{"id":1010,"date":"2005-09-16T00:00:00","date_gmt":"2005-09-16T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1010"},"modified":"2005-09-16T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-16T00:00:00","slug":"metas-do-milnio-a-pobreza-no-uma-estatstica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/metas-do-milnio-a-pobreza-no-uma-estatstica\/","title":{"rendered":"Metas do Mil&ecirc;nio: A pobreza n&atilde;o &eacute; uma estat&iacute;stica"},"content":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 16\/09\/2005 &ndash; Combater a pobreza exige que ela seja medida em sua complexidade. N&atilde;o se define por um ou dois d&oacute;lares por dia, nem h&aacute; vantagens em diferenciar os muito pobres dos &quot;quase&quot; muito pobres, diz o relat&oacute;rio 2005 da rede Social Watch. Embora a pobreza seja conseq&uuml;&ecirc;ncia da &quot;distribui&ccedil;&atilde;o radicalmente desigual da renda&quot;, tamb&eacute;m obedece ao acesso desigual aos ativos, &agrave;s oportunidades de trabalho e servi&ccedil;os sociais, &agrave; participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, ao poder pol&iacute;tico e &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, diz o documento, intitulado &quot;Gritos e sussurros: G&ecirc;nero e pobreza: mais promessas do que a&ccedil;&otilde;es&quot;, divulgado na quarta-feira em Nova York. &quot;O crit&eacute;rio de renda inferior a um d&oacute;lar di&aacute;rio foi estabelecido pelo Banco Mundial, no que se conhece como linha internacional de pobreza extrema&quot;, recorda o informe Social Watch\/Controle Cidad&atilde;o, que prop&otilde;e observar o mundo segundo dois novos &iacute;ndices de desenvolvimento e igualdade de g&ecirc;nero.<br \/> <!--more--> <br \/> O Banco Mundial fala hoje em 1,3 bilh&atilde;o de pobres, o que parece constituir um aumento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas &uacute;ltimas estimativas oficiais. Mas segundo as linhas nacionais de pobreza, deveriam somar-se outros 500 milh&otilde;es, considerando apenas &quot;os pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia e alta&quot;, afirma o relat&oacute;rio anual desta rede de aproximadamente 400 grupos n&atilde;o-governamentais de 50 pa&iacute;ses. Segundo o Banco Mundial, a quantidade de indigentes no mundo caiu em termos absolutos de 1,219 bilh&atilde;o em 1990 para 1,1 bilh&atilde;o em 2001. Em grande parte pela renda obtida na China. Mas ao que parece voltou a aumentar. O indicador de um d&oacute;lar di&aacute;rio n&atilde;o se aplica bem a todas as regi&otilde;es, entre outras raz&otilde;es pelo valor de c&acirc;mbio da moeda norte-americana e pelos pre&ccedil;os de bens e servi&ccedil;os em cada lugar.<\/p>\n<p> A Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe (Cepal) estabelece em dois d&oacute;lares a linha de pobreza extrema e nos &quot;Estados Unidos o limite &eacute; de US$ 12 di&aacute;rios&quot;, diz o documento. Os pesquisadores Sanjay Reddy e Thomas Pogge afirmam em um estudo publicado em 2003 que a linha de pobreza elaborada pelo Banco Mundial carece de uma interpreta&ccedil;&atilde;o comum dos poderes de compra entre pa&iacute;ses e anos, j&aacute; que pessoas consideradas pobres em um lugar podem ter acesso a mais produtos e consumo do que outras identificadas como n&atilde;o-pobres em outro lugar&quot;. Para os que trabalharam no estudo Controle Cidad&atilde;o, divulgado anualmente desde 1996, o indicador de um d&oacute;lar di&aacute;rio obedece a raz&otilde;es ideol&oacute;gicas e pol&iacute;ticas, pois levou o Banco Mundial a afirmar que &quot;a globaliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; funcionando, j&aacute; que parece implicar que a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas na pobreza em todo o mundo est&aacute; diminuindo&quot;, disse o ativista uruguaio Roberto Bissio.<\/p>\n<p> Ao adot&aacute;-lo, a comunidade internacional &#8211; que em 2000 estabeleceu lutar contra a fome e a desigualdade &#8211; se afasta de outras perspectivas, com a do pr&ecirc;mio Nobel de Economia Amartya Sem, que prefere ver a pobreza mais como &quot;a priva&ccedil;&atilde;o de capacidades b&aacute;sicas&quot; do que &quot;como escassez de renda&quot;, acrescentou Bissio, coordenador do Controle Cidad&atilde;o. A C&uacute;pula Mundial 2005 examina esta semana em Nova York a dist&acirc;ncia entre o mundo real e os oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, adotados h&aacute; cinco anos. Entretanto, o primeiro destes objetivos, de reduzir &agrave; metade a propor&ccedil;&atilde;o de pessoas com renda inferior a um d&oacute;lar por dia, seria conseguido em 2015 somente na Europa, Oriente M&eacute;dio, &Aacute;sia Central e, talvez, &Aacute;frica do Norte.<\/p>\n<p> Na Am&eacute;rica Latina, a lentid&atilde;o do processo tornaria inating&iacute;vel a meta em 2015. E na &Aacute;frica subsaariana &quot;o panorama &eacute; desolador&quot;, pois entre 1995 e 2004 a quantidade de pobres aumentou em 140 milh&otilde;es de pessoas, afirma o Controle Cidad&atilde;o. O documente reconhece que os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (que incluem compromissos em sa&uacute;de, &aacute;gua e saneamento, educa&ccedil;&atilde;o, igualdade de g&ecirc;nero e meio ambiente) constituem um enfoque mais completo dos problemas da pobreza. Mas os 48 indicadores escolhidos pela ONU n&atilde;o facilitam compara&ccedil;&otilde;es nem vis&otilde;es gerais e, em muitos casos, n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel de todos os pa&iacute;ses nem s&eacute;ries hist&oacute;ricas. Em mat&eacute;ria de pobreza, o Controle Cidad&atilde;o prop&otilde;e ir mais al&eacute;m da dimens&atilde;o &uacute;nica da renda e avaliar com outros instrumentos distintas capacidades da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Assim, o &Iacute;ndice de Capacidades B&aacute;sicas (ICB) do Controle Cidad&atilde;o se baseia em tr&ecirc;s indicadores: quantidade de partos atendidos por profissionais da sa&uacute;de, mortalidade de menores de 5 anos e n&uacute;mero de crian&ccedil;as que permanecem no sistema escolar at&eacute; a quinta s&eacute;rie. Transformando em n&uacute;mero estes tr&ecirc;s indicadores de f&aacute;cil acesso em todos os pa&iacute;ses, &eacute; poss&iacute;vel &quot;comparar situa&ccedil;&otilde;es e tirar conclus&otilde;es globais&quot;, diz o relat&oacute;rio. Uma dessas conclus&otilde;es &eacute; que &quot;a pobreza extrema n&atilde;o est&aacute; diminuindo, mas aumentando na &Aacute;frica, Am&eacute;rica Latina, Oriente M&eacute;dio, Europa Oriental e grande parte da &Aacute;sia&quot;, continente onde os avan&ccedil;os est&atilde;o concentrados em tr&ecirc;s pa&iacute;ses: China, &Iacute;ndia e Vietn&atilde;.<\/p>\n<p> Os 10 pa&iacute;ses em pior posi&ccedil;&atilde;o segundo o ICB s&atilde;o, em ordem ascendente, Chade, Eti&oacute;pia, Ruanda, Guin&eacute;-Bissau, N&iacute;ger, Madagascar, Bangladesh, Burundi, Laos e Paquist&atilde;o. E os melhores situados s&atilde;o Su&iacute;&ccedil;a, Su&eacute;cia, Portugal, Holanda, Nova Zel&acirc;ndia, Noruega, Luxemburgo, Jap&atilde;o, Isl&acirc;ndia e Gr&eacute;cia, em ordem descendente. &quot;Estamos experimentando novos &iacute;ndices e pretendemos construir s&eacute;ries comparativas temporais&quot;, disse &agrave; IPS a soci&oacute;loga uruguaia Karina Batthy&aacute;ny, que coordenou a equipe de pesquisadores do Controle Cidad&atilde;o em Montevid&eacute;u, sede do secretariado internacional da rede Social Watch.<\/p>\n<p> Em diversas provas realizadas, &quot;o ICB se correlaciona de maneira muito positiva com todos os indicadores de desenvolvimento com os quais trabalhamos&quot; para medir aspectos como seguran&ccedil;a alimentar, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o, entre outros. Ao n&atilde;o considerar a vari&aacute;vel de renda, o ICB n&atilde;o necessita das pesquisas feitas com as fam&iacute;lias pelos governos e habilita a efetuar medi&ccedil;&otilde;es em diferentes n&iacute;veis, nacional, regional ou municipal. <\/p>\n<p> Outro assunto de interesse do Controle Cidad&atilde;o &eacute; a desigualdade entre mulheres e homens, que continua sendo verificado em todos os pa&iacute;ses, segundo a Social Watch. Sem nivelar o campo de jogo ser&aacute; imposs&iacute;vel uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento, afirmam os ativistas. O &Iacute;ndice de Equidade de G&ecirc;nero (IEG) considera tr&ecirc;s dimens&otilde;es, o grau de poder, a atividade econ&ocirc;mica e a educa&ccedil;&atilde;o, para obter um n&uacute;mero n&atilde;o ligado ao grau de desenvolvimento s&oacute;cio-econ&ocirc;mico de cada popula&ccedil;&atilde;o. O grau de poder inclui a participa&ccedil;&atilde;o feminina nos parlamentos e gabinetes ministeriais e a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres profissionais e t&eacute;cnicas. Para a atividade econ&ocirc;mica foi levada em conta a propor&ccedil;&atilde;o de mulheres na popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa e a brecha salarial entre trabalhadoras e trabalhadores. E, quanto &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, considerou-se a matr&iacute;cula de mulheres combinada nos tr&ecirc;s n&iacute;veis de ensino.<\/p>\n<p> &quot;O IEG permite classificar os pa&iacute;ses e compar&aacute;-los entre si, embora uma de suas limita&ccedil;&otilde;es seja a falta de informa&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Batthy&aacute;ny. Contudo, o &iacute;ndice cobre 134 pa&iacute;ses em uma escala de um a 12. Os pa&iacute;ses melhor situados (com 12 pontos) s&atilde;o Austr&aacute;lia, Finl&acirc;ndia, Isl&acirc;ndia, Noruega e Su&eacute;cia; com 11 pontos aparecem Modova, Let&ocirc;nia e Litu&acirc;nia, Canad&aacute;, Col&ocirc;mbia, Estados Unidos, R&uacute;ssia, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha. As na&ccedil;&otilde;es com maior desigualdade de g&ecirc;nero, segundo o IEG, s&atilde;o I&ecirc;men com 3 pontos; Costa do Marfim Egito, Paquist&atilde;o e Togo com 4; Ar&aacute;bia Saudita, Arg&eacute;lia, Guatemala, &Iacute;ndia, L&iacute;bano, Nepal,S&iacute;ria, Sud&atilde;o e Turquia com 5. &quot;As possibilidades de homens e mulheres em todos os pa&iacute;ses do mundo s&atilde;o desiguais&quot;, afirmou Batthy&aacute;ny. &quot;Quase 70% dos pobres do mundo s&atilde;o mulheres&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montevid&eacute;u, 16\/09\/2005 &ndash; Combater a pobreza exige que ela seja medida em sua complexidade. N&atilde;o se define por um ou dois d&oacute;lares por dia, nem h&aacute; vantagens em diferenciar os muito pobres dos &quot;quase&quot; muito pobres, diz o relat&oacute;rio 2005 da rede Social Watch. Embora a pobreza seja conseq&uuml;&ecirc;ncia da &quot;distribui&ccedil;&atilde;o radicalmente desigual da renda&quot;, tamb&eacute;m obedece ao acesso desigual aos ativos, &agrave;s oportunidades de trabalho e servi&ccedil;os sociais, &agrave; participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, ao poder pol&iacute;tico e &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, diz o documento, intitulado &quot;Gritos e sussurros: G&ecirc;nero e pobreza: mais promessas do que a&ccedil;&otilde;es&quot;, divulgado na quarta-feira em Nova York. &quot;O crit&eacute;rio de renda inferior a um d&oacute;lar di&aacute;rio foi estabelecido pelo Banco Mundial, no que se conhece como linha internacional de pobreza extrema&quot;, recorda o informe Social Watch\/Controle Cidad&atilde;o, que prop&otilde;e observar o mundo segundo dois novos &iacute;ndices de desenvolvimento e igualdade de g&ecirc;nero.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/metas-do-milnio-a-pobreza-no-uma-estatstica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":57,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1010","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/57"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1010\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}