{"id":10232,"date":"2012-06-28T09:56:51","date_gmt":"2012-06-28T09:56:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10232"},"modified":"2012-06-28T09:56:51","modified_gmt":"2012-06-28T09:56:51","slug":"economia-verde-divide-a-sia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/economia\/economia-verde-divide-a-sia\/","title":{"rendered":"Economia verde divide a &Aacute;sia"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail&acirc;ndia, 28\/06\/2012 &ndash; A c&uacute;pula Rio+20 fez ressaltar o descontentamento de ativistas e de alguns governos da &Aacute;sia com os conceitos de &quot;economia verde&quot; e &quot;crescimento verde&quot;, considerados uma fachada para manter um modelo que depreda os recursos naturais. <!--more--> A Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica e Social para a &Aacute;sia e o Pac&iacute;fico (Cespap), ag&ecirc;ncia regional da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) integrada por 58 pa&iacute;ses, &eacute; favor&aacute;vel a empregar esses enfoques, mas gigantes como China, &Iacute;ndia, Ir&atilde; e R&uacute;ssia s&atilde;o contra.<\/p>\n<p>A economia verde promove transforma&ccedil;&otilde;es nas formas de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo para atender as problem&aacute;ticas ambientais, mediante a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e atribuindo valor econ&ocirc;mico aos bens naturais. Ativistas afirmam que este enfoque s&oacute; refor&ccedil;a o atual modelo de desenvolvimento, baseado na produ&ccedil;&atilde;o e no consumo excessivos. Esta diverg&ecirc;ncia ficou evidente nos dias finais da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), realizada este m&ecirc;s no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O embaixador chin&ecirc;s na Tail&acirc;ndia, Guan Mu, publicou no dia 21 uma longa coluna no jornal The Nation, de Bangcoc, destacando a import&acirc;ncia do desenvolvimento sustent&aacute;vel, mas evitando sempre usar conceitos como &quot;economia verde&quot; ou &quot;crescimento verde&quot;. &quot;A China n&atilde;o s&oacute; encontrou o caminho para um desenvolvimento sustent&aacute;vel adequado &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es nacionais, como fez importantes contribui&ccedil;&otilde;es ao desenvolvimento sustent&aacute;vel em todo o mundo&quot;, afirmou. &quot;A China est&aacute; disposta a fortalecer a coopera&ccedil;&atilde;o e a unir esfor&ccedil;os com outras partes para fazer mais contribui&ccedil;&otilde;es ao desenvolvimento sustent&aacute;vel global sob o princ&iacute;pio de responsabilidades comuns mas diferenciadas&quot;, destacou.<\/p>\n<p>No dia anterior, em Manila, ativistas liderados pela Kalikasan, uma rede de grupos ambientalistas com sede nas Filipinas, protestaram diante da embaixada dos Estados Unidos contra a economia verde porque &quot;enriquece as corpora&ccedil;&otilde;es&quot;. &quot;N&oacute;s, o povo, a quem n&atilde;o permitem falar na Rio+20 e que vemos nossos direitos pisoteados, n&atilde;o nos calaremos&quot;, afirmou durante o protesto a secret&aacute;ria-geral da Asia Pacific Research Network, Lyn Pano. &quot;Fortaleceremos nossas fileiras e lutaremos de forma constante&quot; para recha&ccedil;ar a economia verde, enfatizou.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o discurso da Cespap na Rio+20 sugeria que os pa&iacute;ses da &Aacute;sia e do Pac&iacute;fico estavam a favor de adotar a economia verde em seus planos. &quot;Estamos satisfeitos pelo fato de as pol&iacute;ticas da economia verde serem reconhecidas como uma ferramenta importante para o desenvolvimento sustent&aacute;vel e para a erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza&quot;, afirmou a secret&aacute;ria-executiva da ag&ecirc;ncia, Noeleen Heyzer, durante uma reuni&atilde;o de alto n&iacute;vel.<\/p>\n<p>A pressa das ag&ecirc;ncias da ONU, incluindo o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), para adotar as pol&iacute;ticas de economia verde ignora temores asi&aacute;ticos de que &quot;sejam usados para prejudicar o marco aceito de desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;, alertou Shalmali Guttal, pesquisadora principal do centro de estudos Focus on the Global South, com sede em Bangcoc. &quot;Preocupa que esta seja uma tentativa dos pa&iacute;ses industrializados, os maiores poluidores do mundo, para imporem o protecionismo verde no mercado internacional&quot;, declarou Guttal &agrave; IPS. &quot;As na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento da &Aacute;sia t&ecirc;m uma raz&atilde;o para estarem nervosas, porque este &eacute; outro esfor&ccedil;o dos pa&iacute;ses industrializados de evitar os compromissos que assumiram de ajudar as na&ccedil;&otilde;es do Sul a cumprirem suas metas de desenvolvimento&quot;, ressaltou. &quot;Os &oacute;rg&atilde;os da ONU deveriam ouvir o povo, a que, sup&otilde;e-se, est&atilde;o ajudando&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Os desacordos entre a Cespap e alguns governos da regi&atilde;o sobre economia verde j&aacute; havia ficado evidentes na sexta Confer&ecirc;ncia Ministerial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da &Aacute;sia e do Pac&iacute;fico (MCED-6), realizada no Cazaquist&atilde;o em outubro de 2010. O comunicado de imprensa final desse encontro teve que ser reformulado. China, &Iacute;ndia, Ir&atilde; e R&uacute;ssia objetaram a express&atilde;o &quot;economia verde&quot; que tinha um grande destaque no texto e inclusive no t&iacute;tulo. O comunicado a mencionava como a estrat&eacute;gia apoiada pelos ministros asi&aacute;ticos. A Cespap foi obrigada a divulgar novo comunicado de imprensa identificando o crescimento verde como &quot;um enfoque (a mais) de desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Para um diplomata asi&aacute;tico em Bangcoc que pediu para n&atilde;o ser identificado, &quot;este &eacute; um tema que se tornou pol&ecirc;mico. A partir de ent&atilde;o, fiscalizamos a forma com a Cespap emprega os termos crescimento verde e economia verde sem seus documentos&quot;, contou. &quot;No &acirc;mbito interno, a maioria dos pa&iacute;ses contribui para o desenvolvimento de alternativas baixas em carbono e investimentos em tecnologia verde. Contudo, resistimos a sermos pressionados para apoiar a economia verde no contexto do desenvolvimento sustent&aacute;vel&quot;, afirmou o diplomata.<\/p>\n<p>A Cespap estava, de fato, na vanguarda do debate sobre crescimento verde, reconhecendo-o como uma alternativa de desenvolvimento sustent&aacute;vel. O conceito foi promovido na MCED-5, realizada na Coreia do Sul, em 2005. Tr&ecirc;s anos depois, ap&oacute;s a crise financeira de 2008, muitos outros tamb&eacute;m apoiaram o conceito de economia verde, desde o Pnuma at&eacute; o Grupo dos 20 pa&iacute;ses industrializados e emergentes.<\/p>\n<p>&quot;Os pa&iacute;ses asi&aacute;ticos enfrentam a restri&ccedil;&atilde;o de recursos, o pre&ccedil;o do combust&iacute;vel sobe e isto &eacute; um impedimento ao seu desenvolvimento&quot;, afirmou Rae Kwon Chung, diretor de meio ambiente e desenvolvimento da Cespap. &quot;A pobreza n&atilde;o pode ser erradicada sem se resolver essa falta de recursos. As recentes crises energ&eacute;tica e alimentar devem desatar uma grande mudan&ccedil;a. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento requerem um sistema energ&eacute;tico distinto. A economia verde &eacute; uma das estrat&eacute;gias para p&ocirc;r em pr&aacute;tica o desenvolvimentos sustent&aacute;vel&quot;, explicou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A necessidade dessa mudan&ccedil;a &eacute; evidente quando se observa que para produzir um d&oacute;lar a regi&atilde;o consome tr&ecirc;s vezes mais recursos naturais do que o resto do mundo, segundo informe da Cespap divulgado pouco antes da Rio+20. Muitas economias da &Aacute;sia e do Pac&iacute;fico s&atilde;o importadoras de recursos e mat&eacute;rias-primas e sens&iacute;veis &agrave;s altas de pre&ccedil;os. Em 2011, as altas dos alimentos e do petr&oacute;leo afundaram na pobreza 42 milh&otilde;es de pessoas, enquanto no ano anterior 19 milh&otilde;es haviam tido a mesma sorte.<\/p>\n<p>Grandes na&ccedil;&otilde;es, como China e &Iacute;ndia, e outras menores, como Camboja e Vietn&atilde;, s&atilde;o elogiadas no informe por adotarem programas para &quot;reverdecer suas economias&quot;. No entanto, as maiores economias regionais erguem uma bandeira vermelha quando o crescimento verde &eacute; colocado em outro contexto, como uma nova receita internacional e vinculante para o desenvolvimento sustent&aacute;vel do Sul global. &quot;Isto continuar&aacute; sendo um tema de divis&atilde;o e as sess&otilde;es da Cespap v&atilde;o refletir isso. Alguns governos j&aacute; disseram basta&quot;, afirmou a fonte diplom&aacute;tica. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, Tail&acirc;ndia, 28\/06\/2012 &ndash; A c&uacute;pula Rio+20 fez ressaltar o descontentamento de ativistas e de alguns governos da &Aacute;sia com os conceitos de &quot;economia verde&quot; e &quot;crescimento verde&quot;, considerados uma fachada para manter um modelo que depreda os recursos naturais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/06\/economia\/economia-verde-divide-a-sia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,11],"tags":[17,21],"class_list":["post-10232","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10232\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}