{"id":1014,"date":"2005-09-19T00:00:00","date_gmt":"2005-09-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1014"},"modified":"2005-09-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-19T00:00:00","slug":"sria-o-medo-de-ser-outro-iraque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/sria-o-medo-de-ser-outro-iraque\/","title":{"rendered":"S&iacute;ria: O medo de ser outro Iraque"},"content":{"rendered":"<p>Damasco, 19\/09\/2005 &ndash; Cresce entre a popula&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ria o temor de ver o pa&iacute;s transformado em alvo de san&ccedil;&otilde;es internacionais, no momento em que aumentam as acusa&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos pela ajuda fronteiri&ccedil;a &agrave; insurg&ecirc;ncia iraquiana e avan&ccedil;a uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre suposto v&iacute;nculo de Damasco com o assassinato do ex-primeiro-ministro liban&ecirc;s Rafik Hariri. O presidente norte-americano, George W. Bush, deixou mais claro do que nunca, na semana passada, em diferentes oportunidades, que v&ecirc; a S&iacute;ria como uma importante fonte de instabilidade do Iraque. Ao mesmo tempo, n&atilde;o escondeu sua convic&ccedil;&atilde;o de que Damasco esteve envolvida no crime contra Hariri, em fevereiro.<br \/> <!--more--> <br \/> O atentado que p&ocirc;s fim &agrave; vida do ex-primeiro-ministro desatou uma onda de indigna&ccedil;&atilde;o popular contra a S&iacute;ria e o governo liban&ecirc;s pr&oacute;-s&iacute;rio, que posteriormente cedeu &agrave;s press&otilde;es e caiu. As manifesta&ccedil;&otilde;es puseram fim a 29 anos de forte presen&ccedil;a militar s&iacute;ria no L&iacute;bano. Uma equipe de investigadores da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas que conduz o processo pelo crime prev&ecirc; interrogar as autoridades s&iacute;rias nesta semana. Detlev Mehlis, que preside esta equipe, manteve uma primeira rodada de conversa&ccedil;&otilde;es em Damasco para ajustar os detalhes dos interrogat&oacute;rios. Mehlis admitiu que houve alguns &quot;problemas&quot; com a coopera&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ria na investiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Os habitantes da S&iacute;ria est&atilde;o especialmente apreensivos com os efeitos que possa ter uma investiga&ccedil;&atilde;o da ONU. Muitos falam de um &quot;cen&aacute;rio &agrave; moda do Iraque&quot; e que o pa&iacute;s pode ser castigado com san&ccedil;&otilde;es internacionais. Temem n&atilde;o poder ter acesso a bens estrangeiros e ver limitado seu direito de viajar a outros pa&iacute;ses. &quot;Todos sabem que (as eventuais san&ccedil;&otilde;es) estar&atilde;o voltadas para os peixes gordos, mas ser&atilde;o as pessoas comuns as afetadas&quot;, disse &aacute; IPS Marwan Kabalan, do Centro de Estudos Estrat&eacute;gicos da Universidade de Damasco. Por sua vez, o analista norte-americano Joshua Landis, radicado em Damasco, afirmou que as reformas democr&aacute;ticas em andamento na S&iacute;ria podem ser prejudicadas por esta investiga&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que as autoridades estar&atilde;o ocupadas em se defender diante dos funcion&aacute;rios das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p> Washington agravou estes temores na &uacute;ltima semana. Seu embaixador no Iraque, Zalmay Khalilzad, acusou os s&iacute;rios de colaborarem com a insurg&ecirc;ncia iraquiana. Mas o verdadeiro perigo pode vir da investiga&ccedil;&atilde;o de Mehlis, que segue a pista dos principais dirigentes libaneses pr&oacute;-s&iacute;rios. Os quatro principais chefes dos servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a do L&iacute;bano durante a ocupa&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria foram acusados no m&ecirc;s passado de cumplicidade no assassinato de Hariri. Muitos em Damasco acreditam que estes militares n&atilde;o poderiam ter agido sem colabora&ccedil;&atilde;o por parte da S&iacute;ria.<\/p>\n<p> O jornal AlThawara, controlado pelo Estado, repetiu a afirma&ccedil;&atilde;o do governo de que os inimigos da S&iacute;ria se aproveitariam da investiga&ccedil;&atilde;o da ONU para prejudicar o pa&iacute;s. O di&aacute;rio disse temer &quot;que a miss&atilde;o Mehlis se politize para conseguir objetivos que ameacem a seguran&ccedil;a da regi&atilde;o e seu futuro&quot; e se referiu, em especial, &agrave; influ&ecirc;ncia de Israel. Por sua vez, o jornal liban&ecirc;s AsSafir informou que &quot;os Estados Unidos e a Fran&ccedil;a acertaram em aumentar a press&atilde;o contra a S&iacute;ria&quot;. Os temores da popula&ccedil;&atilde;o aumentaram quando o presidente, Bashar Assad, cancelou seu plano de participar da C&uacute;pula Mundial 2005 na sede da ONU. O mandat&aacute;rio explicou que preferia permanecer em Damasco para acompanhar de perto as investiga&ccedil;&otilde;es sobre o assassinato de Hariri, mas tomou a decis&atilde;o em meio a rumores de que seria menosprezado por v&aacute;rios l&iacute;deres mundiais em Nova York.<\/p>\n<p> Landis disse que v&aacute;rios funcion&aacute;rios do governo se espantaram diante da decis&atilde;o de Assad. Temem que a investiga&ccedil;&atilde;o possa &quot;prender&quot; os l&iacute;deres s&iacute;rios como ocorreu ao deposto presidente iraquiano Saddam Hussein. O presidente liban&ecirc;s, Emile Lahoud, pr&oacute;-s&iacute;rio, participou da c&uacute;pula da ONU apesar de ter sido duramente criticado. O chefe da sua seguran&ccedil;a pessoal, Mustaf&aacute; Hamdan, &eacute; uma das quatro pessoas acusadas de v&iacute;nculos com o homic&iacute;dio. &quot;A S&iacute;ria vai cooperar em tudo com o comit&ecirc; de investiga&ccedil;&atilde;o internacional e oferecer&aacute; todas as facilidades poss&iacute;veis. A S&iacute;ria est&aacute; muito interessada em mostrar a verdade sobre o assassinato de Hariri&quot;, afirmou a ag&ecirc;ncia nacional de not&iacute;cias Sana.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, um diplomata ocidental disse que o governo s&iacute;rio talvez ainda n&atilde;o se tenha dado conta da import&acirc;ncia de cooperar em tudo com a investiga&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Por sua vez, um analista pol&iacute;tico pr&oacute;-s&iacute;rio disse que &quot;uma nova guarda&quot; est&aacute; governando o pa&iacute;s e seus integrantes &quot;n&atilde;o entendem nada&quot; de pol&iacute;tica externa. Al&eacute;m disso, alertou que &quot;arruinar&atilde;o a coopera&ccedil;&atilde;o com a equipe da ONU&quot;. Este diplomata destacou que o governo da S&iacute;ria poderia &quot;escapar das garras de Mehlis&quot; fazendo mais para evitar que se ajude os rebeldes iraquianos atrav&eacute;s da fronteira e expulsando as fac&ccedil;&otilde;es militantes palestinas de Damasco. Por&eacute;m fez &quot;muito pouco, e muito tarde&quot; e agora &quot;colhe o que semeou&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Damasco, 19\/09\/2005 &ndash; Cresce entre a popula&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ria o temor de ver o pa&iacute;s transformado em alvo de san&ccedil;&otilde;es internacionais, no momento em que aumentam as acusa&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos pela ajuda fronteiri&ccedil;a &agrave; insurg&ecirc;ncia iraquiana e avan&ccedil;a uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre suposto v&iacute;nculo de Damasco com o assassinato do ex-primeiro-ministro liban&ecirc;s Rafik Hariri. O presidente norte-americano, George W. Bush, deixou mais claro do que nunca, na semana passada, em diferentes oportunidades, que v&ecirc; a S&iacute;ria como uma importante fonte de instabilidade do Iraque. Ao mesmo tempo, n&atilde;o escondeu sua convic&ccedil;&atilde;o de que Damasco esteve envolvida no crime contra Hariri, em fevereiro.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/sria-o-medo-de-ser-outro-iraque\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1831,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1831"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}