{"id":10243,"date":"2012-07-02T09:55:57","date_gmt":"2012-07-02T09:55:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10243"},"modified":"2012-07-02T09:55:57","modified_gmt":"2012-07-02T09:55:57","slug":"israel-os-novos-dissidentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/direitos-humanos\/israel-os-novos-dissidentes\/","title":{"rendered":"ISRAEL: Os novos dissidentes"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 02\/07\/2012 &ndash; Um soldado reservista iniciou greve de fome em solidariedade a prisioneiros palestinos, declarando que renunciaria &agrave; sua cidadania e viveria em um acampamento de refugiados. <!--more--> Outro ativista foi preso por algum tempo. Um livro eletr&ocirc;nico lan&ccedil;a luz sobre estes e outros novos dissidentes israelenses. Simbolicamente, e de maneira n&atilde;o violenta, se colocam contra as desigualdades sociais, pol&iacute;ticas e racistas cometidas em seu pa&iacute;s contra outros cidad&atilde;os (pobres, mulheres, ativistas, minoria de palestinos israelenses), contra &quot;os outros&quot; que est&atilde;o no meio (imigrantes e refugiados pol&iacute;ticos procedentes da &Aacute;frica) e contra &quot;os outros outros&quot; (os palestinos).<\/p>\n<p>Lutam contra &quot;o sistema&quot;. E sistematicamente colocam &agrave; prova a promessa sionista de sua na&ccedil;&atilde;o, de estabelecer um Estado judeu independente soberano, democr&aacute;tico, livre e igual para todos na Terra Prometida, tal como consta oficialmente da Declara&ccedil;&atilde;o de Independ&ecirc;ncia de Israel. &quot;O Estado de Israel (&#8230;) estar&aacute; baseado nos princ&iacute;pios de liberdade, justi&ccedil;a e paz (&#8230;); assegurar&aacute; a completa igualdade de direitos pol&iacute;ticos e sociais a todos os seus habitantes sem distin&ccedil;&atilde;o de credo, ra&ccedil;a ou sexo; garantir&aacute; liberdade de culto, consci&ecirc;ncia, idioma, educa&ccedil;&atilde;o e cultura&quot;, afirma esse documento, datado de 1948.<\/p>\n<p>Os novos dissidentes sentem-se tra&iacute;dos porque percebem que h&aacute; tempos seu Estado renega o compromisso original. Para eles, a promessa real n&atilde;o &eacute; a terra, mas a justi&ccedil;a. &quot;Apesar de ter conseguido a independ&ecirc;ncia e a soberania pol&iacute;tica, estamos escravizados. Escravizados por nossa conquista, pelas injusti&ccedil;as que criamos, pelos trabalhadores estrangeiros que exploramos e oprimimos; pelos refugiados sudaneses que n&oacute;s &#8211; o povo perseguido, o povo refugiado &#8211; jogamos na pris&atilde;o&quot;, protestou Na&#39;ama Carmi, ex-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o para os Direitos Civis em Israel, em um prof&eacute;tico blog escrito h&aacute; seis anos.<\/p>\n<p>Quando completaram 40 anos da ocupa&ccedil;&atilde;o da Cisjord&acirc;nia e Gaza, que j&aacute; dura 45, Carmi celebrou junho de 1967 como &quot;o momento em que deixamos de ser livres&quot;, concluindo que &quot;o escravizador n&atilde;o pode ser livre&quot;. Agora, 35 desses coment&aacute;rios publicados em blogs est&atilde;o em um antologia eletr&ocirc;nica intitulada Dissidentes Israelenses: Notas a Partir de um Terreno Escorregadio. Originalmente, foram escritos em hebreu por dez ativistas de m&iacute;dias alternativas e pelos direitos humanos de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais locais, como Anarquistas Contra o Muro (em alus&atilde;o ao muro que separa palestinos de suas fam&iacute;lias e suas terras sob o discut&iacute;vel pretexto da seguran&ccedil;a) ou Boicote de Dentro (que apoia o boicote palestino, bem como pede san&ccedil;&otilde;es).<\/p>\n<p>&quot;Tudo est&aacute; pronto, apenas esperando que o f&oacute;sforo acenda o fogo que consumir&aacute; a democracia de Israel, e isso, seguramente, ocorrer&aacute;&quot;, alerta Noam Rotem. Os profetas da fatalidade que previram que se esfuma&ccedil;aria o sonho do povo judeu de viver livre nessa terra s&atilde;o desprezados, e frequentemente outros israelenses os chamam de &quot;traidores&quot;. Sua dissid&ecirc;ncia &eacute; patriotismo cr&iacute;tico, afirmam.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o odiamos esta terra. Pelo contr&aacute;rio, amamos nossa p&aacute;tria, suas paisagens, sabores, ess&ecirc;ncias, sons e idiomas, n&atilde;o s&oacute; para viver aqui apesar das dificuldades e das pol&iacute;ticas que nos parecem indignas e indefin&iacute;veis, mas tamb&eacute;m para impulsionar abertamente ideias muito impopulares que consideramos serem cruciais para o futuro bem-estar &#8211; e inclusive exist&ecirc;ncia &#8211; de um sistema de governo toler&aacute;vel neste pa&iacute;s que amamos&quot;, escreve no pref&aacute;cio Rechavia Berman, editora da compila&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>S&atilde;o qualificados de judeus antissemitas, que odeiam a si mesmos, e acusados de instigar o terrorismo. &quot;N&atilde;o nos odiamos. Nossa ira e nossa luta t&ecirc;m por objetivo o apartheid e a ocupa&ccedil;&atilde;o, o abuso e a opress&atilde;o, aqueles que os apoiam e aqueles que se colocam em nosso caminho na medida em que buscamos combat&ecirc;-los&quot;, responde Berman. S&atilde;o objetantes de consci&ecirc;ncia da era da internet, e juraram respeitar o mandamento da mem&oacute;ria, de n&atilde;o esquecer, documentando os abusos cometidos por seu pa&iacute;s. Um pa&iacute;s que nasceu das cinzas do Holocausto cometido durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) pelos nazistas, que exterminaram seis milh&otilde;es de judeus, destacam.<\/p>\n<p>Sacudindo as correntes, ou talvez verdadeiramente acorrentados &agrave;quela trag&eacute;dia, sonham com e atuam para a cria&ccedil;&atilde;o de uma sociedade exemplar que deveria ser regida pela justi&ccedil;a universal. Sua quixotesca cruzada consiste em salvar Israel de si mesmo. Ao longo da compila&ccedil;&atilde;o, alertam contra o &quot;processo gradual e acelerado no qual o sistema de governo de Israel est&aacute; se afastando cada vez mais dos princ&iacute;pios centrais e dos direitos garantidos e inerentes &agrave; democracia&quot;.<\/p>\n<p>Alguns blogs mencionam a coa&ccedil;&atilde;o religiosa &#8211; especialmente contra mulheres judias &#8211; por parte de judeus radicais ultraortodoxos, os quais os autores chamam de &quot;Irmandade Judia&quot;, em refer&ecirc;ncia ao movimento eg&iacute;pcio Irmandade Mu&ccedil;ulmana. A maioria admite que a dificuldade de inculcar uma mensagem pac&iacute;fica tem origem no fato de seu pa&iacute;s estar arraigado em uma sociedade compacta. A solidariedade precede a toler&acirc;ncia quando o sentimento &#8211; &agrave;s vezes irracional &#8211; que prevalece &eacute; o de viver sob o constante temor de amea&ccedil;as existenciais.<\/p>\n<p>Os sistemas pol&iacute;tico e religioso se acertaram para manterem uma narrativa poderosamente consensual. Que &quot;n&atilde;o haja um s&oacute;cio negociador do outro lado&quot; e que o objetivo &uacute;ltimo dos palestinos &eacute; &quot;joguem-nos ao mar&quot; s&atilde;o mantras p&uacute;blicos. Quando acredita-se que a extin&ccedil;&atilde;o nacional ainda pesa na balan&ccedil;a, a ocupa&ccedil;&atilde;o se torna o menor dos dois males. Empregar viol&ecirc;ncia no futuro pr&oacute;ximo parece ser a melhor receita para aqueles &#8211; que s&atilde;o a maioria &#8211; convencidos de que uma enorme espada de D&acirc;mocles pende sobre suas cabe&ccedil;as.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; imposs&iacute;vel discutir esses assuntos com a maioria dos meus amigos. Eles n&atilde;o querem ouvir, n&atilde;o acreditam em mim ou pensam que &#39;os &aacute;rabes&#39; merecem o que sofrem&quot;, lamenta Lisa Goldman, que se sente &quot;cada vez mais isolada&quot;. A trag&eacute;dia &eacute; que a maioria dos israelenses provavelmente estaria pronta para apoiar uma solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados que implicar&aacute; uma retirada &#8211; militar e civil &#8211; dos territ&oacute;rios ocupados, ainda que seja para preservar o car&aacute;ter judeu e democr&aacute;tico de seu pa&iacute;s. No entanto, a maioria acredita que o desafio seria &aacute;rduo, pois na Palestina vivem meio milh&atilde;o de colonos judeus. E estes n&atilde;o renunciar&atilde;o facilmente &agrave; ocupada Jerusal&eacute;m oriental.<\/p>\n<p>Assinalando que &quot;as piores decis&otilde;es podem ser tomadas de um modo perfeitamente democr&aacute;tico&quot; (em clara alus&atilde;o ao regime nazista, eleito democraticamente na d&eacute;cada de 1930), Berman reconhece no pref&aacute;cio, qual coment&aacute;rio p&oacute;stumo: &quot;Podemos ser incapazes, ou chegar muito tarde, para influenciar a maioria desastrosamente equivocada, mas me nego a deixar de dizer que n&atilde;o havia outra maneira, ou que n&atilde;o se pode ver o perigo&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 02\/07\/2012 &ndash; Um soldado reservista iniciou greve de fome em solidariedade a prisioneiros palestinos, declarando que renunciaria &agrave; sua cidadania e viveria em um acampamento de refugiados. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/direitos-humanos\/israel-os-novos-dissidentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-10243","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10243","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10243"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10243\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10243"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10243"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10243"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}