{"id":10131,"date":"2012-06-19T09:24:35","date_gmt":"2012-06-19T09:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10131"},"modified":"2012-06-19T09:24:35","modified_gmt":"2012-06-19T09:24:35","slug":"rio20-cooperao-dos-brics-entre-o-cu-e-o-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/rio20-cooperao-dos-brics-entre-o-cu-e-o-inferno\/","title":{"rendered":"RIO+20: Coopera&ccedil;&atilde;o dos Brics entre o c&eacute;u e o inferno"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19\/06\/2012 &ndash; Os pa&iacute;ses do Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) t&ecirc;m diante de si uma escolha crucial: optar por uma coopera&ccedil;&atilde;o &quot;do bem&quot;, em busca do desenvolvimento sustent&aacute;vel, ou por uma alian&ccedil;a &quot;do mal&quot;, que siga os passos da ajuda tradicional, que criticavam quando eram seus benefici&aacute;rios.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10131\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c37.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10131\" class=\"size-medium wp-image-10131\" title=\"Debate sobre Brics e coopera&ccedil;&atilde;o na C&uacute;pula dos Povos. - Fabiana Frayssinet\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c37.jpg\" alt=\"Debate sobre Brics e coopera&ccedil;&atilde;o na C&uacute;pula dos Povos. - Fabiana Frayssinet\/IPS\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10131\" class=\"wp-caption-text\">Debate sobre Brics e coopera&ccedil;&atilde;o na C&uacute;pula dos Povos. - Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>  Essa foi a conclus&atilde;o de um debate sobre os desafios de sustentabilidade dos Brics, na C&uacute;pula dos Povos da Rio+20.<\/p>\n<p>Pa&iacute;ses como o Brasil, embora tenham deixado de receber ajuda internacional, pelo tamanho de suas economias tamb&eacute;m se converteram em doadores mundiais, afirmou Adriano Campolina, da filial da ActionAid no Brasil.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o governo brasileiro promove a pequena produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola familiar para combater a pobreza e a desigualdade, e ainda melhorar a seguran&ccedil;a alimentar, o pa&iacute;s multiplica a &quot;agricultura patronal&quot;, baseada nas monoculturas e na concentra&ccedil;&atilde;o da terra, que provoca desemprego e afeta o meio ambiente, afirmou o ativista ao TerraViva.<\/p>\n<p>&quot;Essas contradi&ccedil;&otilde;es acabam reproduzidas em sua estrat&eacute;gia de coopera&ccedil;&atilde;o&quot;, alertou Campolina. Por um lado, o governo promove uma coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica &quot;do bem&quot; com pa&iacute;ses africanos, em agricultura familiar e autossufici&ecirc;ncia alimentar, por exemplo.<\/p>\n<p>Por outro, pratica &quot;uma coopera&ccedil;&atilde;o do mal&quot;, como a que promove o desenvolvimento de sua pr&oacute;pria tecnologia para produzir etanol de cana-de-a&ccedil;&uacute;car e adquire terras em grande escala em outros pa&iacute;ses para implantar monoculturas de soja ou cana, repetindo o modelo do agroneg&oacute;cio nacional.<\/p>\n<p>Olga Ponizova, do Centro para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da R&uacute;ssia (Eco-Accord), descreveu uma estrat&eacute;gia similar em seu pa&iacute;s, como o apoio de Moscou &agrave; &quot;exporta&ccedil;&atilde;o&quot; de reatores nucleares por meio de subs&iacute;dios.<\/p>\n<p>Para Vera Masag&atilde;o, da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais, &quot;o desafio &eacute; que, n&atilde;o por sermos mais ricos, repitamos, como doadores, a estrat&eacute;gia imperialista de coopera&ccedil;&atilde;o do passado&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel aplicar uma &quot;coopera&ccedil;&atilde;o do bem&quot; ou &quot;solid&aacute;ria&quot; exportando experi&ecirc;ncias de &ecirc;xito que s&atilde;o fruto de anos de conquista sociais, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo S&eacute;rgio Schlesinger, da Federa&ccedil;&atilde;o de &Oacute;rg&atilde;os para Assist&ecirc;ncia Social e Educacional, o problema mais grave &eacute; outro tipo de coopera&ccedil;&atilde;o que, embora n&atilde;o seja oficialmente contabilizada, &eacute; mais volumosa em recursos investidos.<\/p>\n<p>Trata-se do setor privado brasileiro na coopera&ccedil;&atilde;o internacional por meio de subs&iacute;dios concedidos por institui&ccedil;&otilde;es estatais como o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Este tipo de assist&ecirc;ncia subsidiada para projetos em pa&iacute;ses com os quais se coopera acaba beneficiando multinacionais brasileiras de petr&oacute;leo, minera&ccedil;&atilde;o, infraestrutura e agroalimenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O especialista detalhou a estrat&eacute;gia brasileira de &quot;multiplicar o n&uacute;mero de pa&iacute;ses fornecedores de etanol&quot; na &Aacute;frica, &Aacute;sia e no resto da Am&eacute;rica Latina, sem monopolizar o mercado mundial. &quot;O Brasil percebeu que seu desejo de ser um grande provedor mundial de biocombust&iacute;veis n&atilde;o poderia se concretizar tendo ele como &uacute;nico produtor, por isso come&ccedil;ou a estimular outros pa&iacute;ses &#8211; a maioria na &Aacute;frica &#8211; a investir nisso&quot;, explicou ao Terraviva. Esse tipo de coopera&ccedil;&atilde;o tem interesses pouco claros, acrescentou.<\/p>\n<p>O temor de Masag&atilde;o &eacute; que se repita &quot;o que faziam pa&iacute;ses do Norte, criticados por pr&aacute;ticas proibidas como condicionar a ajuda &agrave; compra de produtos ou tecnologias pr&oacute;prias&quot;. O economista Adhemar Mineiro, estudioso das economias do Brics, apontou as consequ&ecirc;ncias socioambientais desse esquema. &quot;Com a internacionaliza&ccedil;&atilde;o de suas empresas, o Brasil se converte no grande fornecedor de minerais, energia e agroalimentos&quot;, apontou.<\/p>\n<p>Esse modelo de explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais no Brasil parece &quot;insustent&aacute;vel&quot;, mas &eacute; aplicado no exterior, alertou.<\/p>\n<p>A sul-africana Marcia Andrews, da organiza&ccedil;&atilde;o Peoples Dialogue, prop&ocirc;s que haja maior controle para estudar e evitar mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o como os descritos por parte do Brasil e da China. &quot;Nenhum dos Brics tem um hist&oacute;rico de desenvolvimento sustent&aacute;vel limpo&quot;, observou.<\/p>\n<p>Nesse aspecto, prosseguiu, &eacute; preocupante a inclus&atilde;o da &Aacute;frica do Sul no Brics, que atribuiu &agrave; press&atilde;o exercida pela China, que v&ecirc; este pa&iacute;s como uma &quot;porta de entrada&quot; do continente africano para seus investimentos e seu com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>Entretanto, deixar claras estas contradi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples em pa&iacute;ses como &Aacute;frica do Sul ou Brasil, governados por partidos de tradi&ccedil;&atilde;o esquerdista e de centro-esquerda que protagonizaram longas lutas pela liberdade e democracia. &quot;Como construir uma oposi&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica contra governos que se dizem progressistas?&quot;, questionou Andrews, com uma inquieta&ccedil;&atilde;o que j&aacute; &eacute; de muitos na C&uacute;pula dos Povos. (IPS\/TerraViva)<\/p>\n<p>* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 19\/06\/2012 &ndash; Os pa&iacute;ses do Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) t&ecirc;m diante de si uma escolha crucial: optar por uma coopera&ccedil;&atilde;o &quot;do bem&quot;, em busca do desenvolvimento sustent&aacute;vel, ou por uma alian&ccedil;a &quot;do mal&quot;, que siga os passos da ajuda tradicional, que criticavam quando eram seus benefici&aacute;rios. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/rio20-cooperao-dos-brics-entre-o-cu-e-o-inferno\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[27],"class_list":["post-10131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}