{"id":10196,"date":"2012-06-22T11:56:56","date_gmt":"2012-06-22T11:56:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10196"},"modified":"2012-06-22T11:56:56","modified_gmt":"2012-06-22T11:56:56","slug":"vigiando-o-imprio-do-ar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/vigiando-o-imprio-do-ar\/","title":{"rendered":"Vigiando o imp&eacute;rio do ar"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 22\/06\/2012 &ndash; Os avi&otilde;es n&atilde;o tripulados geraram antipatia em todo o mundo, salvo no pa&iacute;s que recorre a essa tecnologia com regularidade: os Estados Unidos. <!--more--> Um estudo do centro de pesquisas Pew indica que 62% dos entrevistados aprovaram seu uso e apenas 28% foram contra.            <\/p>\n<p>Segundo Nick Turse e Tom Engelhardt escreveram em seu aterrador livro Terminator Planet, os avi&otilde;es n&atilde;o tripulados s&atilde;o parte da excepcionalidade norte-americana. Foram introduzidos no final da d&eacute;cada de 1990 para realizar opera&ccedil;&otilde;es de vigil&acirc;ncia no conflito de Kosovo, e em seguida se tornaram um importante elemento do dom&iacute;nio a&eacute;reo norte-americano. Como afirmam os dois autores, mesmo antes da introdu&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia, a superioridade a&eacute;rea dos Estados Unidos era tal que o secret&aacute;rio da Defesa, Robert Gates, p&ocirc;de dizer em um discurso feito em 2011 que este pa&iacute;s n&atilde;o perdeu nem um avi&atilde;o e nem um soldado em ataques inimigos em 40 anos.<\/p>\n<p>Com a persistente crise econ&ocirc;mica pressionando sobre a redu&ccedil;&atilde;o de gastos do Departamento da Defesa, esta tecnologia se tornou um m&eacute;todo de baixo custo para preservar o dom&iacute;nio militar e o status do pa&iacute;s como &uacute;nica superpot&ecirc;ncia mundial. Como disse Engelhardt, os avi&otilde;es n&atilde;o tripulados s&atilde;o parte integral da &quot;preserva&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio, com poucos recursos e furtividade&quot;, por interm&eacute;dio da CIA (Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia).<\/p>\n<p>Por&eacute;m, a tecnologia tamb&eacute;m teve um papel crucial ao estender a tradi&ccedil;&atilde;o de excepcionalidade norte-americana. O governo de Barack Obama, que herdou o programa antiterrorista de seu antecessor, ampliou o uso de avi&otilde;es n&atilde;o tripulados para matar dirigentes da rede extremista Al Qaeda e l&iacute;deres do movimento isl&acirc;mico afeg&atilde;o Talib&atilde;. &quot;N&atilde;o mais guarda-chuva com ponta envenenada, como em antigas opera&ccedil;&otilde;es da KGB, nem cigarros t&oacute;xicos, com nas da CIA, agora que os assassinatos passaram para o c&eacute;u como atividade cotidiana ao longo do ano&quot;, escreveu Engelhardt. KGB &eacute; o acr&ocirc;nimo da ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da antiga Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos se atribu&iacute;ram o direito de cometer esses assassinatos fora de zonas de guerra diante da opini&atilde;o p&uacute;blica, de informes da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e do direito internacional. Na cole&ccedil;&atilde;o de ensaios que originalmente apareceram no site TomDispatch, Nick Turse oferece uma cartografia integral do novo mundo de avi&otilde;es n&atilde;o tripulados criado pelo Pent&aacute;gono e pela CIA. Os dispositivos chamados Reapers, Predators e Global Hawks decolam da base a&eacute;rea de Al-Udeid, no Catar, de Incirlik, na Turquia, e de Sigonella, na It&aacute;lia, e tamb&eacute;m de outros lugares novos em Djibuti, Eti&oacute;pia, Seychelles, Afeganist&atilde;o, e inclusive outros na &Aacute;sia.<\/p>\n<p>O ex&eacute;rcito depende cada vez mais desta tecnologia. Um em cada tr&ecirc;s avi&otilde;es militares s&atilde;o rob&ocirc;s. Em 2004, os Reapers voaram 71 horas. Em 2006, esse n&uacute;mero subiu para 3.123, e em 2009 o tempo de voo chegou a 25.391 horas. Os avi&otilde;es n&atilde;o tripulados surgem como uma alternativa atrativa com a for&ccedil;a de terra atada &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es no Afeganist&atilde;o, com os movimentos contra as bases questionando as grandes concentra&ccedil;&otilde;es de soldados norte-americanos no estrangeiro, e com os pol&iacute;ticos de Washington tentando desesperadamente reduzir o or&ccedil;amento nacional.<\/p>\n<p>&quot;Caminhamos para um deslocamento maior da guerra para coisas que n&atilde;o podem protestar, n&atilde;o podem voar com seus p&eacute;s (ou asas) e para os quais n&atilde;o h&aacute; &#39;frente interna&#39; e nem mesmo lar&quot;, afirma Engelhardt. A antipatia mundial por esses avi&otilde;es procede em grande parte de sua falibilidade. Os pilotos e os vigilantes cometem v&aacute;rios erros, vendo imagens a partir da seguran&ccedil;a das bases dos Estados Unidos, e acabam matando muitos civis, centenas deles s&oacute; no Paquist&atilde;o, entre os quais cerca de 200 crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>At&eacute; agora, os cidad&atilde;os norte-americanos est&atilde;o imunes a essas consequ&ecirc;ncias, pois o governo de Obama lhes garantiu que tais dispositivos extirpam o c&acirc;ncer mediante um processo cir&uacute;rgico que deixa s&atilde;o o tecido em volta. Al&eacute;m disso, os Estados Unidos continuam mantendo uma grande vantagem tecnol&oacute;gica na pesquisa e no desenvolvimento destes dispositivos. O risco de ataques contra seu territ&oacute;rio continua sendo baixo, embora o governo de George W. Bush tenha justificado seu ataque contra o Iraque, em parte, dizendo que o presidente Saddam Hussein tinha armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa que poderia utilizar contra os Estados Unidos empregando avi&otilde;es n&atilde;o tripulados.<\/p>\n<p>Entretanto, os ataques com esta tecnologia geraram um enorme sentimento antinorte-americano, como indica a pesquisa Pew. O frustrado atentado em 2010 em Times Square, em Nova York, esteve motivado, em parte, por ataques com avi&otilde;es n&atilde;o tripulados no Paquist&atilde;o. Al&eacute;m disso, pa&iacute;ses como Israel, R&uacute;ssia, China e inclusive o Ir&atilde; entraram no neg&oacute;cio. &Eacute; uma quest&atilde;o de tempo at&eacute; os Estados Unidos perderem seu dom&iacute;nio no mercado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 22\/06\/2012 &ndash; Os avi&otilde;es n&atilde;o tripulados geraram antipatia em todo o mundo, salvo no pa&iacute;s que recorre a essa tecnologia com regularidade: os Estados Unidos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/vigiando-o-imprio-do-ar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":501,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[14],"class_list":["post-10196","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/501"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10196"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10196\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}