{"id":10218,"date":"2012-06-26T09:31:53","date_gmt":"2012-06-26T09:31:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10218"},"modified":"2012-06-26T09:31:53","modified_gmt":"2012-06-26T09:31:53","slug":"ciberativistas-no-tm-descanso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/direitos-humanos\/ciberativistas-no-tm-descanso\/","title":{"rendered":"Ciberativistas n&atilde;o t&ecirc;m descanso"},"content":{"rendered":"<p>Floren&ccedil;a, It&aacute;lia, 26\/06\/2012 &ndash; Um ano e meio depois do come&ccedil;o do levante popular conhecido como Primavera &Aacute;rabe, os ativistas que utilizavam as redes sociais da internet sentem que ainda t&ecirc;m muito a fazer em sua luta por direitos humanos, democracia e transpar&ecirc;ncia. <!--more--> Muitos dos principais ativistas da Tun&iacute;sia, onde surgiu o levante popular do Oriente M&eacute;dio e Norte da &Aacute;frica, n&atilde;o est&atilde;o satisfeitos com os resultados da revolta e visam a objetivos mais ambiciosos: transpar&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es governamentais, controle dos processos eleitorais e aboli&ccedil;&atilde;o das leis que restringem a liberdade na internet.<\/p>\n<p>&quot;Pretendemos continuar desenvolvendo esta engenharia social&quot;, disse Kerim Bouzouita, jornalista e ativista da Tun&iacute;sia, durante a confer&ecirc;ncia Meios Sociais e Direitos Humanos, organizada no come&ccedil;o desta semana, na cidade italiana de Floren&ccedil;a, pelo Centro Robert F. Kennedy para Justi&ccedil;a e Direitos Humanos. &quot;A derrota do regime do ex-presidente tunisiano Abidine Ben Ali e a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es livres n&atilde;o s&atilde;o suficientes. Estou convencido de que &eacute; o momento de visar a abertura de dados, o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e uma governan&ccedil;a aberta. Creio que precisamos abrir os arquivos da pol&iacute;cia secreta&quot;, afirmou. &quot;Deten&ccedil;&otilde;es e torturas, devemos investigar estes fatos que caracterizaram a ditadura e lan&ccedil;ar uma luz sobre eles. Se n&atilde;o enfrentarmos os males passados n&atilde;o poderemos enfrentar o futuro&quot;, acrescentou Bouzouita.<\/p>\n<p>Os &quot;dissidentes inteligentes&quot; t&ecirc;m uma longa hist&oacute;ria, que remonta a 1998, quando um grupo de ciberativistas criou uma lista de e-mails que se transformou em um site chamado Takriz. Riadh Guerfali e outros companheiros come&ccedil;aram em 2001 a escrever no Tunezine, a primeira plataforma na internet totalmente dedicada a quest&otilde;es de direitos humanos. Alguns artigos foram redigidos pelo atual presidente da Tun&iacute;sia, Moncef Marzouki, ex-presidente da Comiss&atilde;o &Aacute;rabe para os Direitos Humanos.<\/p>\n<p>&quot;A Human Rights Watch e a Anistia Internacional j&aacute; haviam publicado alguns documentos sobre viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos na Tun&iacute;sia, mas se caracterizavam por uma linguagem formal&quot;, apontou Bouzouita. &quot;No Tunezine os artigos est&atilde;o escritos em um dialeto tunisiano para criar uma conex&atilde;o direta, uma verdadeira aproxima&ccedil;&atilde;o com os cibercidad&atilde;os&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Guerfali lan&ccedil;ou em 2004 o site Nawaat, dedicado aos direitos humanos, que conseguiu burlar as r&iacute;gidas leis de censura mediante servidores proxy que servem de intermedi&aacute;rios entre o cliente e o servidor, permitindo uma navega&ccedil;&atilde;o an&ocirc;nima. &quot;No come&ccedil;o t&iacute;nhamos cerca de cem mil visitas por m&ecirc;s. Desde 2011 temos aproximadamente 1,8 milh&atilde;o&quot;, detalhou Bouzouita. &quot;A Tun&iacute;sia se orgulha de ter uma comunidade de ciberativistas muito avan&ccedil;ada, inclu&iacute;dos dois partidos piratas inspirados em agrupa&ccedil;&otilde;es semelhantes da Europa, que se definem como sendo nem de esquerda nem de direita, mas avan&ccedil;ados&quot;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m h&aacute; ciberativistas operando na S&iacute;ria h&aacute; anos. O engenheiro Ayman Abdel Nour, de Damasco, que tamb&eacute;m participou da confer&ecirc;ncia em Floren&ccedil;a, se referiu &agrave; origem de seu site All4Syria (Todos pela S&iacute;ria), como uma das ferramentas mais importantes da dissid&ecirc;ncia contra o regime de Bashar al Assad. &quot;Comecei em 2003 com uma lista de 50 endere&ccedil;os de e-mails. Ofereci aos assinantes tradu&ccedil;&otilde;es de todos os artigos sobre a S&iacute;ria que estavam proibidos em nosso pa&iacute;s. Depois de alguns meses chegamos a 15 mil leitores. Agora o site conta com cerca de 50 mil visitas por dia&quot;, observou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de reunir fotos, v&iacute;deos e testemunhos, como muitos outros sites, o All4Syria oferece um servi&ccedil;o adicional: obter e publicar dados oficiais. &quot;&Eacute; uma esp&eacute;cie de Wikileakes s&iacute;rio&quot;, explicou Nour. &quot;Muitos funcion&aacute;rios colaboram conosco. Essa gente desafia o regime, mas temem perder a vida e a de suas fam&iacute;lias&quot;, lamentou. Entre os dados publicados desde o come&ccedil;o da revolta na S&iacute;ria, Nour citou &quot;uma lista de diplomatas s&iacute;rios que seriam realocados no mundo e outra de oficiais do ex&eacute;rcito promovidos&quot;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m dos funcion&aacute;rios, os sites independentes contam com a colabora&ccedil;&atilde;o de jornalistas que trabalham para meios estatais e que escrevem artigos usando pseud&ocirc;nimo, informou Nour, que est&aacute; exilado em Dubai, onde trabalha desde 2007 para o canal independente Orient TV. &quot;Em 2010, entrevistei os principais opositores pol&iacute;ticos s&iacute;rios residentes no exterior. Senti que a raiva come&ccedil;ava a surgir e que logo meu povo se levantaria contra o regime. Soube disso pelas crescentes reclama&ccedil;&otilde;es de liberdade de informa&ccedil;&atilde;o, as pessoas est&atilde;o sedentas de democracia&quot;, pontuou.<\/p>\n<p>Sobre as mudan&ccedil;as em mat&eacute;ria de religi&atilde;o do movimento pr&oacute;-democr&aacute;tico, Nour explicou que &quot;&eacute; bastante normal, esta gente est&aacute; com raiva porque o regime de Assad matou seus familiares. Se voltaram para a religi&atilde;o a fim de encontrarem raz&otilde;es para sua luta. Mas depois que cair o regime tudo ser&aacute; diferente&quot;. Na S&iacute;ria &quot;h&aacute; 17 grupos &eacute;tnicos e religiosos. Ser&aacute; essencial apoiar-se sobre um sistema de poder compartilhado, baseado em democracia e participa&ccedil;&atilde;o feminina&quot;, insistiu. O empoderamento feminino est&aacute; arraigado na vizinha Jord&acirc;nia, com apoio da florescente comunidade de ciberativistas.<\/p>\n<p>&quot;Nos &uacute;ltimos anos obtivemos &ecirc;xitos significativos&quot;, contou &agrave; IPS a jornalista e defensora dos direitos humanos Rana Husseini, que come&ccedil;ou a escrever artigos sobre mulheres mortas por familiares em assassinatos por honra, crime pelo qual o respons&aacute;vel recebe uma pena de apenas tr&ecirc;s meses de pris&atilde;o. &quot;Quando comecei a denunciar as hist&oacute;rias destas jovens assassinadas por seus pr&oacute;prios pais e maridos, e punidas por seu &#39;comportamento imoral&#39;, todos me disseram que perdia meu tempo porque n&atilde;o ia derrotar a cultura tradicional&quot;, recordou a jornalista.<\/p>\n<p>&quot;Agora, passados alguns anos, e tamb&eacute;m gra&ccedil;as &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de alguns membros da fam&iacute;lia real, j&aacute; n&atilde;o existe a lei de honra. Um homem que matar uma mulher por essas raz&otilde;es pode pegar de dez anos at&eacute; pris&atilde;o perp&eacute;tua&quot;, enfatizou Husseini. A ativista acredita que o extraordin&aacute;rio resultado obtido se deve n&atilde;o apenas &agrave; sua perseveran&ccedil;a, mas tamb&eacute;m ao apoio da m&iacute;dia, que decidiu romper o tabu. &quot;Agora h&aacute; uma p&aacute;gina do Facebook em que as pessoas podem denunciar viola&ccedil;&otilde;es dos direitos das mulheres. &Eacute; um passo importante j&aacute; que o acesso &agrave; internet aumentou drasticamente&quot;, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Floren&ccedil;a, It&aacute;lia, 26\/06\/2012 &ndash; Um ano e meio depois do come&ccedil;o do levante popular conhecido como Primavera &Aacute;rabe, os ativistas que utilizavam as redes sociais da internet sentem que ainda t&ecirc;m muito a fazer em sua luta por direitos humanos, democracia e transpar&ecirc;ncia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/direitos-humanos\/ciberativistas-no-tm-descanso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1266,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[18,16],"class_list":["post-10218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-europa","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10218","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1266"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10218"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10218\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}