{"id":10163,"date":"2012-06-21T10:00:22","date_gmt":"2012-06-21T10:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10163"},"modified":"2012-06-21T10:00:22","modified_gmt":"2012-06-21T10:00:22","slug":"espanha-crnica-de-um-fracasso-anunciado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/economia\/espanha-crnica-de-um-fracasso-anunciado\/","title":{"rendered":"ESPANHA: Cr&ocirc;nica de um fracasso anunciado"},"content":{"rendered":"<p>Artigo12 Espanha: Cr&ocirc;nica de um fracasso anu, 21\/06\/2012 &ndash; A nacionaliza&ccedil;&atilde;o do Bankia (quarto banco espanhol) e de sua matriz BFA levantou a pol&ecirc;mica e escancarou o fracasso da reforma financeira decretada pelo governo de Mariano Rajoy no dia 3 de fevereiro.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10163\" style=\"width: 142px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Artigo12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10163\" class=\"size-medium wp-image-10163\" title=\"Guillermo Medina - \" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Artigo12.jpg\" alt=\"Guillermo Medina - \" width=\"132\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10163\" class=\"wp-caption-text\">Guillermo Medina - <\/p><\/div>  A insufici&ecirc;ncia da reforma e a desconfian&ccedil;a dos investidores, bem como as exig&ecirc;ncias do Banco Central Europeu (BCE) e da Uni&atilde;o Europeia (UE), obrigaram o governo a decidir, no dia 11 de maio, por uma nova reforma destinada a dar credibilidade e solv&ecirc;ncia, &quot;definitivamente&quot;, ao sistema financeiro nacional.<\/p>\n<p>As medidas adotadas obrigam os bancos a fortes provis&otilde;es, com o apoio de fundos p&uacute;blicos se necess&aacute;rio, e a segregar em sociedades imobili&aacute;rias (substitutas dos &quot;bancos ruins&quot;) os ativos imobili&aacute;rios t&oacute;xicos. Contudo, e apesar do apoio expl&iacute;cito do BCE e da UE, existem d&uacute;vidas sobre as medidas rec&eacute;m-adotadas serem suficientes.<\/p>\n<p>A nacionaliza&ccedil;&atilde;o do BFA-Bankia, em 9 de maio, e a nova reforma deram lugar a uma troca de acusa&ccedil;&otilde;es de culpa. O governo do Partido Popular (PP) e o opositor Partido Socialista Oper&aacute;rio Espanhol (PSOE) se acusam de utilizar dinheiro p&uacute;blico para salvar os bancos. A realidade &eacute; que neste ponto ningu&eacute;m est&aacute; livre de pecado. Nenhum governo pode permanecer impass&iacute;vel diante da queda de um grande banco &#8211; esses que representam riscos sist&ecirc;micos &#8211; porque poderia desencadear um efeito cont&aacute;gio e afundar o conjunto do sistema financeiro.<\/p>\n<p>O anterior governo socialista de Jos&eacute; Lu&iacute;z Rodr&iacute;guez Zapatero ajudou com grandes recursos p&uacute;blicos os bancos com problemas. E o fez com apoio do PP, ent&atilde;o na oposi&ccedil;&atilde;o. Pela mesma raz&atilde;o, o PSOE apoiou o governo de Rajoy na reforma financeira de fevereiro.<\/p>\n<p>Quanto ao BFA-Bankia, do entorno governamental se responsabiliza pelo desastre a falta de vigil&acirc;ncia por parte do Banco da Espanha, que poucos meses antes aprovara as contas da entidade. No entanto, esta esteve gerenciada e controlada desde 1996 pelo PP. Seu &uacute;ltimo presidente, Rodrigo Rato, ex-vice-primeiro ministro e ex-ministro da Economia dos governos de Jos&eacute; Mar&iacute;a Aznar e ex-diretor-geral do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), foi obrigado a se demitir.<\/p>\n<p>O assunto principal &eacute; o fracasso da reforma de 3 de fevereiro, j&aacute; que seu objetivo principal, o saneamento do setor financeiro, continua sem ser cumprido. N&atilde;o s&oacute; n&atilde;o conseguiu devolver ao setor banc&aacute;rio sua fun&ccedil;&atilde;o credit&iacute;cia, como gerou a desconfian&ccedil;a dos mercados, da UE e do FMI. De forma que o problema financeiro, centrado principalmente nos ativos do imobili&aacute;rio, constitui atualmente o principal e mais urgente obst&aacute;culo para sair da crise.<\/p>\n<p>A estrat&eacute;gia do governo em fevereiro consistiu em obrigar os bancos a destinarem 50 bilh&otilde;es de euros para sanear, e tamb&eacute;m promover fus&otilde;es de entidades &quot;ruins&quot; com entidades mais solventes. Assim, foi recha&ccedil;ada a segrega&ccedil;&atilde;o dos ativos t&oacute;xicos imobili&aacute;rios em um &quot;banco ruim&quot;, com o prop&oacute;sito de evitar a impopularidade e o custo pol&iacute;tico de destinar fundos p&uacute;blicos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>No entanto, a f&oacute;rmula se mostrou muito lenta, complexa e ineficaz. A quantidade mencionada foi claramente insuficiente porque a valoriza&ccedil;&atilde;o pelos bancos dos ativos hipotec&aacute;rios afetados era superior &agrave; realidade do mercado, com ocorreu com o Bankia e sua matriz.<\/p>\n<p>Entretanto, o governo continuava se declarando satisfeito com sua reforma. No dia 7 de abril, o ministro da Economia, Lu&iacute;s De Guindos, afirmou que a Espanha sair&aacute; da crise &quot;sem ajuda externa&quot;. Como se essa ajuda j&aacute; n&atilde;o estivesse ocorrendo por meio da liquidez a juros baixos, proporcionada pelo BCE.<\/p>\n<p>Os respons&aacute;veis pela economia &quot;vendiam&quot; que as melhorias na taxa de risco se deviam &agrave;s medidas de austeridade, quando, a realidade foi que a taxa se moderou, devido &agrave; liquidez vertida pelo BCE a partir de dezembro. Trata-se de cr&eacute;ditos de longo prazo e juros baixos para financiar os bancos, mas que em uma parte importante acabam assumindo d&iacute;vida p&uacute;blica que o BCE n&atilde;o pode comprar diretamente.<\/p>\n<p>Os bancos espanh&oacute;is se destacaram em voracidade para adquirir esses fundos. Por&eacute;m, o BCE observou que a &quot;barra livre&quot; de liquidez podia produzir um efeito anestesiante para o saneamento estrutural e as reformas dos pa&iacute;ses beneficiados. E alertou que fecharia a torneira. Os especialistas disseram na &eacute;poca que, quando a liquidez do BCE terminasse ou diminu&iacute;sse, os pa&iacute;ses que n&atilde;o tivessem reestruturado a fundo seu sistema financeiro passariam muito mal. E a&iacute; est&aacute;.<\/p>\n<p>O ocorrido at&eacute; agora com a reforma financeira, e n&atilde;o falemos no caso concreto do Bankia, demonstra que os interesses partid&aacute;rios e a pressa para tranquilizar os mercados originaram decis&otilde;es improvisadas. Assim &eacute; at&eacute; o ponto de o pr&oacute;prio Guindos parecer ter esquecido algumas de suas opini&otilde;es como especialista, anteriores &agrave; sua entrada no governo, quando afirmava que se devia valorizar os ativos imobili&aacute;rios segundo seu valor real de mercado e sanear em fun&ccedil;&atilde;o do resultado. &Eacute; o que se fez nos pa&iacute;ses que preferiram cortar pelo s&atilde;o. Contudo, nem o governo anterior nem o atual tiveram a firme vontade de ir &agrave;s ra&iacute;zes pol&iacute;ticas do problema.<\/p>\n<p>Finalmente, chegou a hora de retificar diante de um fracasso claro. N&atilde;o h&aacute; outro rem&eacute;dio a n&atilde;o ser reconhecer a necessidade de uma nova reforma, embora com certa confus&atilde;o e improvisa&ccedil;&atilde;o e descarregando as culpas sobre a &quot;heran&ccedil;a recebida&quot; e a passividade do Banco da Espanha.<\/p>\n<p>Em 11 de maio, o conselho de ministros enfrentou a decis&atilde;o mais dif&iacute;cil que j&aacute; teve que tomar. A recapitaliza&ccedil;&atilde;o dos bancos com dinheiro p&uacute;blico, em um contexto de crescentes dificuldades de financiamento do Estado e das autonomias, e do mal-estar social em raz&atilde;o dos cortes, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil nem mesmo argumentando estado de necessidade.<\/p>\n<p>A reforma obriga os bancos a segregarem em sociedades imobili&aacute;rias os ativos imobili&aacute;rios t&oacute;xicos e provisionar as perdas que aflorarem ap&oacute;s uma avalia&ccedil;&atilde;o independente e com credibilidade internacional. Inclusive dever&atilde;o ser provisionados os ativos n&atilde;o problem&aacute;ticos. O governo exige que os bancos destinem 28 bilh&otilde;es de euros adicionais para cobrir o risco imobili&aacute;rio. Por sua vez, disp&otilde;e de 15 bilh&otilde;es de euros para emprestar em b&ocirc;nus convers&iacute;veis, com juros de 10%, &agrave;s entidades que n&atilde;o conseguirem financiamento no mercado (o mais prov&aacute;vel) e precisarem de ajuda para cumprir os objetivos marcados. Com tudo isso, ficar&atilde;o cobertos 45% dos 304 bilh&otilde;es de euros relacionados com o saneamento.<\/p>\n<p>O plano conta com apoio expl&iacute;cito da UE e do BCE, mas gera algumas d&uacute;vidas. Os detalhes de como ser&atilde;o financiadas as sociedades imobili&aacute;rias n&atilde;o s&atilde;o conhecidos. E pode acontecer de os 15 bilh&otilde;es de euros, da conta final que o governo prev&ecirc; como &quot;m&aacute;ximo necess&aacute;rio&quot;, serem insuficientes para cobrir as novas valoriza&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, ao obrigar a provisionar pelos ativos s&atilde;os, se fragiliza o conjunto do sistema financeiro, que em muitos casos ter&aacute; que reduzir dividendos. A opini&atilde;o p&uacute;blica bem o v&ecirc;, mas os acionistas vendem. Tamb&eacute;m &eacute; preciso considerar que os bancos j&aacute; sofrem os efeitos negativos da recess&atilde;o para o neg&oacute;cio em seu conjunto.<\/p>\n<p>A nova reforma sup&otilde;e um grande passo, mas ser&aacute; o resultado final que determinar&aacute; seu sucesso. Ser&aacute;, como a primeira, insuficiente? Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Guillermo Medina &eacute; jornalista e escritor, ex-diretor do jornal YA, ex-deputado e ex-presidente da Comiss&atilde;o de Defesa do Congresso espanhol. (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo12 Espanha: Cr&ocirc;nica de um fracasso anu, 21\/06\/2012 &ndash; A nacionaliza&ccedil;&atilde;o do Bankia (quarto banco espanhol) e de sua matriz BFA levantou a pol&ecirc;mica e escancarou o fracasso da reforma financeira decretada pelo governo de Mariano Rajoy no dia 3 de fevereiro. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/economia\/espanha-crnica-de-um-fracasso-anunciado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1368,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,5,11],"tags":[18],"class_list":["post-10163","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1368"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10163\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}