{"id":10157,"date":"2012-06-21T09:46:13","date_gmt":"2012-06-21T09:46:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10157"},"modified":"2012-06-21T09:46:13","modified_gmt":"2012-06-21T09:46:13","slug":"rio20-ativistas-de-direitos-humanos-em-risco-por-defender-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/rio20-ativistas-de-direitos-humanos-em-risco-por-defender-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"RIO+20: Ativistas de direitos humanos em risco por defender meio ambiente"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 21\/06\/2012 &ndash; No momento em que o mundo se re&uacute;ne para discutir a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e desenvolvimento sustent&aacute;vel na Rio+20, s&oacute; na &uacute;ltima d&eacute;cada, os conflitos em defesa dos recursos naturais se acirraram ocasionando a morte de 711 ativistas e membros de comunidades locais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10157\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Chamada310.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10157\" class=\"size-medium wp-image-10157\" title=\"L\u00c3\u00adder comunit&aacute;rio morto ap&oacute;s for&ccedil;as do Congo agredirem moradores que protestavam contra empresa madeireira. - Divulga&ccedil;&atilde;o Global Witness\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Chamada310.jpg\" alt=\"L\u00c3\u00adder comunit&aacute;rio morto ap&oacute;s for&ccedil;as do Congo agredirem moradores que protestavam contra empresa madeireira. - Divulga&ccedil;&atilde;o Global Witness\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10157\" class=\"wp-caption-text\">L\u00c3\u00adder comunit&aacute;rio morto ap&oacute;s for&ccedil;as do Congo agredirem moradores que protestavam contra empresa madeireira. - Divulga&ccedil;&atilde;o Global Witness<\/p><\/div>  Este dado foi revelado pela recente pesquisa da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental inglesa Global Witness ao observar que, s&oacute; em 2011, 106 pessoas foram assassinadas. O n&uacute;mero de mortes quase dobrou nos &uacute;ltimos 3 anos.<\/p>\n<p>Segundo o relat&oacute;rio, muitos assassinatos a partir de confrontos violentos s&atilde;o em decorr&ecirc;ncia de protestos, investiga&ccedil;&otilde;es ou at&eacute; mesmo de den&uacute;ncias contra atividades de minera&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o madeireira, agricultura intensiva incluindo a pecu&aacute;ria, al&eacute;m de barragens hidrel&eacute;tricas e ca&ccedil;a ilegal.<\/p>\n<p>L&iacute;der comunit&aacute;rio morto ap&oacute;s for&ccedil;as do Congo agredirem moradores que protestavam contra empresa madeireira. Foto: Divulga&ccedil;&atilde;o Global Witness<\/p>\n<p>Os quatro pa&iacute;ses no ranking de maiores registros de assassinatos s&atilde;o Brasil em primeiro lugar com 365 assassinatos; seguido de Peru com 123 homic&iacute;dios; em terceiro Col&ocirc;mbia com registro de 70 mortes; e Filipinas com 50.<\/p>\n<p>De acordo com a Global Witness, nestes pa&iacute;ses assim como no Camboja, na Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo e na Indon&eacute;sia, existem &quot;ind&iacute;cios de envolvimento do setor privado nacional e estrangeiro nesses assassinatos&quot;.<\/p>\n<p>&quot;O n&uacute;mero de mortos corresponde a uma morte por semana na luta pelo direito das florestas. O maior n&uacute;mero de assassinatos foi, de fato, na Am&eacute;rica Latina e na &Aacute;sia&quot;, disse &agrave; IPS, Billy Kyte, coordenador da campanha pelas florestas da Global Witness.<\/p>\n<p>Esta &eacute; a primeira vez que &eacute; feito um levantamento global sobre a morte de defensores de direitos humanos envolvendo a luta por recursos naturais. Segundo Kyte, estes dados revelam que h&aacute; uma batalha se intensificando pelo acesso a terras e a florestas no mundo.<\/p>\n<p>&quot;Estamos presenciando uma batalha por recursos naturais o que tem causado ainda mais mortes. Quanto mais importante tem sido a defesa do meio ambiente, mais mortal e perigosa tem sido esta defesa&quot;, argumentou o ativista.<\/p>\n<p>Do Camboja ao Peru, comunidades rurais tem sofrido com intimida&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia, remo&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas, sequestros e assassinatos. De acordo com o relat&oacute;rio lan&ccedil;ado na Rio+20, muitas comunidades rurais pobres tem tido seus direitos negados com frequ&ecirc;ncia, al&eacute;m de serem alvos de viol&ecirc;ncia quando expressam suas reivindica&ccedil;&otilde;es por terras e meios de subsist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>No entanto, Kyte alerta para a subnotifica&ccedil;&atilde;o de muitas mortes e at&eacute; mesmo a falta de monitoramento por parte dos pa&iacute;ses. Devido &agrave; car&ecirc;ncia de dados precisos, o n&uacute;mero de homic&iacute;dios pode ultrapassar a 1.000 nesta &uacute;ltima d&eacute;cada.<\/p>\n<p>A ONG Global Witness denuncia a aus&ecirc;ncia de um monitoramento sistem&aacute;tico das mortes de pessoas atuando na defesa dos direitos humanos ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses como Birm&acirc;nia, China e Papua Ocidental h&aacute; uma &quot;aparente e significativa aus&ecirc;ncia de relatos&quot;, informa o relat&oacute;rio. Mas &eacute; na &Aacute;frica, onde se encontra um n&uacute;mero menor de redes regionais e bancos de dados dedicados ao tema de direitos humanos e meio ambiente.<\/p>\n<p>No continente africano, a &aacute;rea de florestas consideradas p&uacute;blicas e administradas pelo governo corresponde a 98% do total, enquanto que na &Aacute;sia, corresponde a 66%, e na Am&eacute;rica Latina a 33%.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; prov&aacute;vel que a predomin&acirc;ncia da propriedade estatal da terra e florestas na &Aacute;frica contribui para marginalizar popula&ccedil;&otilde;es rurais pobres, que est&atilde;o, menos propensos a fazer reivindica&ccedil;&otilde;es&quot;, diz o informe.<\/p>\n<p>Assassinatos podem aumentar<\/p>\n<p>Segundo Billy Kyte, os governos reunidos na Rio+20 devem direcionar as suas discuss&otilde;es para um uso da riqueza natural do planeta de forma sustent&aacute;vel e justa, caso contr&aacute;rio, o n&uacute;mero de mortes pode continuar a subir.<\/p>\n<p>&quot;Os governos devem garantir a prote&ccedil;&atilde;o aos defensores de direitos humanos do meio ambiente. Tamb&eacute;m &eacute; preciso que se comprometam a investigar as mortes e evitar a impunidade. Os governos precisam ainda assegurar que a gest&atilde;o dos recursos &eacute; feita de forma equ&acirc;nime para que este conflito n&atilde;o aumente&quot;, enfatizou o ativista.<\/p>\n<p>Para dar visibilidade aos assassinatos e defender que os pa&iacute;ses ratifiquem a Declara&ccedil;&atilde;o da ONU para os Defensores de Direitos Humanos, a Global Witness vai realizar uma exposi&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica na tenda dos Side Events, no Riocentro, durante os dias que estar&atilde;o presentes os chefes de Estado e de Governo.<\/p>\n<p>Era madrugada do dia 18 de novembro de 2011, quando um grupo de 40 pistoleiros invadiram um acampamento ind&iacute;gena Guarani-Kaiow&aacute; no estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, e atiraram em seu l&iacute;der N&iacute;sio Gomes, antes de arrast&aacute;-lo para longe. O corpo de Gomes e de tr&ecirc;s crian&ccedil;as ind&iacute;genas sequestradas durante o ataque n&atilde;o foram vistos desde ent&atilde;o.<\/p>\n<p>O acampamento Guaiviry dos Guarani-Kaiow&aacute; era uma terra que estava prestes a ser oficialmente reconhecida como territ&oacute;rio ancestral, mas estava sendo explorada de forma ilegal por agricultores e fazendeiros da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria de N&iacute;sio Gomes &eacute; um dos in&uacute;meros casos que ser&atilde;o divulgados durante a Rio+20. Cerca de 60.000 ind&iacute;genas da etnia Guarani-Kaiow&aacute;, no estado do Mato Grosso do Sul, vivem em condi&ccedil;&otilde;es desumanas em reservas densamente povoadas e muitos s&atilde;o despejados &agrave; for&ccedil;a de suas terras.<\/p>\n<p>Em 9 de mar&ccedil;o de 2009 o l&iacute;der comunit&aacute;rio que combatia a minera&ccedil;&atilde;o, Eliezer Billanes, foi morto a tiros por dois homens n&atilde;o identificados em uma motocicleta na cidade de Koronadal, nas Filipinas. Sua morte ocorreu algumas semanas depois de ter relatado que estava sendo amea&ccedil;ado por for&ccedil;as militares.<\/p>\n<p>Billanes presidia a uma alian&ccedil;a regional anti-minera&ccedil;&atilde;o e liderou a oposi&ccedil;&atilde;o contra projetos mineiros em grande escala no pa&iacute;s, expondo as calamidades ambientais associadas ao programa de liberaliza&ccedil;&atilde;o da minera&ccedil;&atilde;o do governo filipino. Billanes foi o 20&deg; ativista morto desde 2000 nas Filipinas por lutar contra grandes projetos de minas.<\/p>\n<p>Neste ano, no dia 26 de abril de 2012, Wutty Chut, diretor da organiza&ccedil;&atilde;o de vigil&acirc;ncia ambiental do Camboja, foi baleado e morto por membros da pol&iacute;cia militar cambojana quando fazia uma pesquisa de campo sobre a explora&ccedil;&atilde;o madeireira ilegal.<\/p>\n<p>O inqu&eacute;rito instalado pelo governo para apurar o caso n&atilde;o abordou os detalhes de sua morte, tendo sido proibida a investiga&ccedil;&atilde;o de qualquer informa&ccedil;&atilde;o complementar sobre o caso Wutty que tivesse a ver com a extra&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais do Camboja.<\/p>\n<p>E ainda, dia 2 de maio de 2011, 60 agentes da pol&iacute;cia da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo entraram em confronto com a popula&ccedil;&atilde;o local da comunidade Yalisika, na prov&iacute;ncia de Equateur, em raz&atilde;o de tens&otilde;es que envolviam a empresa madeireira Siforco na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>A a&ccedil;&atilde;o militar desencadeou uma onda de viol&ecirc;ncia contra a comunidade vitimando mulheres e meninas com a destrui&ccedil;&atilde;o de muitas propriedades. Frederic Moloma Tuka, aos 70 anos, foi morto depois de ter sido espancado e deixado em frente &agrave; sua casa, incapaz de levantar-se por causa dos ferimentos.<\/p>\n<p>Economia verde mas com direitos<\/p>\n<p>Hist&oacute;rias de vida como a de N&iacute;sio Gomes, Eliezer Billanes, Wutty Chut e Moloma Tuka preocupam autoridades das Na&ccedil;&otilde;es Unidas presentes na Confer&ecirc;ncia Rio+20 como a Alta Comiss&aacute;ria para os Direitos Humanos, Navi Pillay.<\/p>\n<p>Questionada por IPS a respeito destes assassinados, Pillay admitiu estar ciente do grande volume de homic&iacute;dios, mas destacou contudo que, apesar de serem &quot;chocantes&quot;, n&atilde;o &eacute; surpresa para ela que monitora com frequ&ecirc;ncia a viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos de ativistas.<\/p>\n<p>&quot;Os dados s&atilde;o chocante, mas infelizmente n&atilde;o me surpreendem. &Eacute; necess&aacute;ria uma funda&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida de direitos humanos para avan&ccedil;ar nas metas de desenvolvimento sustent&aacute;vel, assim como a liberdade de associa&ccedil;&atilde;o e de express&atilde;o. Tudo isto &eacute; essencial para uma economia verde e para o desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;, afirmou Pillay.<\/p>\n<p>A representante da ONU defendeu ainda que as reivindica&ccedil;&otilde;es de comunidades e ambientalistas sejam tratadas com legitimidade e respeito. &quot;&Eacute; essencial colocar os direitos humanos no centro das discuss&otilde;es. Sem a salvaguarda destes direitos, as pol&iacute;ticas podem ter impactos negativos na vida de pessoas em prol de uma economia verde&quot;, argumentou. (IPS\/ TerraViva)<\/p>\n<p>* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 21\/06\/2012 &ndash; No momento em que o mundo se re&uacute;ne para discutir a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e desenvolvimento sustent&aacute;vel na Rio+20, s&oacute; na &uacute;ltima d&eacute;cada, os conflitos em defesa dos recursos naturais se acirraram ocasionando a morte de 711 ativistas e membros de comunidades locais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/rio20-ativistas-de-direitos-humanos-em-risco-por-defender-meio-ambiente\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-10157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10157"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10157\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}