{"id":10253,"date":"2012-07-03T10:23:44","date_gmt":"2012-07-03T10:23:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10253"},"modified":"2012-07-03T10:23:44","modified_gmt":"2012-07-03T10:23:44","slug":"dialogues-mudar-a-matriz-energtica-argentina-exige-inteligncia-e-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/dialogues-mudar-a-matriz-energtica-argentina-exige-inteligncia-e-tempo\/","title":{"rendered":"DIALOGUES: Mudar a matriz energ&eacute;tica argentina exige intelig&ecirc;ncia e tempo"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 03\/07\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Explorar g&aacute;s e petr&oacute;leo n&atilde;o convencional pode se mostrar certo em curto e m&eacute;dio prazos na Argentina. Por&eacute;m, no longo prazo &eacute; preciso aumentar o consumo de outras fontes e reduzir o peso dos hidrocarbonos, afirma a especialista Mariana Matranga  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10253\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/584_matranga3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10253\" class=\"size-medium wp-image-10253\" title=\"Mariana Matranga \u00c3\u00a0 entrada da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires. - Juan Moseinco\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/584_matranga3.jpg\" alt=\"Mariana Matranga \u00c3\u00a0 entrada da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires. - Juan Moseinco\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10253\" class=\"wp-caption-text\">Mariana Matranga \u00c3  entrada da Faculdade de Engenharia da Universidade de Buenos Aires. - Juan Moseinco\/IPS<\/p><\/div>  A recupera&ccedil;&atilde;o do controle estatal da empresa petroleira YPF &eacute; um avan&ccedil;o estrat&eacute;gico para a Argentina, muito dependente dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Contudo, &eacute; preciso incorporar fontes limpas e isso levar&aacute; tempo, alerta nesta entrevista a especialista Mariana Matranga. A energia deste pa&iacute;s depende em 90% dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis, uma realidade que n&atilde;o pode ser ignorada, ponderou Matranga em entrevista ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>&quot;Todos gostamos de viajar de carro, chegar r&aacute;pido, ligar o ar-condicionado. Cada vez h&aacute; mais coisas que n&atilde;o se pode fazer sem utilizar baterias. O importante &eacute; que a sociedade se d&ecirc; conta de que nosso modo de vida tem um custo&quot;, afirmou esta engenheira qu&iacute;mica e pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, que trabalhou no setor de hidrocarbonos de Argentina, Bol&iacute;via, Canad&aacute; e Noruega. &ccedil; TERRAM&Eacute;RICA: O que pensa da decis&atilde;o de nacionalizar a YPF?<\/p>\n<p>MARIANA MATRANGA: Estou de acordo. Era necess&aacute;ria. Dar&aacute; ao Estado uma boa ferramenta para atuar sobre uma matriz que, embora n&atilde;o nos agrade, hoje &eacute; dominada por f&oacute;sseis.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Acredita que esta maior participa&ccedil;&atilde;o estatal ser&aacute; estrat&eacute;gica?<\/p>\n<p>MM: Sim, porque afeta todos os aspectos da vida. O consumo de energia n&atilde;o &eacute; um fim em si mesmo, mas um meio. Com esta decis&atilde;o, n&atilde;o se est&aacute; pensando no ganho de uma commodity, mas no bem comum. A energia &eacute; o que mant&eacute;m em funcionamento a economia. Por isso todo o setor &eacute; estrat&eacute;gico. A Argentina hoje depende em 90% dos f&oacute;sseis. N&atilde;o &eacute; meu desejo que os f&oacute;sseis sejam estrat&eacute;gicos. Gostaria n&atilde;o o fossem. Mas a realidade &eacute; que s&atilde;o.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: E o que se pode fazer para modificar esta realidade?<\/p>\n<p>MM: &Eacute; uma realidade que precisa ser corrigida enquanto continua funcionando. Mudar a matriz energ&eacute;tica implica obras de engenharia que exigem tempo e dinheiro. A matriz &eacute; um sistema inercial. &Eacute; muito dif&iacute;cil modific&aacute;-la. O modo de operar sobre elas se d&aacute; mediante um plano estrat&eacute;gico de longo prazo.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Um governo pode fazer isso?<\/p>\n<p>MM: Um governo deve lidar com a conjuntura. &Eacute; preciso manter a m&aacute;quina andando e tamb&eacute;m trabalhar em um plano para modificar essa situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil nem se faz do dia para a noite. Temos m&aacute;quinas dos anos 1970 que est&atilde;o dentro de sua vida &uacute;til e com boa manuten&ccedil;&atilde;o podem continuar sendo usadas nas centrais t&eacute;rmicas. Quando se investe em energia &eacute; para 40 ou 50 anos.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: O que pensa do debate sobre uso da energia que disparou na Argentina depois da nacionaliza&ccedil;&atilde;o da YPF?<\/p>\n<p>MM: O importante &eacute; que a sociedade se d&ecirc; conta de que nosso modo de vida tem um custo. At&eacute; a energia mais limpa tem impacto. Um parque e&oacute;lico em meio a uma rota de migra&ccedil;&atilde;o de aves causa impacto. Todos gostamos de viajar de carro, chegar r&aacute;pido, ligar o ar-condicionado. Cada vez h&aacute; mais coisas que s&oacute; se pode fazer usando baterias. Demandamos cada vez mais energia. Ningu&eacute;m gosta que lhe digam que precisa consumir menos ou baixar seu n&iacute;vel de vida para torn&aacute;-lo amig&aacute;vel com o meio ambiente. Desde que o homem descobriu o fogo, h&aacute; impacto e esse impacto ser&aacute; maior se a demanda crescer.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Ent&atilde;o, como incorporar mais fontes alternativas?<\/p>\n<p>MM: As tecnologias que menos causam impacto s&atilde;o as que exigem maiores investimentos iniciais e, ent&atilde;o, &eacute; preciso adotar solu&ccedil;&otilde;es de compromisso. Se me perguntarem, gostaria que toda a energia fosse renov&aacute;vel. Mas, n&atilde;o creio que seja poss&iacute;vel. Os governos tra&ccedil;am uma linha de equil&iacute;brio e tomam decis&otilde;es de compromisso.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Neste contexto, acredita que a anunciada explora&ccedil;&atilde;o de hidrocarbonos n&atilde;o convencionais aumentar&aacute; ainda mais a depend&ecirc;ncia dos f&oacute;sseis?<\/p>\n<p>MM: Os f&oacute;sseis n&atilde;o s&atilde;o renov&aacute;veis e &eacute; prov&aacute;vel que em um curto per&iacute;odo sua produ&ccedil;&atilde;o caia. Os n&atilde;o convencionais come&ccedil;ar&atilde;o a ser em cinco anos. Isto n&atilde;o implica necessariamente uma expans&atilde;o, mas que se manter&aacute; a propor&ccedil;&atilde;o atual.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: E o custo ambiental da explora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o convencional<\/p>\n<p>MM: Depende de como for feita. A tecnologia n&atilde;o convencional se aplica h&aacute; pouco tempo no mundo. Utiliza uma quantidade importante de &aacute;gua e, embora 90% saia como vapor, &eacute; preciso estudar muito bem a conta hidrol&oacute;gica. Pode-se fazer bem ou fazer mal. Muito depende de quanto se investir.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: H&aacute; estudos internacionais de impactos sobre este tipo de explora&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>MM: Na Fran&ccedil;a est&aacute; proibida. Mas eles t&ecirc;m uma matriz dominada pela energia nuclear, que n&atilde;o mudar&aacute; facilmente. Nos Estados Unidos e no Canad&aacute;, onde h&aacute; grande potencial de recursos para extrair de forma n&atilde;o convencional, &eacute; onde surgiram as preocupa&ccedil;&otilde;es. No Texas e na Pensilv&acirc;nia j&aacute; s&atilde;o exploradas bacias que est&atilde;o em zonas agropecu&aacute;rias e densamente povoadas. J&aacute; em Nova York, foram suspensas as autoriza&ccedil;&otilde;es para fraturas hidr&aacute;ulicas e s&oacute; se permite testes cient&iacute;ficos para conhecer seu impacto. Isto mostra o novo que &eacute; tudo isto e o pouco que se sabe. Nos Estados Unidos, o resultado de um estudo de impacto ser&aacute; conhecido em setembro.<\/p>\n<p>TERRAM&Eacute;RICA: Acredita que existe um grande risco nesse campo?<\/p>\n<p>MM: A disposi&ccedil;&atilde;o final da &aacute;gua tratada &eacute; um fator importante. Cont&eacute;m os qu&iacute;micos usados na fratura e os que se arrastam do reservat&oacute;rio. E trat&aacute;-la tem custos. Pode-se fazer bem, mas &eacute; caro. Por isto, &eacute; importante regular. Aumentando o investimento se reduz o risco. Mas o risco sempre existe. &Eacute; preciso pensar se algu&eacute;m quer corr&ecirc;-lo, ou n&atilde;o. S&atilde;o decis&otilde;es pol&iacute;ticas. Creio que n&atilde;o &eacute; o mais inteligente isso ser tudo o que fazemos. Na Argentina, a explora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o convencional pode se mostrar &uacute;til em curto e m&eacute;dio prazos. Mas no longo prazo &eacute; preciso aumentar o consumo de outras energias e reduzir o peso dos hidrocarbonos.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 03\/07\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Explorar g&aacute;s e petr&oacute;leo n&atilde;o convencional pode se mostrar certo em curto e m&eacute;dio prazos na Argentina. 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