15T09:54:38","slug":"malawi-hospitais-debatem-se-com-dificuldades-devido-falta-de-gua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/africa\/malawi-hospitais-debatem-se-com-dificuldades-devido-falta-de-gua\/","title":{"rendered":"Malawi: Hospitais Debatem-se com Dificuldades Devido &agrave; Falta de &Aacute;gua"},"content":{"rendered":"<p>BLANTYRE, 15\/06\/2012 &ndash; Duas cadeiras de pl&aacute;stico meio estragadas impedem a entrada nas casas de banho da Cl&iacute;nica do Munic&iacute;pio de Bangwe em Blantyre. As casas de banho n&atilde;o est&atilde;o a funcionar porque n&atilde;o h&aacute; &aacute;gua corrente &#8211; mais uma vez. E se os pacientes quiserem usar as instala&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m de correr para a porta mais pr&oacute;xima, na escola prim&aacute;ria, que tem latrinas de fossa. <!--more--> &quot;N&atilde;o &eacute; nada que n&atilde;o tenha acontecido antes,&quot; afirmou a enfermeira, falando sob condi&ccedil;&atilde;o de anonimato. &quot;Tem sido assim h&aacute; duas semanas. Muitas vezes n&atilde;o temos &aacute;gua corrente, especialmente durante a &eacute;poca seca. Temos duas casas de banho, portanto &agrave;s vezes (como agora), temos de encerr&aacute;-las.&quot; Mas a cl&iacute;nica, que atende uma m&eacute;dia de 100 pessoas por dia, precisa de &aacute;gua para os seus pacientes e a enfermeira retira dois baldes de &aacute;gua por dia de um po&ccedil;o de uma mesquita ali ao p&eacute;. &quot;S&oacute; tiramos dois baldes para que os nossos pacientes tenham alguma &aacute;gua para beber ou para tomar os medicamentos. Estamos a ser afectados por esta falta de &aacute;gua. O meu trabalho n&atilde;o &eacute; ir &agrave; procura de &aacute;gua mas sim examinar e receitar os medicamentos para os meus pacientes,&quot; queixou-se a enfermeira. A esta&ccedil;&atilde;o das chuvas no Malawi acabou em Mar&ccedil;o. Agora &eacute; a esta&ccedil;&atilde;o seca mas, este ano, o volume de &aacute;gua &eacute; muito mais baixo. Esta situa&ccedil;&atilde;o levou a Administra&ccedil;&atilde;o das &Aacute;guas de Blantyre, empresa estatal, a come&ccedil;ar a racionar a &aacute;gua. A administra&ccedil;&atilde;o admite, por&eacute;m, que a actual procura de &aacute;gua na cidade excede em muito a capacidade de abastecimento. Prejudicada pela persistente falta de energia no seu principal canal receptor de &aacute;gua, localizado a mais de 50 quil&oacute;metros de dist&acirc;ncia de Blantyre, e por um sistema de abastecimento de &aacute;gua em colapso que n&atilde;o &eacute; reabilitado h&aacute; mais de 40 anos, a Administra&ccedil;&atilde;o est&aacute; a enfrentar problemas para satisfazer a crescente procura de &aacute;gua. A popula&ccedil;&atilde;o de Blantyre cresceu de 113.000 pessoas em 1966 para 670.000 em 2008, de acordo com o Gabinete de Estat&iacute;stica Nacional. No entanto, existe um projecto no valor de cinco milh&otilde;es de d&oacute;lares actualmente em curso para melhorar as infra-estruturas h&iacute;dricas deste pa&iacute;s da &Aacute;frica Austral at&eacute; 2013. A Administra&ccedil;&atilde;o das &Aacute;guas de Blantyre afirma que o projecto vai melhorar o abastecimento de &aacute;gua de 78.000 metros c&uacute;bicos por dia para 96.000 metros c&uacute;bicos por dia. Isso iria permitir &agrave; Administra&ccedil;&atilde;o acabar com a falta perene de &aacute;gua e abastecer mais de um milh&atilde;o de pessoas. Entretanto, nos munic&iacute;pios espalhados por toda a cidade, &eacute; frequente ver-se residentes em filas para adquirirem &aacute;gua nas fontes de &aacute;gua que ainda funcionam. Alguns chegam mesmo a usar os riachos da cidade para lavar roupas ou para tomar banho. Os hospitais n&atilde;o foram poupados. O Hospital Adventista de Blantyre, um dos principais hospitais privados do Malawi, n&atilde;o teve &aacute;gua durante uma semana. O Director Executivo do hospital, Kirby Kasinja, disse &agrave; imprensa local que a falta de &aacute;gua tem sido um problema persistente naquele estabelecimento hospitalar. Tem havido breves interrup&ccedil;&otilde;es no abastecimento de &aacute;gua nos &uacute;ltimos meses, mas o abastecimento de &aacute;gua parou completamente na semana passada, dificultando as opera&ccedil;&otilde;es do hospital. &quot;Temos roupas sujas e ensanguentadas provenientes da sala de opera&ccedil;&otilde;es e precisamos de lav&aacute;-las. (Mas) como &eacute; que as podemos lavar quando ficamos sem &aacute;gua regularmente? Mesmo os pacientes devem supostamente estar limpos por uma quest&atilde;o de higiene, mas tamb&eacute;m n&atilde;o temos &aacute;gua para (os banhos),&quot; explicou. Desesperado para manter tudo a funcionar nos quartos, nas unidades de maternidade e noutros departamentos cr&iacute;ticos, o hospital gasta 400 d&oacute;lares por dia para contratar cami&otilde;es cisterna privados para satisfazer algumas das suas necessidades de &aacute;gua. Mas Kasinja afirma que estes custos s&atilde;o demasiados elevados para o hospital. O porta-voz da Administra&ccedil;&atilde;o das &Aacute;guas de Blantyre, Innocent Mbvundula, negou que os hospitais foram obrigados a racionar &aacute;gua. Segundo ele, h&aacute; &aacute;reas priorit&aacute;rias onde a &aacute;gua n&atilde;o &eacute; cortada. &quot;N&atilde;o cortamos (o abastecimento de &aacute;gua) aos hospitais porque s&atilde;o instala&ccedil;&otilde;es cruciais,&quot; disse, atribuindo algumas dos cortes de &aacute;gua nos hospitais a problemas t&eacute;cnicos. Garantiu &agrave; IPS que a administra&ccedil;&atilde;o investiga e resolve estas quest&otilde;es de abastecimento logo que surgem altera&ccedil;&otilde;es. Maziko Matemba, Director do Programa Educacional sobre Sa&uacute;de e Direitos, uma organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil no campo da sa&uacute;de, disse que a falta de &aacute;gua na cidade tinha um grande impacto na sa&uacute;de dos residentes e dos pacientes nos hospitais. Afirmou que os pacientes precisavam de &aacute;gua, especialmente para a sua higiene pessoal. &quot;(Para implementar) a preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as &eacute; necess&aacute;rio ter &aacute;gua constantemente, visto que um ambiente n&atilde;o higi&eacute;nico &eacute; campo f&eacute;rtil para a propaga&ccedil;&atilde;o de muitas doen&ccedil;as infecciosas. Esta falta de &aacute;gua pode criar uma crise de sa&uacute;de,&quot; disse Matemba. Instou a Administra&ccedil;&atilde;o das &Aacute;guas de Blantyre a dar prioridade ao abastecimento de &aacute;gua aos hospitais e a implementar programas de orienta&ccedil;&atilde;o sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o adequada de &aacute;gua nos hospitais, casas e lugares p&uacute;blicos de modo a aliviar a press&atilde;o existente sobre a rede de distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua, demasiado sobrecarregada. At&eacute; isso acontecer, os residentes e as instala&ccedil;&otilde;es mais importantes da cidade v&atilde;o ter de encontrar fontes alternativas de &aacute;gua. Quanto &agrave; Clin&iacute;ca do Mun&iacute;cipio de Bangwe, n&atilde;o h&aacute; muito que os funcion&aacute;rios possam fazer. Quando o po&ccedil;o na mesquita deixa de funcionar, a cl&iacute;nica fica sem &aacute;gua. &quot;&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o um pouco toler&aacute;vel porque somos um hospital de consultas externas. Mas o problema &eacute; persistente. Nunca se sabe, um dia podemos ter de pedir aos pacientes que tragam &aacute;gua em garrafas para beber enquanto esperam pela consulta m&eacute;dica,&quot; disse a enfermeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BLANTYRE, 15\/06\/2012 &ndash; Duas cadeiras de pl&aacute;stico meio estragadas impedem a entrada nas casas de banho da Cl&iacute;nica do Munic&iacute;pio de Bangwe em Blantyre. 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