{"id":10152,"date":"2012-06-20T10:09:05","date_gmt":"2012-06-20T10:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10152"},"modified":"2012-06-20T10:09:05","modified_gmt":"2012-06-20T10:09:05","slug":"rio20-belo-monte-uma-ferida-aberta-na-amaznia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/economia\/rio20-belo-monte-uma-ferida-aberta-na-amaznia\/","title":{"rendered":"RIO+20: Belo Monte &eacute; uma ferida aberta na Amaz&ocirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/06\/2012 &ndash; A ind&iacute;gena Sheyla Juruna chorou ao falar sobre a constru&ccedil;&atilde;o da Usina Hidrel&eacute;trica de Belo Monte, no Xingu, norte do Brasil. <!--more--> Em meio a seus &quot;parentes&quot; &#8211; como se refere aos demais representantes dos povos ind&iacute;genas reunidos na C&uacute;pula dos Povos, evento paralelo &agrave; Rio+20. -, ansiosa por participar das discuss&otilde;es, as l&aacute;grimas de Sheyla revelam sua impot&ecirc;ncia diante das in&uacute;meras tentativas feitas at&eacute; agora de barrar a obra.<\/p>\n<p>&quot;A minha alma chora, choro por tudo o que est&aacute; acontecendo l&aacute;, porque a vida do nosso povo est&aacute; amea&ccedil;ada. Acho que estas discuss&otilde;es s&atilde;o importantes, mas enquanto o Governo Federal n&atilde;o se sensibilizar, parar a obra, e buscar outras formas de energia, n&atilde;o vamos vencer&quot;, reconheceu Sheyla Juruna.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o da Usina de Belo Monte foi um tema recorrente na C&uacute;pula dos Povos durante as discuss&otilde;es sobre o tipo de desenvolvimento proposto pelo governo brasileiro. Sheyla contou como os &iacute;ndios da regi&atilde;o est&atilde;o se matando, envolvidos com viol&ecirc;ncia, com alcoolismo, e como a cultura vai se perdendo. Os integrantes do Movimento Xingu Vivo, que apoiam os ind&iacute;genas, explicam que a usina n&atilde;o vai afetar somente a popula&ccedil;&atilde;o do entorno, mas todos os que vivem do Rio Xingu, trazendo doen&ccedil;as e morte para peixes e gente. Caderno Sociedade1 Belo Monte &eacute; uma ferida aberta na Amaz&ocirc;nia<\/p>\n<p>Ind&iacute;genas protestam contra a constru&ccedil;&atilde;o de Belo Monte. Foto: Mitchell Anderson.<\/p>\n<p>Sheyla n&atilde;o acredita mais que haja espa&ccedil;o para di&aacute;logo com o Governo. &quot;O Minist&eacute;rio P&uacute;blico leva para a Justi&ccedil;a, os ju&iacute;zes n&atilde;o fazem nada, a gente est&aacute; sendo abandonada. A obra est&aacute; em andamento a todo vapor e as quest&otilde;es sociais n&atilde;o est&atilde;o sendo vistas. Est&atilde;o calando a boca dos povos ind&iacute;genas com as migalhas. At&eacute; onde vamos com isso? &quot;Agora, disse, &eacute; partir para a briga, e com as pr&oacute;prias m&atilde;os, se for necess&aacute;rio&quot;. No dia 15 de junho, os parentes de Sheyla fizeram um manifesto simb&oacute;lico: usando m&atilde;os, enxadas, furadeiras, cavaram as pedras e abriram ensecadeiras &#8211; barragens provis&oacute;rias que desviam o curso do rio para permitir o trabalho em &aacute;rea seca durante a constru&ccedil;&atilde;o da barragem definitiva &#8211; sob o escaldante sol da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. O rio voltou a correr no seu fluxo.<\/p>\n<p>&quot;A vida &eacute; assim: a sociedade &eacute; democr&aacute;tica e as pessoas t&ecirc;m todo o direito de protestar. N&atilde;o reprimimos a manifesta&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Gilberto Carvalho, secret&aacute;rio geral da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, em entrevista &agrave; ag&ecirc;ncia Carta Maior depois do debate sobre &quot;Democracia e Direitos&quot;, na C&uacute;pula dos Povos. Carvalho negou que a constru&ccedil;&atilde;o da usina vai alagar aldeias ind&iacute;genas e prejudicar as popula&ccedil;&otilde;es locais. &quot;Pelo contr&aacute;rio, h&aacute; duas &aacute;reas que est&atilde;o sendo agora demarcadas por causa de Belo Monte&quot;, argumentou. &quot;Somos privilegiados por termos recursos h&iacute;dricos, o mundo nos inveja. N&atilde;o vamos transformar a riqueza h&iacute;drica num problema. Para o padr&atilde;o de desenvolvimento que precisamos ter para o Brasil, vamos continuar construindo hidrel&eacute;tricas; os erros cometidos na constru&ccedil;&atilde;o destas usinas n&atilde;o podem anular a necessidade e a propriedade de seguirmos construindo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A placa de propaganda, no caminho para o Riocentro, local onde est&aacute; sendo realizada a Confer&ecirc;ncia Rio+20, assegura: Belo Monte tem seguran&ccedil;a e sa&uacute;de garantidos. Mas a quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o clara e segura quanto anunciam. Em 1&ordm; de abril de 2011, a Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) outorgou medidas cautelares a favor dos membros das comunidades ind&iacute;genas da bacia do Rio Xingu, no Par&aacute;. A justificativa foi proteger a integridade pessoal e a vida destes benefici&aacute;rios diante do impacto da constru&ccedil;&atilde;o da Usina. Na ocasi&atilde;o, a CIDH solicitou ao governo brasileiro que suspendesse imediatamente o processo de licenciamento e impedisse a realiza&ccedil;&atilde;o de qualquer obra at&eacute; que fossem observadas condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de respeito aos direitos daquelas pessoas. Em 29 de julho de 2011, diante da resposta do Governo Federal, a CIDH modificou o objeto da medida, amenizando os termos do pedido anterior, mas refor&ccedil;ou novamente a preocupa&ccedil;&atilde;o com a garantia dos direitos dos povos ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>Uma fonte da CIDH confirmou a Terraviva a desconfian&ccedil;a de que o posicionamento do Brasil a favor de mudan&ccedil;as na CIDH, ao se somar ao grupo de pa&iacute;ses da Alian&ccedil;a Bolivariana das Am&eacute;ricas (ALBA) durante a 42&ordf; Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA) no in&iacute;cio do m&ecirc;s, na Bol&iacute;via, estaria ligada &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es feitas pela relatoria da CIDH sobre Belo Monte. Os pa&iacute;ses integrantes da ALBA, representados pelo presidente do Equador, Rafael Correa, amea&ccedil;aram naquela ocasi&atilde;o deixar a OEA caso n&atilde;o sejam tomadas medidas para sua renova&ccedil;&atilde;o. Correa argumentou que o sistema interamericano atua desvinculado dos governos &quot;democraticamente eleitos pelos povos da regi&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>A assessoria de imprensa do Itamaraty, em Bras&iacute;lia, negou qualquer rela&ccedil;&atilde;o direta. O assessor disse a TerraViva que a medida cautelar de Belo Monte foi um exemplo usado pelo governo sobre a necessidade de reformas no sistema interamericano, e, nesse sentido, &quot;teve um peso&quot;. Mas reiterou que os estudos do Brasil sobre a necessidade de alterar a forma de atua&ccedil;&atilde;o da CIDH j&aacute; vinham sendo realizados antes disso.<\/p>\n<p>Para Sheyla e seus parentes, a C&uacute;pula dos Povos foi o espa&ccedil;o que restou para obter apoio e denunciar que a constru&ccedil;&atilde;o da usina de Belo Monte, que n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de desenvolvimento sustent&aacute;vel, e que as popula&ccedil;&otilde;es locais est&atilde;o sendo violadas e destru&iacute;das. (IPS\/TerraViva)<\/p>\n<p>* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/06\/2012 &ndash; A ind&iacute;gena Sheyla Juruna chorou ao falar sobre a constru&ccedil;&atilde;o da Usina Hidrel&eacute;trica de Belo Monte, no Xingu, norte do Brasil. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/economia\/rio20-belo-monte-uma-ferida-aberta-na-amaznia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,5,10],"tags":[],"class_list":["post-10152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-economia","category-energia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}