{"id":1013,"date":"2005-09-19T00:00:00","date_gmt":"2005-09-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1013"},"modified":"2005-09-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-19T00:00:00","slug":"alemanha-anos-para-medir-custo-ambiental-do-katrina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/alemanha-anos-para-medir-custo-ambiental-do-katrina\/","title":{"rendered":"Alemanha: Anos para medir custo ambiental do Katrina"},"content":{"rendered":"<p>TORONTO, 19\/09\/2005 &ndash; Desapareceram 52 quil&ocirc;metros quadrados de p&acirc;ntanos, pesqueiros inteiros e uma grande quantidade de ilhas pr&oacute;ximas da costa do Golfo do M&eacute;xico. Os efeitos da tormenta ser&atilde;o sentidos por 15 anos, afirmam cientistas.<br \/> <!--more--> Os danos causados nos Estados Unidos pelo furac&atilde;o Katrina podem chegar a mais de US$ 200 bilh&otilde;es, mas os especialistas afirmam que levar&aacute; anos para se calcular o custo ambiental. O poderoso furac&atilde;o, acompanhado de ondas de at&eacute; seis metros de altura, inundou, no dia 29 de agosto, 230 mil quil&ocirc;metros quadrados nos estados de Louisiana, Mississippi e Alabama. Al&eacute;m disso, alterou linhas costeiras, exterminou as riquezas pesqueiras, destruiu 1,75 milh&otilde;es de hectares de florestas e deixou uma mistura t&oacute;xica de esgoto, lixo e vazamentos de petr&oacute;leo na cidade de New Orleans e em muitos outros lugares.<\/p>\n<p> &quot;&Eacute; imposs&iacute;vel colocar pessoal no terreno para medir o alcance dos estragos&quot;, disse Clint Jeske, bi&oacute;logo do Centro Nacional de Pesquisa sobre P&acirc;ntanos, com sede em Lafayette, na Louisiana. At&eacute; h&aacute; pouco tempo, todos os barcos e avi&otilde;es dispon&iacute;veis estavam destinados ao trabalho de resgate, e agora por quest&otilde;es de seguran&ccedil;a o acesso &agrave;s zonas afetadas est&aacute; restrito, disse Jeske ao Terram&eacute;rica. Entretanto, imagens via sat&eacute;lite mostram que desapareceram, pelo menos, 52 quil&ocirc;metros quadrados de p&acirc;ntanos e uma grande quantidade de ilhas pr&oacute;ximas da costa do Golfo do M&eacute;xico. Algumas dessas ilhas s&atilde;o ref&uacute;gios de esp&eacute;cies silvestres e aves migrat&oacute;rias que passam o outono e o inverno boreais no M&eacute;xico e nas Am&eacute;rica Central e do Sul.<\/p>\n<p> &quot;As aves marinhas estavam a caminho do sul, provavelmente foram muito afetadas pela tormenta&quot;, disse Jeske. Na inundada New Orleans, dificilmente restar&aacute; alguma ave com vida. A &uacute;nica que Jeske avistou quando participava dos trabalhos de resgate estava &quot;muito castigada. Foi algo raro ver uma pomba caindo do c&eacute;u na &aacute;gua&quot;, disse. As que possam ter sobrevivido est&atilde;o famintas ou doentes por beber &aacute;gua contaminada, acrescentou. Milh&otilde;es de litros das &aacute;guas t&oacute;xicas que inundam a cidade est&atilde;o sendo bombeadas para o Lago Pontchartrain, com total conhecimento do preju&iacute;zo que ser&aacute; provocado na vida marinha. O Departamento do Meio Ambiente de Louisiana prev&ecirc; que morrer&atilde;o grandes quantidades de peixes, mas ap&oacute;ia completamente a medida.<\/p>\n<p> O Lago Pontchartrain &eacute; na realidade um grande estu&aacute;rio que se abre para o Golfo do M&eacute;xico, o que leva a temores de que as subst&acirc;ncias contaminantes afetem as esp&eacute;cies marinhas. New Orleans n&atilde;o &eacute; apenas um grande porto e fornecedor de 30% dos alimentos de origem marinha nos Estados Unidos, como tamb&eacute;m um dos maiores centros petrol&iacute;feros e petroqu&iacute;micos do mundo. Com cerca de 140 refinarias e f&aacute;bricas qu&iacute;micas, a regi&atilde;o produz quase 30% do petr&oacute;leo norte-americano, 20% do g&aacute;s natural e uma grande parte dos produtos qu&iacute;micos, inclusive fertilizantes.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o se poderia escolher um lugar pior para o furac&atilde;o atacar&quot;, disse o diretor do Instituto de Ecologia da Universidade da Ge&oacute;rgia, Alan Covich. O Katrina foi uma tormenta tropical excepcional, com fort&iacute;ssimos ventos e enormes ondas, afirmou Covich, que estuda os efeitos dos furac&otilde;es no meio ambiente. &quot;Nos Estados Unidos n&atilde;o houve antes uma tempestade desta amplitude&quot;, disse ao Terram&eacute;rica. Segundo a Guarda Costeira, foram perdidas 26 grandes plataformas petrol&iacute;feras no Golfo do M&eacute;xico e outras 20 sofreram danos graves. Uma quantidade n&atilde;o estabelecida de refinarias e f&aacute;bricas qu&iacute;micas, tanques de armazenamento e navios-tanque foram afetados, bem como milhares de quil&ocirc;metros de gasodutos e oleodutos.<\/p>\n<p> At&eacute; agora, foram identificados dois grandes derramamentos de petr&oacute;leo. Um deles, de 13,5 milh&otilde;es de litros vazados dos tanques de armazenamento de uma refinaria, contaminou grande parte da cidade de Chalmette e dos p&acirc;ntanos ao redor. Dep&oacute;sitos avariados pelo furac&atilde;o na boca do Rio Mississippi deixaram escapar 12 milh&otilde;es de litros de petr&oacute;leo nas zonas pantanosas do Golfo do M&eacute;xico, segundo o Departamento de Meio Ambiente de Louisiana. Provavelmente ocorreram outros vazamentos de petr&oacute;leo, gasolina, diesel e subst&acirc;ncias qu&iacute;micas, mas enquanto n&atilde;o for retirada toda a &aacute;gua &eacute; imposs&iacute;vel saber. A maioria dos cientistas n&atilde;o pode fazer seu trabalho por conta das restri&ccedil;&otilde;es impostas pelo ex&eacute;rcito, disse Covich.<\/p>\n<p> Funcion&aacute;rios da Ag&ecirc;ncia de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental (EPA) fizeram estudos limitados, sem encontrar nas amostras de &aacute;gua de New Orleans mais contaminantes do que altas concentra&ccedil;&otilde;es de bact&eacute;rias e chumbo. Os resultados surpreenderam a maioria dos especialistas, mas a EPA advertiu que os dados eram preliminares. A ag&ecirc;ncia &eacute; alvo de cr&iacute;ticas por ter demorado duas semanas para divulgar esses resultados e por n&atilde;o ter tornado p&uacute;blicos os muitos relat&oacute;rios de danos e vazamentos que recebeu das empresas qu&iacute;micas e de petr&oacute;leo. &quot;Me surpreende que a EPA n&atilde;o esteja fazendo mais. A recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica est&aacute; ligada &agrave; recupera&ccedil;&atilde;o ambiental da regi&atilde;o&quot;, disse Covich.<\/p>\n<p> O especialista mostrou-se preocupado porque o governo federal n&atilde;o assumiu a lideran&ccedil;a de uma r&aacute;pida avalia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica dos danos ambientais. &quot;H&aacute; uma ampla variedade de impactos ambientais causados pelo furac&atilde;o&quot;, disse o diretor do GeoResources Institute da Universidade Estatal do Mississippi, David Shaw. Embora esse Estado n&atilde;o tenha tanta superf&iacute;cie inundada como a vizinha Louisiana, suportou o pior do Katrina e das ondas, que deixaram montes de lixo de 4,5 metros de altura ao longo de seu litoral. &quot;A elimina&ccedil;&atilde;o dos escombros &eacute; um problema importante&quot;, disse Shaw ao Terram&eacute;rica. A queima foi proibida por trazer perigo de inc&ecirc;ndios, diante da seca existente e dos milh&otilde;es de &aacute;rvores ca&iacute;das.<\/p>\n<p> As praias n&atilde;o existem. Uma fina camada de lama cobre toda a superf&iacute;cie por v&aacute;rios quil&ocirc;metros terra adentro, e grande parte das camadas subterr&acirc;neas est&atilde;o contaminadas tanto pela &aacute;gua salgada quanto por bact&eacute;rias, acrescentou o especialista. Tem-se not&iacute;cia de peixes mortos em lagos e rios, e zonas pesqueiras inteiras do Golfo do M&eacute;xico podem ter sido exterminadas. Embarca&ccedil;&otilde;es e portos foram destru&iacute;dos, bem como os criadouros de ostras e camar&otilde;es. &quot;Sentiremos os efeitos do furac&atilde;o por 15 anos&quot;, afirmou Shaw.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TORONTO, 19\/09\/2005 &ndash; Desapareceram 52 quil&ocirc;metros quadrados de p&acirc;ntanos, pesqueiros inteiros e uma grande quantidade de ilhas pr&oacute;ximas da costa do Golfo do M&eacute;xico. 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