{"id":10183,"date":"2012-06-22T08:45:52","date_gmt":"2012-06-22T08:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10183"},"modified":"2012-06-22T08:45:52","modified_gmt":"2012-06-22T08:45:52","slug":"rio20-terraviva-a-testemunha-inconveniente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/rio20-terraviva-a-testemunha-inconveniente\/","title":{"rendered":"RIO+20: TerraViva, a testemunha inconveniente"},"content":{"rendered":"<p>(TerraViva), 22\/06\/2012 &ndash; A C&uacute;pula da Terra de 1992 foi um dos grandes momentos de otimismo coletivo. Maurice Strong, do Canad&aacute;, que fundou o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), conseguiu avan&ccedil;ar em tr&ecirc;s frentes simult&acirc;neas. <!--more--> Em primeiro lugar, como de rigor, foi convocar os chefes de Estado. Em segundo, algo in&eacute;dito, foi conseguir a participa&ccedil;&atilde;o das grandes empresas, com a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, porque sem um compromisso do setor privado, teria sido mais dif&iacute;cil chegar a um acordo global sobre o clima. Mas o terceiro foi o mais revolucion&aacute;rio: pela primeira vez, uma confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ia abrir as suas portas para a sociedade civil.<\/p>\n<p>At&eacute; o Rio, apenas organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais internacionais que tinham status consultivo junto ao Conselho Econ&ocirc;mico e Social (cerca de 800 na &eacute;poca) podiam participar. Mais de tr&ecirc;s mil representantes da sociedade civil, muitos nos n&iacute;veis local e nacional, estiveram presentes na C&uacute;pula da Terra. Obviamente, a rea&ccedil;&atilde;o de muitos governos foi negativa, e eles conseguiram fazer as ONGs se reunirem em seu pr&oacute;prio f&oacute;rum paralelo e simult&acirc;neo, enquanto apenas alguns representantes participaram da assembl&eacute;ia de delegados. Desde ent&atilde;o, esse tem sido o espa&ccedil;o definido para a sociedade civil.<\/p>\n<p>A IPS tem feito a cobertura de quest&otilde;es ambientais desde que foi fundada, em 1964, e possui um alto grau de credibilidade. Eu era diretor-geral na &eacute;poca, e eu fui falar com Strong para ajud&aacute;-lo a ver que duas reuni&otilde;es simult&acirc;neas realizadas a 40 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia uma da outra certamente n&atilde;o representavam o que ele desejava. Eu, ent&atilde;o, apresentei a ele a ideia de que a IPS poderia produzir um jornal di&aacute;rio sobre a Confer&ecirc;ncia e que, distribu&iacute;do em ambos os encontros, poderia servir como uma ferramenta de comunica&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas eu queria ter certeza de que a IPS poderia cobrir a confer&ecirc;ncia e distribuir o jornal. Strong apoiou a ideia, mas me avisou que, se qualquer pa&iacute;s protestasse, apenas o secret&aacute;rio-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, poderia salvar-me de ser expulso, j&aacute; que somente os estados-membros podem fazer circular material impresso durante uma confer&ecirc;ncia. Boutros-Ghali, um mestre da diplomacia e de frases enigm&aacute;ticas, n&atilde;o me deu uma garantia definitiva. Mas eu entendi que ele era a favor da iniciativa, desde que n&atilde;o fiz&eacute;ssemos nada que fosse conden&aacute;vel. Durante a confer&ecirc;ncia, ele ignorou os protestos de v&aacute;rios pa&iacute;ses contra a presen&ccedil;a de um participante n&atilde;o governamental.<\/p>\n<p>Foi assim que o TerraViva saiu pela primeira vez, com uma edi&ccedil;&atilde;o em espanhol de 20 a 56 p&aacute;ginas (compreens&iacute;vel para falantes de portugu&ecirc;s), e uma edi&ccedil;&atilde;o em ingl&ecirc;s com 12 a 14 p&aacute;ginas. Foi como montar um jornal real, e para o IPS foi uma experi&ecirc;ncia nova e criativa, que deu &agrave; luz um grupo de profissionais de alto n&iacute;vel. Desde 1992, o TerraViva foi produzido nas confer&ecirc;ncias da ONU e outros eventos importantes, que acabaram por incluir encontros da sociedade civil como o F&oacute;rum Social Mundial.<\/p>\n<p>O TerraViva tem desempenhado um papel sem precedentes no refor&ccedil;o da democracia e transpar&ecirc;ncia nas reuni&otilde;es intergovernamentais. Diplomatas agem sob instru&ccedil;&otilde;es de seus governos, e quando eles t&ecirc;m diferen&ccedil;as com outros diplomatas, essas diferen&ccedil;as n&atilde;o se confundem com quest&otilde;es pessoais fora da reuni&atilde;o. Mas quando o TerraViva informou que algum delegado teve uma atitude que a sociedade civil n&atilde;o aceitou, os participantes do f&oacute;rum das ONGs procuraram o delegado em quest&atilde;o e discutiram com ele ou ela, mesmo no quarto de hotel dele ou dela.<\/p>\n<p>Os diplomatas tiveram assim que pagar um pre&ccedil;o pessoal anteriormente desconhecido, e foram obrigados a informar os seus governos quando uma determinada posi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o teve o apoio da sociedade civil. Infelizmente, temos provas muito abundantes de que os governos nem sempre ouvem as vozes de seus eleitores.<\/p>\n<p>No front clim&aacute;tico, ap&oacute;s 20 anos de voltas e reviravoltas, estamos retornando ao Rio com grandes expectativas. Mas perdemos um tempo precioso, durante o qual a deteriora&ccedil;&atilde;o do planeta acelerou e se tornou mais evidente. Ao mesmo tempo, o p&uacute;blico tornou-se mais ecologicamente consciente do que nunca. Se a Rio+20 n&atilde;o produzir resultados significativos e concretos, a falta de democracia no sistema pol&iacute;tico ficar&aacute; evidente. E o TerraViva, mais uma vez, est&aacute; aqui para gerar a participa&ccedil;&atilde;o e conscientiza&ccedil;&atilde;o &#8211; pilares fundamentais da democracia.<\/p>\n<p>* Roberto Savio &eacute; presidente em&eacute;rito da IPS, e foi editor do TerraViva produzido na C&uacute;pula da Terra de 1992.<\/p>\n<p>** Publicado originalmente no site TerraViva. (TerraViva)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(TerraViva), 22\/06\/2012 &ndash; A C&uacute;pula da Terra de 1992 foi um dos grandes momentos de otimismo coletivo. 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