{"id":10216,"date":"2012-06-26T09:13:32","date_gmt":"2012-06-26T09:13:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10216"},"modified":"2012-06-26T09:13:32","modified_gmt":"2012-06-26T09:13:32","slug":"reportagem-mudana-climtica-espera-de-um-desastre-comovedor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/reportagem-mudana-climtica-espera-de-um-desastre-comovedor\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Mudan&ccedil;a clim&aacute;tica: &Agrave; espera de um desastre comovedor"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 26\/06\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- As dificuldades para acordar uma redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de gases contaminantes, evidentes na Rio+20, poder&atilde;o ser vencidas com um evento clim&aacute;tico de envergadura suficiente para sensibilizar a humanidade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10216\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/583_inundaciones_La_Habana_Patricia_GroggIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10216\" class=\"size-medium wp-image-10216\" title=\"A consci&ecirc;ncia sobre a deteriora&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute; despertada diante da recorr&ecirc;ncia de desastres como os causados em 2005 em Cuba pelo furac&atilde;o Wilma - Patricia Grogg\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/583_inundaciones_La_Habana_Patricia_GroggIPS.jpg\" alt=\"A consci&ecirc;ncia sobre a deteriora&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute; despertada diante da recorr&ecirc;ncia de desastres como os causados em 2005 em Cuba pelo furac&atilde;o Wilma - Patricia Grogg\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10216\" class=\"wp-caption-text\">A consci&ecirc;ncia sobre a deteriora&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute; despertada diante da recorr&ecirc;ncia de desastres como os causados em 2005 em Cuba pelo furac&atilde;o Wilma - Patricia Grogg\/IPS<\/p><\/div>  As cat&aacute;strofes s&atilde;o as novas parteiras da hist&oacute;ria. Contudo, t&ecirc;m que repercutir de forma intensa, como os acidentes de Chernobyl, em 1986, e Fukushima, no ano passado, que levaram governos a interromper e inclusive abolir seus programas de energia nuclear. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, &quot;o desastre tem que ser suficiente para mudar as mentes, mas n&atilde;o t&atilde;o forte que fuja ao controle&quot;, afirmou ao Terram&eacute;rica o reitor em&eacute;rito da Universidade para a Paz da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Martin Lees.<\/p>\n<p>Para limitar o aquecimento global e seus impactos exige-se uma redu&ccedil;&atilde;o &quot;r&aacute;pida e profunda&quot; das emiss&otilde;es de gases-estufa, diz o documento Action to Face the Urgent Realities of Climate Change (A&ccedil;&atilde;o para Enfrentar as Realidades Urgentes da Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica), que seus autores preferem chamar de declara&ccedil;&atilde;o. Este estudo foi apresentado na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, a Rio+20, pelo Grupo de Trabalho sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (CCTF), criado em 2009 pelo ex-l&iacute;der sovi&eacute;tico Mikhail Gorbachov (1985-1991) e integrado por vinte ex-governantes, cientistas e especialistas, como Lees.<\/p>\n<p>As emiss&otilde;es crescem a um ritmo superior ao pior cen&aacute;rio previsto pelo Grupo Internacional de Especialistas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (IPCC), que projetou um aumento da temperatura do planeta que seria insuport&aacute;vel, superior a seis graus at&eacute; 2100. Por&eacute;m, &eacute; prov&aacute;vel que os cientistas do IPCC estejam &quot;subestimando&quot; essa evolu&ccedil;&atilde;o, devido &agrave; cautela e &agrave;s regras acad&ecirc;micas, alerta o documento do CCTF. Apesar destes alertas, este assunto praticamente n&atilde;o foi abordado na Rio+20, encontro que celebra a C&uacute;pula da Terra realizada tamb&eacute;m no Rio de Janeiro h&aacute; 20 anos, na qual foram aprovadas as conven&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, biodiversidade e desertifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A dificuldade para alcan&ccedil;ar acordos e o fracasso das negocia&ccedil;&otilde;es nas confer&ecirc;ncias das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica em 2009, em Copenhague, e em 2010, em Canc&uacute;n, levaram os governantes a evitar a quest&atilde;o do clima e suas &quot;polariza&ccedil;&otilde;es&quot;, segundo Lees. A justificativa mais mencionada foi a crise global, que enfrentam principalmente pa&iacute;ses da Europa, mas &eacute; &quot;um erro extremamente perigoso pensar que devemos tratar primeiro da economia e depois do clima&quot;, segundo o CCTF, que tem como &uacute;nico membro latino-americano o ex-presidente chileno Ricardo Lagos (2000-2006).<\/p>\n<p>Enquanto as crises econ&ocirc;mica e financeira s&atilde;o conjunturais e foram superadas muitas vezes, a clim&aacute;tica pode produzir riscos incontrol&aacute;veis e irrevers&iacute;veis, afirmam os autores do documento. A urg&ecirc;ncia de uma forte redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases-estufa se acentua pelo fato de ser temer&aacute;ria a meta de limitar a dois cent&iacute;grados a eleva&ccedil;&atilde;o da temperatura do planeta at&eacute; 2100.<\/p>\n<p>Se os efeitos de um aquecimento de apenas oito d&eacute;cimos de grau desde a &eacute;poca pr&eacute;-industrial at&eacute; agora s&atilde;o &quot;alarmantes&quot;, imagine dois graus, afirma o CCTF. Al&eacute;m disso, a m&eacute;dia de dois graus significa que em algumas regi&otilde;es cr&iacute;ticas do mundo o aumento ser&aacute; de quatro graus, acrescenta. Ainda mais preocupante &eacute; a possibilidade de alguns processos estarem chegando ao ponto de inflex&atilde;o, no qual a retroalimenta&ccedil;&atilde;o os torna irrevers&iacute;veis e acelerados, diz a declara&ccedil;&atilde;o do CCTF.<\/p>\n<p>O degelo do &Aacute;rtico aumenta a absor&ccedil;&atilde;o de energia pelo mar, ao existir menos gelo para refletir a radia&ccedil;&atilde;o solar, aquecendo as &aacute;guas e ampliando mais ainda esse processo, ressalta o estudo. Com sua destrui&ccedil;&atilde;o, as florestas capturam menos g&aacute;s carb&ocirc;nico e passam a liber&aacute;-lo na atmosfera, elevando a temperatura local. A eleva&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono fez crescer em 30% a acidez dos oceanos nos dois &uacute;ltimos s&eacute;culos, reduzindo sua capacidade de reter esses gases contaminantes, realimentando a acidifica&ccedil;&atilde;o e a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>A gravidade do processo de aquecimento da Terra &eacute; reconhecida de forma quase consensual, mas falta uma a&ccedil;&atilde;o acordada globalmente. Por isto, o chamado &agrave; a&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho, que reconhece como positivas algumas iniciativas isoladas, como a economia de baixo carbono buscada pela Su&eacute;cia e a amplia&ccedil;&atilde;o de tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&otilde;es verdes na Coreia do Sul.<\/p>\n<p>Entretanto, a c&uacute;pula Rio+20 &quot;n&atilde;o deu a devida aten&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;, deixando sem sentido as demais quest&otilde;es e tarefas discutidas, lamentou Gorbachov. A burocracia da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com as dif&iacute;ceis rela&ccedil;&otilde;es entre suas ag&ecirc;ncias, tamb&eacute;m contribuiu para evitar o tema na confer&ecirc;ncia, disse Alexander Likhotal, presidente da Cruz Verde Internacional. O sistema pol&iacute;tico multilateral se esgotou ao render-se &agrave; &quot;cobi&ccedil;a nacional&quot; e tolerar a superexplora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, acrescentou.<\/p>\n<p>O Grupo de Trabalho recomenda sete linhas de a&ccedil;&atilde;o, entre elas a preserva&ccedil;&atilde;o do &quot;capital natural&quot;, aumento das capacidades comunit&aacute;rias para mitigar e adaptar-se &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, solu&ccedil;&otilde;es de baixo custo e mobiliza&ccedil;&atilde;o de financiamento p&uacute;blico e privado, al&eacute;m de uma dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de gases-estufa. A crise clim&aacute;tica, que deve &quot;estar no centro dos esfor&ccedil;os para garantir o desenvolvimento sustent&aacute;vel do planeta&quot;, segundo Likhotal, ganhou esse status ap&oacute;s a C&uacute;pula da Terra de 1992, com as conven&ccedil;&otilde;es das partes, e depois com o Protocolo de Kyoto assinado em 1997, estabelecendo metas e obriga&ccedil;&otilde;es, apesar de n&atilde;o contar com a ades&atilde;o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, a preocupa&ccedil;&atilde;o mundial com o tema sofreu altos e baixos. Pouco depois desses acordos, um ter&ccedil;o dos norte-americanos considerava a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica um &quot;s&eacute;rio&quot; problema, mas esse &iacute;ndice caiu para 40% gra&ccedil;as &agrave;s campanhas de descr&eacute;dito, explicou Lees, cientista brit&acirc;nico que exerceu diversas fun&ccedil;&otilde;es em empresas, governo e na ONU. A conscientiza&ccedil;&atilde;o de sua gravidade est&aacute; voltando por causa dos eventos clim&aacute;ticos extremos, ressaltou.<\/p>\n<p>A sociedade deve pressionar seus governos e responsabiliz&aacute;-los por medidas e metas necess&aacute;rias, defendeu Samantha Smith, que est&aacute; &agrave; frente da Iniciativa Global sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica e Energia, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). &Eacute; o que fizeram os brasileiros para evitar uma revis&atilde;o mais destrutiva do C&oacute;digo Florestal, que continua em debate, citou a ativista em uma entrevista coletiva na Rio+20. As trag&eacute;dias, como deslizamentos e inunda&ccedil;&otilde;es, que no ano passado mataram quase mil pessoas no Estado do Rio de Janeiro, foram um forte argumento para aprovar uma lei que impe&ccedil;a o desmatamento.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, os desastres locais, dispersos ou invis&iacute;veis para o cidad&atilde;o comum, como a perda de biodiverisdade, ainda n&atilde;o parecem suficientes para induzir pol&iacute;ticas e acordos internacionais. J&aacute; Fukushima, por seu impacto, sepultou por algum tempo muitos projetos nucleares, que tamb&eacute;m haviam perdido apoio ap&oacute;s o acidente de Chernobyl, mas que vinha recuperando-o em boa parte pelo medo da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. &quot;Temo que apenas uma grande cat&aacute;strofe&quot;, de efeitos maci&ccedil;os, for&ccedil;ar&aacute; as mudan&ccedil;as necess&aacute;rias, disse o bi&oacute;logo brit&acirc;nico Jonathan Baillie em entrevista ao TerraViva, o jornal di&aacute;rio da IPS publicado na Rio+20.<\/p>\n<p>* Com a colabora&ccedil;&atilde;o de Fab&iacute;ola Ortiz (Rio de Janeiro).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 26\/06\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- As dificuldades para acordar uma redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de gases contaminantes, evidentes na Rio+20, poder&atilde;o ser vencidas com um evento clim&aacute;tico de envergadura suficiente para sensibilizar a humanidade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/reportagem-mudana-climtica-espera-de-um-desastre-comovedor\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[21],"class_list":["post-10216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}