{"id":10143,"date":"2012-06-20T09:37:35","date_gmt":"2012-06-20T09:37:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10143"},"modified":"2012-06-20T09:37:35","modified_gmt":"2012-06-20T09:37:35","slug":"rio20-filha-do-cacique-juruna-busca-as-razes-do-movimento-indgena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/rio20-filha-do-cacique-juruna-busca-as-razes-do-movimento-indgena\/","title":{"rendered":"RIO+20: Filha do Cacique Juruna busca as ra&iacute;zes do movimento ind&iacute;gena"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/06\/2012 &ndash; Nos anos 70, o cacique M&aacute;rio Juruna, do grupo Xavante, de Mato Grosso, tornou-se conhecido por sua luta pela demarca&ccedil;&atilde;o das terras ind&iacute;genas. <!--more--> Sua marca era um gravador, que ele carregava sempre consigo para comprovar as promessas dos pol&iacute;ticos em suas peregrina&ccedil;&otilde;es por Bras&iacute;lia. Juruna foi eleito o primeiro deputado federal ind&iacute;gena (1983 a 1987) e ajudou a criar a Comiss&atilde;o Permanente do &Iacute;ndio no Congresso Nacional. No acampamento ind&iacute;gena Terra Livre, que funciona dentro da &aacute;rea da C&uacute;pula dos Povos, na praia do Flamengo, a xavante Samantha Rootsitsin&aacute; Juruna, 26 anos, filha do antigo cacique, busca as ra&iacute;zes ancestrais que justificam o movimento ind&iacute;gena atual. Samantha n&atilde;o precisa mais do gravador para cobrar solu&ccedil;&otilde;es do Governo, j&aacute; que h&aacute; mais conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre a quest&atilde;o ind&iacute;gena do que no tempo do seu pai. Agora ela utiliza a Internet. Chamada17 Filha do Cacique Juruna busca as ra&iacute;zes do movimento ind&iacute;gena<\/p>\n<p>Ind&iacute;genas reunidos no Rio de Janeiro j&aacute; representam uma nova gera&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as. Foto: Caroline Bennett.<\/p>\n<p>Samantha est&aacute; completando o curso de Mestrado sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel na Universidade de Bras&iacute;lia. Em seu trabalho de conclus&atilde;o, vai analisar o movimento ind&iacute;gena na contemporaneidade, tra&ccedil;ando um hist&oacute;rico a partir da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988. O acampamento Terra Livre ser&aacute; seu ponto de partida. &quot;Essa grande manifesta&ccedil;&atilde;o do povo ind&iacute;gena &eacute; como se fosse uma assembleia, onde se re&uacute;nem os povos de todas as regi&otilde;es, com diversidade de l&iacute;nguas e problemas, mas tamb&eacute;m de poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es&quot;, explicou. Pretende entrevistar lideran&ccedil;as como Raoni e Dami&atilde;o Paradzan&eacute;, entre outras figuras chaves para entender o processo de conquistas at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>Ind&iacute;genas reunidos no Rio de Janeiro j&aacute; representam uma nova gera&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as. Cr&eacute;dito: Caroline Bennett. Samantha quer saber se a concep&ccedil;&atilde;o sobre o que &eacute; um movimento ind&iacute;gena &eacute; algo comum entre os mais antigos, aqueles que sa&iacute;ram dos limites de suas aldeias para lutar em nome do povo. O significado de sustentabilidade para estas pessoas &eacute; igual ao dos mais jovens e dos n&atilde;o-ind&iacute;genas? Est&aacute; especialmente interessada em definir e encontrar liga&ccedil;&otilde;es da sabedoria ancestral, espiritual e cultural com o movimento ind&iacute;gena contempor&acirc;neo, que &eacute; politizado. &quot;N&atilde;o d&aacute; para desvincular&quot;, acredita. &quot;O movimento ind&iacute;gena reivindica direitos de terra, sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o. Como falar de sa&uacute;de sem falar em sabedoria ancestral?&quot;, questiona.<\/p>\n<p>O acampamento Terra Livre &#8211; o nono realizado at&eacute; hoje &#8211; &eacute; uma prova da for&ccedil;a da mobiliza&ccedil;&atilde;o, segundo Samantha. &quot;Em Bras&iacute;lia teve um acampamento com 1,2 mil ind&iacute;genas. Isso &eacute; um sinal de que a gente tem interesses comuns&quot;, acredita. O movimento virtual de que Samantha participa se comunica por meio da Rede de Juventude Ind&iacute;gena (Rejuind) e mant&eacute;m um grupo de discuss&atilde;o pela Internet. &quot;A gente usa a tecnologia para estar sempre em comunica&ccedil;&atilde;o. Mas n&atilde;o somos nada sem esse conhecimento ancestral&quot;, analisou.<\/p>\n<p>H&aacute; um grupo fechado do Google formado por cerca de 200 ind&iacute;genas e alguns integrantes do governo que atuam diretamente com os jovens ind&iacute;genas e, no Facebook, s&atilde;o mais de 800 internautas conectados. &quot;A maioria est&aacute; estudando. Se n&atilde;o est&aacute; na universidade, est&aacute; na aldeia que tem acesso a Internet, e quer saber o que est&aacute; acontecendo fora dali, porque &agrave;s vezes ele s&oacute; participa da discuss&atilde;o do seu Estado&quot;, explicou Samantha. &quot;Acredito que isso tamb&eacute;m faz parte do movimento ind&iacute;gena na contemporaneidade: utilizar as ferramentas tecnol&oacute;gicas para manter o di&aacute;logo&quot;. Os jovens ind&iacute;genas j&aacute; tiveram um semin&aacute;rio pr&oacute;prio, organizado pela Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (Funai). Um segundo encontro est&aacute; para acontecer, provavelmente em novembro.<\/p>\n<p>Embora n&atilde;o tenha convivido com o cacique Juruna durante o per&iacute;odo em que foi deputado, porque ainda n&atilde;o era nascida, Samantha disse que aprendeu muito com o pai nos di&aacute;logos travados em casa. &quot;O ensinamento foi constante, n&atilde;o da pol&iacute;tica partid&aacute;ria em si, mas da pol&iacute;tica do di&aacute;logo, do respeito, do escutar. Voc&ecirc; tem que saber o que seu parente quer &#8211; se voc&ecirc; pode ajudar, fa&ccedil;a. Voc&ecirc; tem que respeitar o mais velho, porque ele &eacute; que sabe do conhecimento. Com o tempo, a gente vai vendo que realmente &eacute; aquilo. Ent&atilde;o essa &eacute; a import&acirc;ncia da transmiss&atilde;o da cultura, independente de estar na cidade ou na aldeia. Se a gente n&atilde;o respeita o conhecimento tradicional, n&atilde;o tem como ser xavante, ou caiap&oacute;&#8230; Essa &eacute; a ess&ecirc;ncia&quot;, garantiu. (IPS\/TerraViva)<\/p>\n<p>* Publicado originalmente no site TerraViva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/06\/2012 &ndash; Nos anos 70, o cacique M&aacute;rio Juruna, do grupo Xavante, de Mato Grosso, tornou-se conhecido por sua luta pela demarca&ccedil;&atilde;o das terras ind&iacute;genas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/america-latina\/rio20-filha-do-cacique-juruna-busca-as-razes-do-movimento-indgena\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,4,11],"tags":[],"class_list":["post-10143","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}