{"id":10223,"date":"2012-06-27T09:51:47","date_gmt":"2012-06-27T09:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10223"},"modified":"2012-06-27T09:51:47","modified_gmt":"2012-06-27T09:51:47","slug":"coluna-frica-europa-preciso-pr-fim-s-relaes-desiguais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/africa\/coluna-frica-europa-preciso-pr-fim-s-relaes-desiguais\/","title":{"rendered":"COLUNA: &Aacute;frica-Europa: &eacute; preciso p&ocirc;r fim &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es desiguais"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 27\/06\/2012 &ndash; Vivemos em um mundo que muda rapidamente. O modelo da globaliza&ccedil;&atilde;o e do livre mercado &eacute; questionado. <!--more--> Nos perguntamos se n&atilde;o ser&aacute; o capitalismo, guiado pela m&atilde;o forte do Estado, o pr&oacute;ximo modelo a seguir. O fato &eacute; que os principais mercados de &Aacute;frica, Estados Unidos e Uni&atilde;o Europeia (UE), est&atilde;o paralisados ou afundando. Por outro lado, nossos mercados est&atilde;o crescendo, junto com os das economias emergentes.<\/p>\n<p>Embora as exporta&ccedil;&otilde;es possam ser um instrumento muito importante para nossa estrat&eacute;gia global de desenvolvimento, na verdade s&atilde;o apenas um pilar. A principal sustenta&ccedil;&atilde;o deve ser o incremento de nossas capacidades de produ&ccedil;&atilde;o interna, de diversifica&ccedil;&atilde;o, de industrializa&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola.<\/p>\n<p>Em seu caminho para o desenvolvimento, a &Aacute;frica n&atilde;o pode continuar exportando uma reduzida s&eacute;rie de mat&eacute;rias-primas e importando uma ampla variedade de bens acabados.<\/p>\n<p>Em setembro de 2011, a Comiss&atilde;o Europeia prop&ocirc;s excluir 16 pa&iacute;ses africanos da Regulamenta&ccedil;&atilde;o de Acesso ao Mercado da UE 1528\/2007, que permitia &agrave;s na&ccedil;&otilde;es africanas que aceitavam um Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica (AAE) desfrutarem do acesso livre de impostos ao mercado da UE, se dessem passos para a assinatura ou ratifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A regulamenta&ccedil;&atilde;o proporcionava aos nossos pa&iacute;ses a cobertura necess&aacute;ria, enquanto continuavam negociando com a UE as quest&otilde;es dif&iacute;ceis dos impostos para exporta&ccedil;&atilde;o, do grau de liberaliza&ccedil;&atilde;o e da ajuda ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>Embora as negocia&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tenham terminado, a UE diz agora que se Gana, Qu&ecirc;nia, Nam&iacute;bia (que iniciaram o processo, mas n&atilde;o assinaram), Botsuana, Camar&otilde;es, Costa do Marfim, Suazil&acirc;ndia e Zimb&aacute;bue (que assinaram mas ainda n&atilde;o ratificaram) n&atilde;o ratificarem a AAE antes de 2014, ser&atilde;o eliminados da lista de pa&iacute;ses que recebem a mencionada cobertura.<\/p>\n<p>Neste momento da verdade h&aacute; v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>1. Apenas o Qu&ecirc;nia assina o AAE, a fim de reter suas prefer&ecirc;ncias em flores e pescado. Isso destruiria a uni&atilde;o aduaneira da Comunidade Africana do Leste (CAE), integrada tamb&eacute;m por Uganda, Tanz&acirc;nia, Ruanda e Burundi.<\/p>\n<p>2. Toda a CAE assina o AAE. Neste caso, os pa&iacute;ses menos desenvolvidos (PMD), que n&atilde;o est&atilde;o obrigados a reduzir tarifas alfandeg&aacute;rias nas rodadas de liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), ter&atilde;o que reduzi-las a zero em pelo menos 80% do com&eacute;rcio com a UE. Isso afetar&aacute; seriamente a capacidade de industrializa&ccedil;&atilde;o regional. Como a Uni&atilde;o Europeia continua sendo um grande exportador de alimentos e subsidia seu setor agr&iacute;cola com 60 bilh&otilde;es de euros anuais, tiraria nossos pequenos agricultores dos mercados locais.<\/p>\n<p>3. A regi&atilde;o inteira n&atilde;o assina o AAE. Neste caso o Qu&ecirc;nia perderia sua prefer&ecirc;ncia em flores. Contudo, o quanto este setor &eacute; importante comparado com a abertura do mercado da CAE e da UE e de um real impedimento a uma futura industrializa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>A UE insiste na elimina&ccedil;&atilde;o de tarifas para 80% do com&eacute;rcio e em outras medidas que afetariam os esfor&ccedil;os da &Aacute;frica para industrializar-se e melhorar a cadeia de valor agregado. Assim, a &Aacute;frica continuaria sendo um perp&eacute;tuo fornecedor de mat&eacute;rias-primas.<\/p>\n<p>Quanto ao efeito sobre a seguran&ccedil;a alimentar e a vida da popula&ccedil;&atilde;o rural, a UE n&atilde;o mostra nenhuma inten&ccedil;&atilde;o de abolir seus subs&iacute;dios agr&iacute;colas, que s&atilde;o a principal competi&ccedil;&atilde;o desleal contra os produtores africanos de l&aacute;cteos, carnes, cereais, etc.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao efeito sobre o com&eacute;rcio e a integra&ccedil;&atilde;o regional, os mercados regionais proporcionam &agrave; &Aacute;frica a melhor oportunidade para a diversifica&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Se o AAE nos imp&otilde;e liberalizar 80% do com&eacute;rcio, nossos mercados regionais poder&atilde;o ficar nas m&atilde;os dos produtos da UE. A oportunidade de aumentar o com&eacute;rcio interno, a diversifica&ccedil;&atilde;o e a industrializa&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica se ver&aacute; significativamente reduzida.<\/p>\n<p>Que interesse tem a UE no AAE? Negocia-se este acordo porque a UE quer favorecer a integra&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento africanos ou porque serve, antes de tudo, aos interesses europeus?<\/p>\n<p>Se deixarmos de lado as op&ccedil;&otilde;es 1 (s&oacute; o Qu&ecirc;nia assina o AAE) e a 2 (toda a CAE assina o AAE), quais alternativas restam?<\/p>\n<p>Desde 2007, as exporta&ccedil;&otilde;es interafricanas ultrapassaram as exporta&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o para a UE. O total das vendas da CAE para a Uni&atilde;o Europeia foi de US$ 2,5 bilh&otilde;es em 2008, enquanto as exporta&ccedil;&otilde;es para a &Aacute;frica chegaram a US$ 3,2 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Portanto, a &Aacute;frica deve fazer suas as conclus&otilde;es do Informe da Comiss&atilde;o Sul: &quot;Ao mobilizar todo seu poder latente, o Sul tem, primeiro, que garantir que suas economias sejam alimentadas e que seu crescimento n&atilde;o seja apenas um subproduto do crescimento do Norte. O Sul precisa expandir sua presen&ccedil;a nos mercados do Norte, o que implica melhorar o acesso e reduzir o protecionismo&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Entretanto, parece claro que as economias locomotivas do Norte n&atilde;o impulsionar&atilde;o o trem das economias do Sul a um ritmo que satisfa&ccedil;a seus passageiros, ou seja, o povo do Sul. O poder de locomotiva deve ser gerado ao m&aacute;ximo poss&iacute;vel dentro das pr&oacute;prias economias do Sul&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Benjamin W. Mkapa &eacute; ex-presidente da Tanz&acirc;nia e presidente do South Centre em Genebra (www.southcentre.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 27\/06\/2012 &ndash; Vivemos em um mundo que muda rapidamente. 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