{"id":10123,"date":"2012-06-19T08:13:37","date_gmt":"2012-06-19T08:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10123"},"modified":"2012-06-19T08:13:37","modified_gmt":"2012-06-19T08:13:37","slug":"reportagem-terras-escravagistas-poderiam-ser-confiscadas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/reportagem-terras-escravagistas-poderiam-ser-confiscadas-no-brasil\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Terras escravagistas poderiam ser confiscadas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 19\/06\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O trabalho digno &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sustent&aacute;vel, tema central da c&uacute;pula Rio+20, realizada em um pa&iacute;s que ainda luta contra a escravid&atilde;o moderna.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10123\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/582_nicoesteves_escravos.4887_jpg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10123\" class=\"size-medium wp-image-10123\" title=\"Planta&ccedil;&atilde;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car no interior do Estado de S&atilde;o Paulo. - Nico Esteves\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/582_nicoesteves_escravos.4887_jpg.jpg\" alt=\"Planta&ccedil;&atilde;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car no interior do Estado de S&atilde;o Paulo. - Nico Esteves\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10123\" class=\"wp-caption-text\">Planta&ccedil;&atilde;o de cana-de-a&ccedil;&uacute;car no interior do Estado de S&atilde;o Paulo. - Nico Esteves\/IPS<\/p><\/div>  No S&eacute;culo 21, h&aacute; brasileiros ainda submetidos a regime semelhante &agrave; escravid&atilde;o. S&oacute; no ano passado, 2.501 pessoas foram libertadas desse jugo por fiscais do Minist&eacute;rio do Trabalho e do Emprego. Por isto, foi comemorada em todo o territ&oacute;rio a aprova&ccedil;&atilde;o, no dia 22 de maio, da Proposta de Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o (PEC) 438\/2001 na C&acirc;mara Federal, ap&oacute;s dez anos de espera.<\/p>\n<p>A PEC 438 prev&ecirc; o confisco de propriedades nas quais for encontrado trabalho escravo, destinando esses bens &agrave; reforma agr&aacute;ria e, nas cidades, ao uso social, pois tamb&eacute;m prev&ecirc; a expropria&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis urbanos. Ao fechamento desta edi&ccedil;&atilde;o, em meio &agrave; febre da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, a Rio+20, o projeto continua esperando para ser examinado pela Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a do Senado.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; uma vit&oacute;ria importante. Houve uma clara manifesta&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios setores da sociedade, inclusive de 120 bispos cat&oacute;licos, artistas e intelectuais, sobre um tema e um enfrentamento que em muitos aspectos &eacute; simb&oacute;lico&quot;, declarou ao Terram&eacute;rica o coordenador da Campanha Nacional Contra o Trabalho Escravo, da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra (CPT), Xavier Plassat.<\/p>\n<p>&quot;O confisco da propriedade que foi instrumento para cometer o crime e o fato de ser destinada &agrave; reforma agr&aacute;ria oferecem, ao mesmo tempo, um castigo e uma solu&ccedil;&atilde;o, rompendo o c&iacute;rculo vicioso da escravid&atilde;o&quot;, explicou Plassat. &quot;Tamb&eacute;m &eacute; simb&oacute;lica pelos valores que privilegia, em conson&acirc;ncia com a Constitui&ccedil;&atilde;o: a dignidade vale mais do que a propriedade, a qual fica condicionada ao respeito da fun&ccedil;&atilde;o social&quot;, destacou. E, finalmente, &eacute; simb&oacute;lica a resist&ecirc;ncia que a reforma &quot;gerou em setores do Congresso que representam interesses agropecu&aacute;rios, que afirmam que o trabalho escravo n&atilde;o existe, pois ningu&eacute;m trabalha acorrentado, ou que est&aacute; mal definido na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, apesar de o Brasil ser uma refer&ecirc;ncia mundial nesta mat&eacute;ria&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O artigo 149 do C&oacute;digo Penal define trabalha escravo como crime pun&iacute;vel com penas de dois a oito anos de deten&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de multas e indeniza&ccedil;&otilde;es &agrave;s pessoas violentadas. Em 2003, foi ampliado para compreender tamb&eacute;m toda a&ccedil;&atilde;o destinada a criar obst&aacute;culos &agrave; sa&iacute;da dos trabalhadores do lugar de trabalho. &Eacute; poss&iacute;vel que os casos registrados sejam menos do que os reais. Os fiscais dependem de den&uacute;ncias com localiza&ccedil;&atilde;o exata, geralmente em lugares de dif&iacute;cil acesso, para pegar os culpados em flagrante e se configurar o crime.<\/p>\n<p>Entre 1995 e 2011, cerca de 42 mil trabalhadores foram libertados, segundo o Minist&eacute;rio do Trabalho. Estavam em &aacute;reas de cria&ccedil;&atilde;o de bovinos, plantio de pinheiros, cana-de-a&ccedil;&uacute;car, erva-mate, caf&eacute;, frutas, algod&atilde;o, gr&atilde;os, cebola, batata, extra&ccedil;&atilde;o mineral, de madeira nativa e l&aacute;tex, e produ&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o vegetal. Nas cidades foram encontrados casos de oficinas de costura, no com&eacute;rcio, em hot&eacute;is e bord&eacute;is, no trabalho dom&eacute;stico e na constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Entretanto, a liberta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garante que os direitos dos afetados passem a ser respeitados. A escravid&atilde;o contempor&acirc;nea se relaciona com a pobreza extrema e, para acabar com ela n&atilde;o basta fiscalizar, demonstrou o Atlas do Trabalho Escravo no Brasil, elaborado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), divulgado no dia 16 de abril pela organiza&ccedil;&atilde;o Amigos da Terra &#8211; Amaz&ocirc;nia Brasileira. Para erradicar esse crime &eacute; necess&aacute;rio garantir o sustento dos trabalhadores para evitar que caiam novamente na escravid&atilde;o, afirma o estudo.<\/p>\n<p>No munic&iacute;pio de Vacaria, no Rio Grande do Sul, um empregador que escravizava adolescentes em uma planta&ccedil;&atilde;o de pinheiros, os obrigou a devolver parte da indeniza&ccedil;&atilde;o que pagara a eles, t&atilde;o logo partiram os fiscais que libertaram os jovens. Denunciado pela segunda vez, o empregador alegou que seu pequeno neg&oacute;cio e os escassos recursos o impediam de assumir esses pagamentos, como prometera.<\/p>\n<p>&quot;A expropria&ccedil;&atilde;o da terra sem direito a indeniza&ccedil;&atilde;o se apresenta como um instrumento importante no combate a este il&iacute;cito trabalhista e penal&quot;, ressaltou ao Terram&eacute;rica o procurador do Trabalho, Rodrigo Maffei, que atuou no caso de Vacaria. &quot;As penas pecuni&aacute;rias impostas pela justi&ccedil;a trabalhista, quando o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho exerce a&ccedil;&otilde;es civis p&uacute;blicas, n&atilde;o alcan&ccedil;am o efeito pedag&oacute;gico desej&aacute;vel, de eliminar a incid&ecirc;ncia do trabalho escravo. Da&iacute; a import&acirc;ncia da reforma&quot;, apontou.<\/p>\n<p>A PEC 438 amplia o Artigo 243 da Constitui&ccedil;&atilde;o, que contempla a expropria&ccedil;&atilde;o de terras nas quais forem cultivadas plantas para produzir drogas ilegais. A primeira vers&atilde;o foi apresentada em 1995. Em 2003, uma proposta parecida englobou a anterior e foi enviada ao Senado. No dia 28 de janeiro de 2004, o assassinato de tr&ecirc;s fiscais e um chofer do Minist&eacute;rio do Trabalho durante uma opera&ccedil;&atilde;o em Una&iacute;, noroeste de Minas Gerais, contribuiu para que a PEC fosse aprovada em primeira inst&acirc;ncia pela C&acirc;mara Federal. Por&eacute;m, os autores intelectuais desse crime continuam impunes.<\/p>\n<p>A press&atilde;o exercida por deputados e senadores da Frente Parlamentar Agropecu&aacute;ria, o bloco que representa os interesses dos propriet&aacute;rios rurais, conseguiu adiar a vota&ccedil;&atilde;o em segunda inst&acirc;ncia at&eacute; o dia 22 de maio deste ano. O bloco ruralista tenta agora uma revis&atilde;o do conceito de trabalho escravo quando for regulamentada a PEC 438. O C&oacute;digo Penal define a escravid&atilde;o moderna como uma situa&ccedil;&atilde;o caracterizada por condi&ccedil;&otilde;es de trabalho degradantes, que afetam a dignidade.<\/p>\n<p>Outras condi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o uma jornada de trabalho extenuante, que impe&ccedil;a o trabalhador de se recuperar fisicamente e de ter vida social, o cerceamento da liberdade de movimento e o trabalho for&ccedil;ado &#8211; quando as v&iacute;timas est&atilde;o isoladas geograficamente e t&ecirc;m retirados seus documentos de identidade, sob amea&ccedil;as f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas -, e a servid&atilde;o por d&iacute;vidas.<\/p>\n<p>O deputado Rubens Moreira Mendes, do PSD de Rond&ocirc;nia, prop&ocirc;s retirar a defini&ccedil;&atilde;o &quot;a jornada extenuante e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho degradantes&quot;. Segundo Plassat, a ofensiva ruralista se concentra em um vazio legal da defini&ccedil;&atilde;o para tornar sem efeito os confiscos. Assim, quando o grupo de fiscais comprovar o flagrante delito, &quot;ser&aacute; um fato gerador do processo legal de expropria&ccedil;&atilde;o, mas sujeito a contesta&ccedil;&otilde;es&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Para Plassat, &eacute; essencial eliminar as ambiguidades do debate e superar obst&aacute;culos de curto e m&eacute;dio prazos. Entre os primeiros mencionou evitar um retrocesso na legisla&ccedil;&atilde;o que define e organiza seu combate com instrumentos como a &quot;lista suja&quot;, um registro do Minist&eacute;rio do Trabalho com os nomes dos empregadores escravagistas. No m&eacute;dio prazo, o Poder Judici&aacute;rio deveria assegurar condena&ccedil;&otilde;es imediatas, condi&ccedil;&atilde;o para proceder ao confisco de propriedades, concluiu.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 19\/06\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O trabalho digno &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento sustent&aacute;vel, tema central da c&uacute;pula Rio+20, realizada em um pa&iacute;s que ainda luta contra a escravid&atilde;o moderna. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/reportagem-terras-escravagistas-poderiam-ser-confiscadas-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-10123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10123"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10123\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}