{"id":10200,"date":"2012-06-25T09:28:23","date_gmt":"2012-06-25T09:28:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10200"},"modified":"2012-06-25T09:28:23","modified_gmt":"2012-06-25T09:28:23","slug":"rio20-falta-uma-estratgia-para-enfrentar-a-crise-civilizatria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/rio20-falta-uma-estratgia-para-enfrentar-a-crise-civilizatria\/","title":{"rendered":"RIO+20: Falta uma estrat&eacute;gia para enfrentar a &quot;crise civilizat&oacute;ria&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 25\/06\/2012 &ndash; A Conferencia Global para os Assentamentos Humanos (Habitat II), em Istambul h&aacute; 16 anos, foi das mais abertas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, sen&atilde;o a campe&atilde;. Acolheu num grosso volume conclusivo milhares de propostas e recomenda&ccedil;&otilde;es dos participantes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10200\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c88-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10200\" class=\"size-medium wp-image-10200\" title=\"Sociedade civil: desejo de solu&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas para demandas complexas - Ana Libisch\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c88-300x225.jpg\" alt=\"Sociedade civil: desejo de solu&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas para demandas complexas - Ana Libisch\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10200\" class=\"wp-caption-text\">Sociedade civil: desejo de solu&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas para demandas complexas - Ana Libisch<\/p><\/div>  Estava fadado ao esquecimento. &quot;Faltou estrat&eacute;gia&quot;, avaliou Jaime Lerner, certificado como grande urbanista pela inovadora gest&atilde;o de Curitiba d&eacute;cadas atr&aacute;s.<\/p>\n<p>A Rio+20, pela via oposta, terminou tamb&eacute;m sem permitir que se vislumbre uma estrat&eacute;gia para desarmar a armadilha em que se meteu a humanidade. Propostas das ONGs foram exclu&iacute;das. Mas poderia a conferencia governamental, com 99 por cento de pa&iacute;ses capitalistas, digerir as teses anticapitalistas do f&oacute;rum n&atilde;o governamental ?<\/p>\n<p>A Declara&ccedil;&atilde;o Final da C&uacute;pula dos Povos na Rio+20 assume o &quot;desafio urgente de frear a nova fase de recomposi&ccedil;&atilde;o do capitalismo&quot;, em que &quot;o povo organizado e mobilizado&quot; &eacute; a &uacute;nica forma capaz de &quot;libertar o mundo do controle das corpora&ccedil;&otilde;es e do capital financeiro&quot;.<\/p>\n<p>A principal contribui&ccedil;&atilde;o dessa Conferencia sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel pode ser um choque de realismo como est&iacute;mulo a uma reflex&atilde;o, a partir do reconhecimento de realidades ignoradas tanto na pretens&atilde;o de se apontar &quot;O futuro que queremos&quot; no documento oficial, como na de reunir uma &quot;C&uacute;pula dos Povos&quot; no Aterro do Flamengo, sugerindo uma hierarquia rejeitada por esses mesmos &quot;povos&quot; quando se re&uacute;nem no Forum Social Mundial.<\/p>\n<p>Essa busca de novos caminhos j&aacute; come&ccedil;ou. Um movimento lan&ccedil;ado neste s&aacute;bado no Rio de Janeiro, o Rio+20+1 dia ou &quot;Day After&quot;, pretende construir uma proposta de &quot;Um novo Contrato Social para o s&eacute;culo XXI&quot;, atualizando id&eacute;ias do pensador Jean Jacques Rousseau, cujo tricenten&aacute;rio se comemora este ano.<\/p>\n<p>A iniciativa, idealizada pelo diretor executivo da UNITAR (Instituto da ONU para Forma&ccedil;&atilde;o Profissional e Pesquisa), Carlos Lopes, foi inaugurada com a presen&ccedil;a do presidente do Painel Internacional de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC), Rajendra Pachauri, e do economista do ecodesenvolvimento, Ignacy Sachs, entre outros.<\/p>\n<p>H&aacute; um certo consenso sobre a necessidade de um novo padr&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e consumo. Mas seguem indefinidos tal paradigma e o como alcan&ccedil;&aacute;-lo, temas de disc&oacute;rdia inevit&aacute;vel. Ningu&eacute;m, mesmo entre os anticapitalistas da &quot;C&uacute;pula&quot;, fala em revolu&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>O impasse evidenciado pela Rio+20 p&otilde;e em cheque concep&ccedil;&otilde;es voluntaristas. Muitos cobram lideran&ccedil;a com &quot;ousadia, coragem de estadistas&quot; aos atuais ocupantes do poder, como forma de resolver a &quot;crise civilizat&oacute;ria&quot; em que se combinam crises variadas como a ambiental, a econ&ocirc;mica, a social e &eacute;tica. Acaso queremos a volta dos d&eacute;spotas esclarecidos ?<\/p>\n<p>O impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo, coincidindo com a Rio+20, deixa claro que governantes tamb&eacute;m t&ecirc;m seus limites. Devem responder aos interesses reais da sociedade nacional e &agrave; correla&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, que se expressam no poder pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico, n&atilde;o nas pesquisas de opini&atilde;o em que uma maioria diz ter preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais.<\/p>\n<p>A aus&ecirc;ncia de Barack Obama na Rio+20 se atribuiu aos riscos que o mais poderoso homem da Terra enfrenta nas elei&ccedil;&otilde;es de novembro pr&oacute;ximo. Assumir compromissos ambientais amea&ccedil;aria sua reelei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O descompasso entre a din&acirc;mica pol&iacute;tica de curto prazo e o longo prazo das quest&otilde;es ambientais seria outro obst&aacute;culo ao equacionamento dos desafios. Mas est&aacute; fora de cogita&ccedil;&atilde;o alongar os mandatos e exemplos recentes mostram a crescente intoler&acirc;ncia com a longevidade no poder.<\/p>\n<p>Uma nova institucionalidade parece indispens&aacute;vel para enfrentar amea&ccedil;as &agrave; humanidade, como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a redu&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e da disponibilidade de &aacute;gua pot&aacute;vel, a acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos e a desertifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A confer&ecirc;ncia do Rio debilitou o multilateralismo, acatando a tese americana a favor de iniciativas nacionais, contra acordos globais vinculantes, concluiu a ex ministra Marina Silva. A ONU foi &quot;capturada por interesses corporativos&quot;, segundo muitos outros ativistas.<\/p>\n<p>Nesse quadro, n&atilde;o parece prometedor criar uma nova agencia para temas ambientais na ONU, a exemplo da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de ou do Comercio, principal proposta para uma governan&ccedil;a necess&aacute;ria nessa &aacute;rea.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o se avan&ccedil;ou na quest&atilde;o do financiamento do desenvolvimento sustent&aacute;vel. A proposta de pa&iacute;ses emergentes pela cria&ccedil;&atilde;o de um fundo de 30 bilh&otilde;es de d&oacute;lares foi vetada, principalmente pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Mas na reuni&atilde;o das 20 maiores economias, nesta mesma semana no M&eacute;xico, se aprovou um aporte de 456 bilh&otilde;es de d&oacute;lares para o Fundo Monet&aacute;rio Internacional, dos quais 75 bilh&otilde;es oferecidos pelos emergentes do BRICS (Brasil, Russia, India, China e &Aacute;frica do Sul), numa clara indica&ccedil;&atilde;o de que a prioridade &eacute; &quot;salvar os bancos&quot;, se queixam os ativistas.<\/p>\n<p>Diante dessa complexidade dos problemas globais s&atilde;o in&oacute;cuas manifesta&ccedil;&otilde;es tautol&oacute;gicas de que precisamos de novos paradigmas de consumo. H&aacute; medidas de evidente efic&aacute;cia, como a elimina&ccedil;&atilde;o dos subs&iacute;dios aos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, que somavam 409 bilh&otilde;es de d&oacute;lares no ano passado, segundo a Agencia Internacional de Energia. A tend&ecirc;ncia &eacute; de subir para 660 bilh&otilde;es em 2020. Por que n&atilde;o se consegue sequer reduzir esse incentivo &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o da vida, como se tem conseguido em rela&ccedil;&atilde;o ao tabaco?<\/p>\n<p>Outra a&ccedil;&atilde;o de resultados significativos, tanto ambientais como sociais e de sa&uacute;de, &eacute; disseminar fog&otilde;es eficientes a lenha, j&aacute; desenvolvidos, ou mesmo substituir esse combust&iacute;vel ainda usado por tr&ecirc;s bilh&otilde;es de pessoas no mundo.<\/p>\n<p>Falta ao &quot;povo organizado&quot;, na verdade dividido em ONGs, sindicatos, movimentos sociais e entidades variadas com seus objetivos espec&iacute;ficos, uma estrat&eacute;gia comum para tornar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas as experi&ecirc;ncias eficientes na &aacute;rea socioambiental e influir nas decis&otilde;es nacionais e mundiais determinantes para o destino da humanidade.<\/p>\n<p>Os caminhos para uma efic&aacute;cia pol&iacute;tica, reprovada ou descartada a via partid&aacute;ria, deveriam aparentemente merecer uma maior reflex&atilde;o por parte dos militantes. (TerraViva)<\/p>\n<p>* Publicado originalmente no site TerraViva. (IPS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 25\/06\/2012 &ndash; A Conferencia Global para os Assentamentos Humanos (Habitat II), em Istambul h&aacute; 16 anos, foi das mais abertas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, sen&atilde;o a campe&atilde;. 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