{"id":10197,"date":"2012-06-22T11:58:54","date_gmt":"2012-06-22T11:58:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10197"},"modified":"2012-06-22T11:58:54","modified_gmt":"2012-06-22T11:58:54","slug":"crianas-do-rio-20-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/africa\/crianas-do-rio-20-anos-depois\/","title":{"rendered":"Crian&ccedil;as do Rio, 20 anos depois"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 22\/06\/2012 &ndash; &Eacute; 1992. O pequeno Vusumzi vive com sua m&atilde;e, Mavis, no distrito sul-africano de Thornhill, um dos lugares para onde tiveram que se mudar os negros durante o apartheid, o regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial que discriminava a maioria negra e vigorou at&eacute; dois anos mais tarde. <!--more--> Seu pai acaba de morrer de pneumonia e o trabalho de Mavis, fazendo limpeza, &eacute; tudo o que t&ecirc;m para sobreviver.<\/p>\n<p>Doze anos depois do apartheid, na nova &Aacute;frica do Sul, cerca de 40 pessoas s&atilde;o assassinadas diariamente em lugares como este. &quot;As pessoas est&atilde;o bem at&eacute; que chega o dia do pagamento, que desata a viol&ecirc;ncia&quot;, conta Vusumzi, ent&atilde;o com dez anos. &quot;Frequentemente se embebedam e t&ecirc;m o sal&aacute;rio roubado. Alguns pobres roubam porque est&atilde;o muito famintos&quot;, contou. Diante da pergunta de como ele melhoraria as coisas, respondeu que &quot;impediria que os adultos violassem as crian&ccedil;as&quot;.<\/p>\n<p>Vusumzi &eacute; uma das crian&ccedil;as que a tve acompanhou desde 1992. Durante 20 anos esta organiza&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica sem fins lucrativos filmou as vidas de 11 meninos, nascidos em dez pa&iacute;ses no momento da C&uacute;pula da Terra do Rio de Janeiro, para ver se as promessas de um mundo mais limpo, mais sadio, melhor educado e menos perigoso seriam cumpridas ao longo de suas vidas.<\/p>\n<p>O resultado &eacute; o document&aacute;rio Zero Ten Twenty (Zero Dez Vinte), divulgado durante a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, a Rio+20, no Rio de Janeiro, duas d&eacute;cadas depois daquela C&uacute;pula da Terra. &quot;Agora h&aacute; uma nova c&uacute;pula no Rio e regressamos a cada um desses meninos para descobrir o que aconteceu com eles&quot;, explicou ao TerraViva o diretor Bruno Sorrentino.<\/p>\n<p>A meia hora de carro desde a casa de Vusumzi, Sorrentino encontra outro mundo. Trata-se de uma terra baixa f&eacute;rtil que abriga fazendas pertencentes a brancos. Foi ali que nasceu Justin, em uma &eacute;poca de levantes na prov&iacute;ncia sul-africana de Cabo Oriental. O apartheid acaba de terminar e agricultores brancos, vistos como colonos por movimentos radicais negros, s&atilde;o atacados. O pai de Justin e sua mulher Amanda dormem com um rev&oacute;lver debaixo do colch&atilde;o, e com o aparelho de r&aacute;dio para chamar a pol&iacute;cia caso haja problemas.<\/p>\n<p>Quando o apartheid chega ao fim muitas coisas come&ccedil;am a mudar. Por exemplo, mudam as atitudes das pessoas, conta a fam&iacute;lia de Justin. &quot;As pessoas querem se reunir e fazer o pa&iacute;s funcionar, e que a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica melhore, em lugar de antagonizar entre si&quot;, afirmam. &quot;Trabalham juntos para tentar fazer um lugar melhor&quot;, acrescentam. Quando Justin nasceu, em 1992, apenas as crian&ccedil;as brancas iam &agrave; escola. Mas isso pertence ao passado. &quot;Um amigo n&atilde;o tem necessariamente que ter sua cor. Pode ter qualquer uma, desde que seja um verdadeiro amigo, que sempre te ajude e brinque com voc&ecirc;. N&atilde;o me importa a cor da sua pele&quot;, declara.<\/p>\n<p>Vusumzi e Justin cresceram em uma &Aacute;frica do Sul marcada por um desenvolvimento d&iacute;spar, onde a divis&atilde;o n&atilde;o tinha tanto a ver com a ra&ccedil;a, mas com a riqueza. J&aacute; na universidade, aos 19 anos, Justin sente que tem o futuro em suas m&atilde;os. Ao deixar Queenstown para tr&aacute;s &quot;deixei todas as inseguran&ccedil;as que tinha, todas as coisas de mim mesmo em que n&atilde;o confiava. Agora sinto que me encontrei. Ainda aprendo e cres&ccedil;o, e em termos gerais sei quem sou. E sei onde quero estar. E sei o que preciso fazer para me desenvolver, para crescer. Sou um jovem adulto ambicioso&quot;, resume.<\/p>\n<p>Vusumzi n&atilde;o foi suficientemente feliz para tentar ter uma vida diferente. Quanto tinha 17 anos, sua m&atilde;e teve que sair de casa para procurar emprego em outro povoado. Enquanto ela estava longe, ele foi apunhalado por um rapaz b&ecirc;bado em um ataque na rua. Tr&ecirc;s anos depois, Mavis est&aacute; diante do assassino de seu filho. Quer perdo&aacute;-lo. &quot;Durante 20 anos acompanhamos as vidas destes 11 meninos nascidos quando pela primeira vez os l&iacute;deres mundiais se reuniram para prometer um mundo melhor &agrave;s futuras gera&ccedil;&otilde;es. Foi uma aventura incr&iacute;vel&quot;, descreveu Sorrentino ao TerraViva.<\/p>\n<p>A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o denominador comum nas hist&oacute;rias de todos eles. &quot;Quando comecei n&atilde;o tinha ideia de quais hist&oacute;rias encontraria. Escolhemos os pais, n&atilde;o os beb&ecirc;s. Mas a educa&ccedil;&atilde;o se converteu em um tema realmente forte, ao ser vista como a via universal de sa&iacute;da. Isto n&atilde;o &eacute; nada novo, mas &eacute; interessante ver o quanto &eacute; forte&quot;, observou Sorrentino. O filme, que se divide em tr&ecirc;s epis&oacute;dios, &eacute; parte do projeto multim&iacute;dia Reframing Rio, e foi apresentado no dia 18 deste m&ecirc;s no Rio de Janeiro. Mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o filme podem ser encontradas no site da tve: http:\/\/tve.org. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 22\/06\/2012 &ndash; &Eacute; 1992. 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