{"id":1015,"date":"2005-09-19T00:00:00","date_gmt":"2005-09-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1015"},"modified":"2005-09-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-19T00:00:00","slug":"mulheres-parlamentares-propem-tipificar-o-assassinato-de-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/mulheres-parlamentares-propem-tipificar-o-assassinato-de-mulheres\/","title":{"rendered":"Mulheres: Parlamentares prop&otilde;em tipificar o assassinato de mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Madri, 19\/09\/2005 &ndash; Parlamentares, homens e mulheres, de tr&ecirc;s pa&iacute;ses onde se comete grande propor&ccedil;&atilde;o de assassinatos de mulheres, Guatemala, M&eacute;xico e Espanha, querem tipificar o &quot;feminic&iacute;dio&quot;, forma extrema de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, como crime de lesa humanidade. &quot;Apresentar uma proposta &uacute;nica &agrave; Corte Internacional de Justi&ccedil;a de Haia (Holanda) para tipificar o crime de feminic&iacute;dio&quot; &eacute; uma das metas do Terceiro Di&aacute;logo Internacional Interparlamentar sobre Viol&ecirc;ncia Contra a Mulher, realizado na sexta-feira, em Madri, disse &agrave; IPS a deputada mexicana Marcela Lagarde, presidente da comiss&atilde;o que acompanha os crimes contra as mulheres no parlamento de seu pa&iacute;s.<br \/> <!--more--> <br \/> A respeito deste assunto, a presidente da Comiss&atilde;o Mista dos Direitos da Mulher e da Igualdade de Oportunidades, a socialista espanhola Carmen Alborch, disse &aacute; IPS que &eacute; importante ampliar as redes e alian&ccedil;as internacionais de defesa dos direitos das mulheres, &quot;respeitando a soberania nacional dos pa&iacute;ses, sem deixar de, em condi&ccedil;&otilde;es excepcionais, que os casos sejam apresentados internacionalmente&quot;. J&aacute; aconteceram dois encontros anteriores, realizados no M&eacute;xico e na Guatemala, em maio e junho deste ano, por iniciativa de Lagarde. As reuni&otilde;es come&ccedil;aram nestes tr&ecirc;s pa&iacute;ses porque neles se registra e se reconhece o grau de viol&ecirc;ncia vivido pelas mulheres e porque possu&iacute;am redes de contatos pessoais, disse Lagarde, &aacute; IPS. Mas &quot;j&aacute; acertamos ampliar a rede para toda a Comunidade Ibero-americana de Na&ccedil;&otilde;es&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O fen&ocirc;meno &eacute; grave nesses tr&ecirc;s pa&iacute;ses, e apresenta caracter&iacute;sticas particulares em cada um. Entre 2001 e 2005, foram cometidos 1.942 assassinatos de mulheres na Guatemala. No M&eacute;xico ainda n&atilde;o se tem um diagn&oacute;stico integral, mas Lagarde cita a &uacute;nica cifra oficial dispon&iacute;vel: 5.242 mortes violentas de mulheres em 2002, divulgada pela Secretaria de Desenvolvimento Social desse pa&iacute;s. Lagarde explicou que nesses dados est&atilde;o inclu&iacute;dos homic&iacute;dios, suic&iacute;dios e acidentes, que tipificam o feminic&iacute;dio, porque em muitos casos ocultam a viol&ecirc;ncia exercida contra as mulheres. Aproximadamente 400 mulheres jovens foram assassinadas na fronteiri&ccedil;a Ciudad Juarez desde 1993.<\/p>\n<p> Na Espanha, com 73 mulheres assassinadas por ano, a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero se materializa basicamente no &acirc;mbito privado, enquanto nos outros dois casos se mesclam causas sociais, crime organizado e impunidade. &quot;Trata-se de fazermos ouvir nossa voz em toda a Am&eacute;rica Latina, em toda a Iberoam&eacute;rica e, com for&ccedil;a e paci&ecirc;ncia, em todos os f&oacute;runs internacionais&quot;, afirmou Lagarde. A reuni&atilde;o realizada no Senado espanhol teve como moderador Alborch e contou com a participa&ccedil;&atilde;o da parlamentar mexicana Lucero Salda&ntilde;a, da deputada guatemalteca Myrna Ponce, da primeira vice-presidente do Congresso espanhol, Carmen Chac&oacute;n, e da embaixadora Carmen Moreno, diretora do Instituto internacional das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Promo&ccedil;&atilde;o da Mulher.<\/p>\n<p> Na Declara&ccedil;&atilde;o de Madri, assinada na sexta-feira, legisladores e legisladoras dos tr&ecirc;s pa&iacute;ses destacam que &quot;a viol&ecirc;ncia feminicida &eacute; a forma extrema da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero contra as mulheres, que atenta contra os direitos humanos delas, especialmente os direitos &aacute; vida, &agrave; seguran&ccedil;a e o acesso &agrave; justi&ccedil;a, e limita o desenvolvimento e a paz nas sociedades que representamos. Onde prevalecem o Estado de direito, a democracia e a igualdade, e se avan&ccedil;a na vig&ecirc;ncia dos direitos humanos das mulheres, se est&aacute; em vias de erradicar a viol&ecirc;ncia contra elas&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Os participantes do encontro concordam que &quot;&eacute; necess&aacute;ria uma maior e melhor informa&ccedil;&atilde;o institucional que sustente investiga&ccedil;&otilde;es e que nos permitam avan&ccedil;ar no conhecimento das causas e manifesta&ccedil;&otilde;es da viol&ecirc;ncia feminicida, bem como das melhores vias para garantir a seguran&ccedil;a e a liberdade das mulheres&quot;. Al&eacute;m disso, disseram assumir a responsabilidade na constru&ccedil;&atilde;o de um contexto jur&iacute;dico, nacional, regional e internacional e acordaram em reafirmar o Pacto do M&eacute;xico e a Declara&ccedil;&atilde;o da Guatemala, e impulsionar &quot;a amplia&ccedil;&atilde;o da rede interparlamentar pelo direito a uma vida sem viol&ecirc;ncia contra as mulheres em todos os espa&ccedil;os nacionais e internacionais&quot;.<\/p>\n<p> O encontro recomendou impulsionar a &quot;a&ccedil;&atilde;o regional e internacional de nossos governos&quot; para criar e fortalecer &quot;um sistema jur&iacute;dico internacional &#8211; tratados, resolu&ccedil;&otilde;es e declara&ccedil;&otilde;es &#8211; para a erradica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra as mulheres&quot;, especialmente o feminic&iacute;dio. A Declara&ccedil;&atilde;o de Madri finaliza recomendando o fortalecimento de &quot;alian&ccedil;as como os e as parlamentares dos pa&iacute;ses ibero-americanos para alcan&ccedil;ar os objetivos acordados. Assim como as e os integrantes dos outros poderes do Estado e da sociedade civil para sustentar e dar seguimento &aacute;s a&ccedil;&otilde;es&quot; de erradica&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p> Lagarde &eacute; antrop&oacute;loga, ex-militante do Partido Comunista e professora da Universidade Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico, &eacute; autora de muitos livros e de mais de uma centena de artigos sobre o feminismo. Uma de suas primeiras obras, &quot;Los cautiverios de las mujeres: madresposas, monjas, putas, presas y locas&quot;, j&aacute; &eacute; um cl&aacute;ssico com muitas reedi&ccedil;&otilde;es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, 19\/09\/2005 &ndash; Parlamentares, homens e mulheres, de tr&ecirc;s pa&iacute;ses onde se comete grande propor&ccedil;&atilde;o de assassinatos de mulheres, Guatemala, M&eacute;xico e Espanha, querem tipificar o &quot;feminic&iacute;dio&quot;, forma extrema de viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, como crime de lesa humanidade. &quot;Apresentar uma proposta &uacute;nica &agrave; Corte Internacional de Justi&ccedil;a de Haia (Holanda) para tipificar o crime de feminic&iacute;dio&quot; &eacute; uma das metas do Terceiro Di&aacute;logo Internacional Interparlamentar sobre Viol&ecirc;ncia Contra a Mulher, realizado na sexta-feira, em Madri, disse &agrave; IPS a deputada mexicana Marcela Lagarde, presidente da comiss&atilde;o que acompanha os crimes contra as mulheres no parlamento de seu pa&iacute;s.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/mulheres-parlamentares-propem-tipificar-o-assassinato-de-mulheres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1015","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1015","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1015\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}