{"id":10230,"date":"2012-06-28T09:50:56","date_gmt":"2012-06-28T09:50:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10230"},"modified":"2012-06-28T09:50:56","modified_gmt":"2012-06-28T09:50:56","slug":"rio20-falhou-tambm-com-as-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/rio20-falhou-tambm-com-as-mulheres\/","title":{"rendered":"Rio+20 falhou (tamb&eacute;m) com as mulheres"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 28\/06\/2012 &ndash; A resolu&ccedil;&atilde;o final da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20) negou a conquista feminina de decidir livremente sobre a maternidade, pelo triunfo de uma agenda &quot;conservadora&quot;. <!--more--> Com o aval da ONU Mulheres, dos Estados Unidos e do Brasil, a Rio+20 terminou no dia 22 com a exclus&atilde;o do documento final de refer&ecirc;ncias aos direitos sexuais e reprodutivos, segundo as organiza&ccedil;&otilde;es feministas presentes, ou n&atilde;o, na c&uacute;pula realizada no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Lydia Alp&iacute;zar, diretora no M&eacute;xico da Associa&ccedil;&atilde;o para os Direitos da Mulher e o Desenvolvimento (Awid), alertou que a declara&ccedil;&atilde;o da Rio+20 falou das mulheres, mas sem mencionar claramente seus direitos. Segundo Alp&iacute;zar, que esteve presente na c&uacute;pula, Vaticano, Egito e S&iacute;ria lideraram um bloco de pa&iacute;ses que promoveram que na resolu&ccedil;&atilde;o final ficassem termos como &quot;planejamento familiar&quot; e n&atilde;o direitos sexuais. Isto significa, afirmou a ativista, que em n&iacute;vel global persiste uma &quot;vis&atilde;o conservadora&quot;, pela qual o &uacute;nico papel das mulheres &eacute; a reprodu&ccedil;&atilde;o, e que, portanto, exercer sua sexualidade n&atilde;o &eacute; considerado um direito.<\/p>\n<p>O documento final da Rio+20 gerou grande pol&ecirc;mica entre mulheres de organiza&ccedil;&otilde;es civis de todo o mundo que participaram da C&uacute;pula dos Povos, o f&oacute;rum paralelo &agrave; confer&ecirc;ncia oficial. De fato, a sociedade civil se declarou frustrada pelo &quot;completo fracasso&quot; da c&uacute;pula. No caso das mulheres, as maci&ccedil;as cr&iacute;ticas obrigaram a diretora da ONU Mulheres, a chilena Michelle Bachelet, a secret&aacute;ria de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e a presidente e anfitri&atilde; do encontro, Dilma Rousseff, a se pronunciarem a respeito.<\/p>\n<p>Bachellet reconheceu que se poderia ter melhorado a reda&ccedil;&atilde;o da agenda, mas que &quot;a igualdade de g&ecirc;nero e o empoderamento das mulheres em todos os contextos institucionais fazem parte do resultado final do documento. Clinton garantiu que na declara&ccedil;&atilde;o foi inclu&iacute;do &quot;o essencial&quot;, e, diante de um grupo de descontentes, afirmou que &quot;as mulheres t&ecirc;m que ter o poder de tomar decis&otilde;es sobre quando e onde desejam ter filhos&quot;. Acusada de &quot;trair&quot; o movimento feminista, Dilma afirmou que &quot;no Brasil estamos investindo para superar dificuldades e precariedades no acesso aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de, com pleno exerc&iacute;cio dos direitos sexuais e reprodutivos&quot;. Pior do que na C&uacute;pula da Terra.<\/p>\n<p>&Agrave; enxurrada de Vaticano, Egito e S&iacute;ria contra iniciativas de incluir os direitos das mulheres, somaram-se os governos de Chile, Costa Rica, Honduras, Nicar&aacute;gua, Rep&uacute;blica Dominicana e R&uacute;ssia, segundo denunciaram os grupos de mulheres. Como resultado, a declara&ccedil;&atilde;o final da Rio+20 contrastou negativamente com o alcan&ccedil;ado em favor dos direitos da popula&ccedil;&atilde;o feminina h&aacute; 20 anos, na C&uacute;pula da Terra, organizada pela ONU tamb&eacute;m no Rio de Janeiro. H&aacute; 20 anos, o movimento de mulheres conseguiu que o documento final, conhecido como Agenda 21, inclu&iacute;sse um cap&iacute;tulo exclusivo para as mulheres. Este ano n&atilde;o foi assim.<\/p>\n<p>Na Agenda 21 foi assegurado que os compromissos seriam alcan&ccedil;ados por meio de pol&iacute;ticas, diretrizes nacionais e planos que garantissem a igualdade em todos os aspectos da sociedade, incluindo a participa&ccedil;&atilde;o ativa das mulheres na tomada de decis&otilde;es e no manejo ambiental. O cap&iacute;tulo espec&iacute;fico sobre mulheres, o 24, tem o t&iacute;tulo Medidas mundiais a favor da mulher para conseguir um desenvolvimento sustent&aacute;vel e equitativo. Ali se pede aos governos o fim de obst&aacute;culos constitucionais, jur&iacute;dicos, administrativos, culturais, sociais, econ&ocirc;micos e de comportamento, que impedem a plena participa&ccedil;&atilde;o das mulheres no desenvolvimento sustent&aacute;vel e na vida p&uacute;blica.<\/p>\n<p>J&aacute; na declara&ccedil;&atilde;o final da Rio+20 n&atilde;o s&oacute; inexiste um cap&iacute;tulo sobre as mulheres como h&aacute; apenas refer&ecirc;ncias a elas em 50 ocasi&otilde;es, sem nunca falar de seus direitos espec&iacute;ficos, criticaram organiza&ccedil;&otilde;es sociais. O par&aacute;grafo 45 do documento diz que as mulheres podem contribuir para se alcan&ccedil;ar o desenvolvimento sustent&aacute;vel, e se reconhece a fun&ccedil;&atilde;o de sua lideran&ccedil;a. Os governos signat&aacute;rios afirmam que promover&atilde;o a igualdade entre os g&ecirc;neros e o empoderamento da mulher. No 145 se destaca a necessidade de proporcionar acesso universal &agrave; sa&uacute;de reprodutiva, inclu&iacute;do o planejamento familiar e a sa&uacute;de sexual, e de integrar a sa&uacute;de reprodutiva nas estrat&eacute;gias e nos programas nacionais.<\/p>\n<p>Entretanto, acusaram as feministas da sociedade civil, n&atilde;o se falou do conceito &quot;direitos sexuais e reprodutivos&quot;, nem do direito de as mulheres exercerem livremente sua maternidade e o espa&ccedil;amento entre o nascimento dos filhos. A acad&ecirc;mica da Universidade Aut&ocirc;noma do M&eacute;xico, Gloria Carega, qualificou de &quot;alarmante&quot; o ocorrido no Rio de Janeiro. Segundo disse, teme-se que o desconhecimento na declara&ccedil;&atilde;o final dos direitos das mulheres como fator de desenvolvimento influenciem na pr&oacute;xima grande confer&ecirc;ncia e tamb&eacute;m que nela seja dado um passo atr&aacute;s quanto &agrave;s demandas femininas recolhidas na declara&ccedil;&atilde;o final.<\/p>\n<p>Em 2014, a ONU realizar&aacute; a Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento, conhecida como Cairo+20, porque na capital eg&iacute;pcia nesse ano ser&aacute; avaliado o andamento das pol&iacute;ticas duas d&eacute;cadas ap&oacute;s a c&uacute;pula anterior sobre esse tema. Em 1994, a confer&ecirc;ncia concluiu com um plano de a&ccedil;&atilde;o que representou uma grande mudan&ccedil;a no debate internacional sobre a vincula&ccedil;&atilde;o entre popula&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento, porque foram estabelecidas normas de atua&ccedil;&atilde;o e se foi al&eacute;m do controle demogr&aacute;fico. A confer&ecirc;ncia do Cairo assentou as bases para que as pol&iacute;ticas de popula&ccedil;&atilde;o sejam abordadas com uma perspectiva social, que leve em conta a condi&ccedil;&atilde;o da mulher e seus direitos em mat&eacute;ria de sa&uacute;de reprodutiva. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Uma vers&atilde;o deste artigo foi publicada originalmente pela ag&ecirc;ncia mexicana de not&iacute;cias de Comunica&ccedil;&atilde;o e Informa&ccedil;&atilde;o da Mulher AC, Cimac.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 28\/06\/2012 &ndash; A resolu&ccedil;&atilde;o final da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20) negou a conquista feminina de decidir livremente sobre a maternidade, pelo triunfo de uma agenda &quot;conservadora&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/mundo\/rio20-falhou-tambm-com-as-mulheres\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,4],"tags":[21,24],"class_list":["post-10230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10230\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}