{"id":10248,"date":"2012-07-03T10:12:02","date_gmt":"2012-07-03T10:12:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10248"},"modified":"2012-07-03T10:12:02","modified_gmt":"2012-07-03T10:12:02","slug":"pequenas-iniciativas-preenchem-o-vazio-da-rio20-na-amaznia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/pequenas-iniciativas-preenchem-o-vazio-da-rio20-na-amaznia\/","title":{"rendered":"Pequenas iniciativas preenchem o vazio da Rio+20 na Amaz&ocirc;nia"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 03\/07\/2012 &ndash; Vedados os acordos globais e ambiciosos na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), iniciativas locais d&atilde;o frutos, como o investimento em projetos de conserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia brasileira.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10248\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10248\" class=\"size-medium wp-image-10248\" title=\"Os kayap&oacute;s podem ser os primeiros a manejar um fundo patrimonial para seu desenvolvimento sustent&aacute;vel. - Todd Southgate\/Divulga&ccedil;&atilde;o Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS31.jpg\" alt=\"Os kayap&oacute;s podem ser os primeiros a manejar um fundo patrimonial para seu desenvolvimento sustent&aacute;vel. - Todd Southgate\/Divulga&ccedil;&atilde;o Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10248\" class=\"wp-caption-text\">Os kayap&oacute;s podem ser os primeiros a manejar um fundo patrimonial para seu desenvolvimento sustent&aacute;vel. - Todd Southgate\/Divulga&ccedil;&atilde;o Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional<\/p><\/div>  O plano para investir US$ 50 milh&otilde;es durante cinco anos nessa selva tropical &eacute; resultado de um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e financeira entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) e a Funda&ccedil;&atilde;o Banco do Brasil.<\/p>\n<p>Apenas neste ano seriam desembolsados US$ 12 milh&otilde;es para a&ccedil;&otilde;es de conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel do bioma brasileiro. Dessa quantia, US$ 7,2 milh&otilde;es correspondem a uma contrapartida do BNDES, por meio do Fundo da Amaz&ocirc;nia, criado em 2008, e os restantes US$ 4,8 milh&otilde;es ser&atilde;o entregues pela Funda&ccedil;&atilde;o. Trata-se de fomentar o desenvolvimento de cadeias produtivas e tecnologias sociais para comunidades de baixa renda, como popula&ccedil;&otilde;es tradicionais, camponeses assentados pela reforma agr&aacute;ria e agricultores familiares, disse &agrave; IPS o gerente de economia solid&aacute;ria da &Aacute;rea de Agropecu&aacute;ria e Inclus&atilde;o Social do BNDES, Eduardo Lins.<\/p>\n<p>&quot;O BNDES ser&aacute; respons&aacute;vel por 60% dos fundos n&atilde;o reembols&aacute;veis. N&atilde;o cremos tratar-se de dinheiro perdido, pois haver&aacute; um retorno sob a forma de gera&ccedil;&atilde;o de renda para os benefici&aacute;rios finais, e &eacute; uma forma de alavancar os projetos&quot;, afirmou Lins. Nesta etapa est&atilde;o sendo identificadas as iniciativas que poderiam se beneficiar em diferentes setores, como produ&ccedil;&atilde;o de frutos amaz&ocirc;nicos (a&ccedil;a&iacute;, cupua&ccedil;u, banana, cacau, guaran&aacute; e maracuj&aacute;), castanhas, mandioca, &oacute;leos e ess&ecirc;ncias, ou de apicultura, piscicultura, pesca artesanal e agroecologia.<\/p>\n<p>Segundo Lins, o desafio &eacute; conseguir uma distribui&ccedil;&atilde;o equitativa dos fundos nos nove Estados da Amaz&ocirc;nia Legal, uma delimita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que inclui todos os distritos ocupados total ou parcialmente por esse bioma tropical. &quot;O limite &eacute; que nenhum Estado receba mais que 30% dos recursos. Colocamos fundos somente em projetos sustent&aacute;veis e que possam andar com seus pr&oacute;prios p&eacute;s. Esta &eacute; a l&oacute;gica. Tamb&eacute;m prevemos assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica&quot;, explicou Lins.<\/p>\n<p>O gerente do BNDES estima que, ap&oacute;s cinco anos, US$ 50 milh&otilde;es bastar&atilde;o para apoiar centenas de iniciativas esparramadas pela regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. O Fundo Amaz&ocirc;nia, que capta recursos procedentes de doa&ccedil;&otilde;es, destina-se a financiamentos n&atilde;o reembols&aacute;veis de a&ccedil;&otilde;es que contribuam para frear o desmatamento da selva e promover a conserva&ccedil;&atilde;o e o uso sustent&aacute;vel.<\/p>\n<p>O desafio &eacute; garantir a seguran&ccedil;a alimentar de povos que habitam a selva e dela dependem para sua subsist&ecirc;ncia. Tamb&eacute;m est&atilde;o entre suas metas o acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel, gera&ccedil;&atilde;o de energia renov&aacute;vel, recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas degradadas e uso do solo em sistemas agroflorestais. O fundo tamb&eacute;m busca incentivar medidas de reflorestamento, certifica&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas desmatadas. Desde o primeiro acordo de coopera&ccedil;&atilde;o, assinado em 2009, o BNDES e a Funda&ccedil;&atilde;o Banco do Brasil desembolsaram cerca de US$ 40 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Os ind&iacute;genas kayap&oacute;s, que habitam as terras Kayap&oacute;, Menkragnoti, Ba&uacute;, Bandjak&ocirc;re e Capoto-Jarina, no sul do Par&aacute; e norte de Mato Grosso, aspiram recursos para financiar atividades econ&ocirc;micas baseadas em bens e servi&ccedil;os que a selva presta. O povo kayap&oacute; est&aacute; assentado em &aacute;rea de 10,6 milh&otilde;es de hectares, em cont&iacute;nua amea&ccedil;a pelo avan&ccedil;o da fronteira agr&iacute;cola e por atividades como corte ilegal de madeira. As cinco terras ind&iacute;genas equivalem a 3% da Amaz&ocirc;nia brasileira. Cerca de sete mil ind&iacute;genas vivem nessa regi&atilde;o situada no chamado &quot;arco do desmatamento&quot;, na bacia do Rio Xingu, onde se concentram quase 80% da perda de selva amaz&ocirc;nica.<\/p>\n<p>Com apoio da organiza&ccedil;&atilde;o Conserva&ccedil;&atilde;o Internacional e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), os ind&iacute;genas criaram, em novembro de 2011, o Fundo Kayap&oacute;, recentemente escolhido para receber US$ 8,6 milh&otilde;es do BNDES. Trata-se de um mecanismo operacional e financeiro de longa dura&ccedil;&atilde;o para apoiar associa&ccedil;&otilde;es e cooperativas dos pr&oacute;prios nativos que se dediquem a atividades sustent&aacute;veis e produtivas, preven&ccedil;&atilde;o do desmatamento, prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e de suas terras, explicou &agrave; IPS o gestor de programas do Funbio, Fabio Leite, economista, que trabalhou ativamente na cria&ccedil;&atilde;o do Fundo Kayap&oacute;.<\/p>\n<p>&quot;Estamos trabalhando h&aacute; tr&ecirc;s anos para criar este mecanismo com fundos ambientais. aplicamos um conceito in&eacute;dito no Brasil, que em ingl&ecirc;s &eacute; endowment, e empregamos os recursos do mercado financeiro com um estilo conservador&quot;, explicou Leite. &Eacute; um fundo patrimonial do qual s&atilde;o usados apenas os juros para financiar as atividades, e &eacute; o primeiro instrumento de financiamento de longo prazo para grupos ind&iacute;genas da Amaz&ocirc;nia que o BNDES apoia.<\/p>\n<p>A primeira fase come&ccedil;ou com o desembolso de quase US$ 3,6 milh&otilde;es no prazo de dois meses encerrado no dia 2. &quot;Busca-se sustentabilidade. A meta &eacute; conseguir qualidade de vida, financiar projetos de educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e que gerem renda&quot;, destacou Leite. Em cinco anos espera-se reunir mais de US$ 10 milh&otilde;es, &quot;valor suficiente para obter os recursos que necessitam os projetos dos kayap&oacute;s&quot;, acrescentou. Com essa quantia ser&aacute; poss&iacute;vel investir em cinco iniciativas ind&iacute;genas por ano.<\/p>\n<p>Em suas terras h&aacute; abund&acirc;ncia de a&ccedil;a&iacute;, castanhas, fibras e madeiras como copa&iacute;ba (que fornece b&aacute;lsamo, ou &oacute;leo) e andiroba. Trata-se de &quot;uma gama de produtos florestais que podem ser explorados de forma sustent&aacute;vel, com sempre fizeram. Se os kayap&oacute;s n&atilde;o habitassem essas terras, ali n&atilde;o haveria mais floresta&quot;, detalhou Leite. O Fundo Kayap&oacute; tamb&eacute;m sai em busca de potenciais doadores, como empresas e os governos de Alemanha, Gr&atilde;-Bretanha, It&aacute;lia e Noruega, que t&ecirc;m uma hist&oacute;ria de investimentos em projetos de conserva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Contamos com um mecanismo de acompanhamento com cronograma, metas e fiscaliza&ccedil;&atilde;o da execu&ccedil;&atilde;o dos recursos, al&eacute;m de presta&ccedil;&atilde;o de contas dos projetos financiados, que s&atilde;o visitados ao menos uma vez por ano&quot;, explicou o coordenador do Funbio, que espera ampliar esta iniciativa para outros povos nativos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 03\/07\/2012 &ndash; Vedados os acordos globais e ambiciosos na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), iniciativas locais d&atilde;o frutos, como o investimento em projetos de conserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia brasileira. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/pequenas-iniciativas-preenchem-o-vazio-da-rio20-na-amaznia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27],"class_list":["post-10248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}