{"id":10255,"date":"2012-07-03T10:26:53","date_gmt":"2012-07-03T10:26:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10255"},"modified":"2012-07-03T10:26:53","modified_gmt":"2012-07-03T10:26:53","slug":"reportagem-febre-do-ouro-promete-eldorado-no-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/reportagem-febre-do-ouro-promete-eldorado-no-haiti\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Febre do ouro promete Eldorado no Haiti"},"content":{"rendered":"<p>PORTO PR&Iacute;NCIPE, Haiti, 03\/07\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Concess&otilde;es feitas a portas fechadas, acordos secretos e ilegais e trabalhos de prospec&ccedil;&atilde;o sem fiscaliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e escasso controle governamental marcam a nova febre do ouro no Haiti.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10255\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/584_HaitiGoldincup_Depp.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10255\" class=\"size-medium wp-image-10255\" title=\"Um minerador da localidade de Lakw\u00c3\u00a8v mostra peda&ccedil;os de ouro. As pessoas dessa regi&atilde;o cavam t&uacute;neis e separam o ouro que depois vendem a comerciantes de cidades pr&oacute;ximas pela metade de seu pre&ccedil;o de mercado. - Ben Depp &quot;\u201c Cortesia HGW\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/584_HaitiGoldincup_Depp.jpg\" alt=\"Um minerador da localidade de Lakw\u00c3\u00a8v mostra peda&ccedil;os de ouro. As pessoas dessa regi&atilde;o cavam t&uacute;neis e separam o ouro que depois vendem a comerciantes de cidades pr&oacute;ximas pela metade de seu pre&ccedil;o de mercado. - Ben Depp &quot;\u201c Cortesia HGW\" width=\"200\" height=\"127\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10255\" class=\"wp-caption-text\">Um minerador da localidade de Lakw\u00c3\u00a8v mostra peda&ccedil;os de ouro. As pessoas dessa regi&atilde;o cavam t&uacute;neis e separam o ouro que depois vendem a comerciantes de cidades pr&oacute;ximas pela metade de seu pre&ccedil;o de mercado. - Ben Depp &quot;\u201c Cortesia HGW<\/p><\/div>  Aproximadamente US$ 20 bilh&otilde;es em ouro, cobre e prata repousam nas colinas do Haiti, o pa&iacute;s mais pobre do continente. O tesouro vale a pena para investidores da Am&eacute;rica do Norte que j&aacute; gastaram US$ 30 milh&otilde;es em prospec&ccedil;&atilde;o. Uma pesquisa de dez meses sobre e febre do ouro neste pa&iacute;s caribenho, que o Terram&eacute;rica publica com exclusividade, encontrou acordos clandestinos, atores com fins divergentes, memorandos de legalidade question&aacute;vel e regras de jogo que n&atilde;o poderiam ser menos equitativas.<\/p>\n<p>Segundo a lei, as riquezas do subsolo pertencem &quot;&agrave; na&ccedil;&atilde;o haitiana&quot;. Por&eacute;m, o pa&iacute;s nada sabe sobre as perfura&ccedil;&otilde;es realizadas no norte de seu territ&oacute;rio. &quot;Os minerais pertencem ao dom&iacute;nio p&uacute;blico do Estado&quot;, indicou ao Terram&eacute;rica o respeitado ge&oacute;logo Dieuseul Anglade, que esteve &agrave; frente da ag&ecirc;ncia estatal de minera&ccedil;&atilde;o durante a maior parte dos &uacute;ltimos 20 anos. Um m&ecirc;s ap&oacute;s dar estas declara&ccedil;&otilde;es, foi destitu&iacute;do pelo novo primeiro-ministro, Laurent Lamothe. Se n&atilde;o forem redigidas leis mais firmes e contratos melhores, &eacute; prefer&iacute;vel &quot;deixar os minerais no subsolo&quot;, afirmou Anglade.<\/p>\n<p>Agora, a empresa canadense Eurasian Minerals e suas subsidi&aacute;rias locais est&atilde;o prontas para extrair ouro do pr&oacute;prio solo onde Crist&oacute;v&atilde;o Colombo e os espanh&oacute;is obrigavam os ind&iacute;genas haitianos a escavarem h&aacute; mais de 500 anos. Quatro d&eacute;cadas depois do desembarque de Colombo, em 1492, o duro trabalho nas minas, as matan&ccedil;as e o cont&aacute;gio de doen&ccedil;as desconhecidas reduziram a popula&ccedil;&atilde;o nativa de 300 mil para apenas 600 pessoas.<\/p>\n<p>A Eurasian chegou a essas colinas h&aacute; pouco e come&ccedil;ou a comprar licen&ccedil;as e concess&otilde;es. At&eacute; agora, possui 53 e controla os direitos de explora&ccedil;&atilde;o ou prospec&ccedil;&atilde;o de quase um ter&ccedil;o do norte do Haiti. A empresa, que j&aacute; analisou cerca de 44 mil amostras, est&aacute; associada com a n&uacute;mero dois do neg&oacute;cio de ouro no mundo, a Newmont Mining Corporation, com sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Outra firma canadense, a Majescor, uma norte-americana menor, a VCS Mining, e suas subsidi&aacute;rias, t&ecirc;m licen&ccedil;as para uma &aacute;rea de 750 quil&ocirc;metros quadrados. No total, cerca de 15% do territ&oacute;rio haitiano est&aacute; entregue em concess&atilde;o a empresas mineradoras da Am&eacute;rica do Norte e suas s&oacute;cias. Como afirmou a filial haitiana da Majescor em uma apresenta&ccedil;&atilde;o corporativa, o Haiti &quot;&eacute; o gigante adormecido do Caribe&quot;.<\/p>\n<p>O gigante dormiu nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas porque era muito caro explorar minerais neste pa&iacute;s, sacudido por violentos golpes de Estado e com uma importante resist&ecirc;ncia social &agrave; minera&ccedil;&atilde;o. Contudo, o pre&ccedil;o do ouro se mant&eacute;m est&aacute;vel por mais de um ano, chegando a US$ 1,5 mil a on&ccedil;a, e no Haiti est&atilde;o presentes dez mil capacetes azuis (soldados da ONU), capazes de garantir uma seguran&ccedil;a m&iacute;nima para as empresas. Al&eacute;m disso, na vizinha Rep&uacute;blica Dominicana se come&ccedil;a a explorar uma jazida qualificada como a maior do continente, com quase 24 milh&otilde;es de on&ccedil;as, e que est&aacute; no mesmo cintur&atilde;o geol&oacute;gico.<\/p>\n<p>Em uma na&ccedil;&atilde;o onde o desemprego chega a 70%, metade da popula&ccedil;&atilde;o vive com menos de US$ 1 por dia e a maior parte do or&ccedil;amento do Estado &eacute; coberta com ajuda estrangeira, a ideia de um tesouro enterrado &eacute; como a lenda do Eldorado. Por&eacute;m, nem todos os haitianos se mostram t&atilde;o entusiasmados. Tampouco est&aacute; claro se os eventuais ganhos v&atilde;o beneficiar a popula&ccedil;&atilde;o. As empresas mineradoras estimam que nas montanhas do Haiti exista o equivalente a US$ 20 bilh&otilde;es em ouro, boa parte &quot;invis&iacute;vel&quot;, dividido em part&iacute;culas diminutas na rocha e no solo. A extra&ccedil;&atilde;o s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com minas a c&eacute;u aberto. E esta minera&ccedil;&atilde;o pode envenenar as fontes de &aacute;gua e degradar o meio ambiente.<\/p>\n<p>A Newmont sabe de minas a c&eacute;u aberto. Na d&eacute;cada de 1960 iniciou este tipo de explora&ccedil;&atilde;o no Estado norte-americano de Nevada, que depois repetiu em Gana, Nova Zel&acirc;ndia, Indon&eacute;sia e outros pa&iacute;ses. No Peru, administra uma das maiores do mundo: a de Yanacocha, de 251 quil&ocirc;metros quadrados. No entanto, mesmo com toda essa experi&ecirc;ncia, seus antecedentes n&atilde;o est&atilde;o livres de falhas. No Peru, organiza&ccedil;&otilde;es de agricultores afirmam que seu fornecimento de &aacute;gua foi contaminado com cianureto, e em 2000 o vazamento de um carregamento de merc&uacute;rio da Newmont fez com que dezenas de pessoas contra&iacute;ssem doen&ccedil;as mortais.<\/p>\n<p>Em Gana, a Newmont opera uma jazida na regi&atilde;o conhecida como &quot;celeiro&quot; do pa&iacute;s. Suas opera&ccedil;&otilde;es em Ahafo do Sul for&ccedil;aram o deslocamento de 9,5 mil pessoas, quase todas dedicadas &agrave; agricultura de subsist&ecirc;ncia, segundo o Environmental News Service. Tamb&eacute;m ali a &aacute;gua foi contaminada pelo menos uma vez, segundo admitiu a companhia, que em 2010 aceitou pagar indeniza&ccedil;&otilde;es no valor de US$ 5 milh&otilde;es por um vazamento de cianureto em 2009. &quot;Podemos garantir que a Newmont est&aacute; comprometida com fortes pr&aacute;ticas ambientais, sociais e &eacute;ticas&quot;, disse Diane Reberger, funcion&aacute;ria da empresa, em um e-mail de 25 de maio respondendo perguntas para esta investiga&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A fragilidade ambiental do Haiti tamb&eacute;m conta, segundo o ex-ministro do Meio Ambiente, Yves-Andr&eacute; Wainright. De uma cobertura florestal que compreendia 90% do territ&oacute;rio em 1492, o pa&iacute;s conserva apenas 1,5%. Wainright, agr&ocirc;nomo de forma&ccedil;&atilde;o, afirmou que algumas das &aacute;reas entregues em concess&atilde;o s&atilde;o &quot;montanhas &uacute;midas&quot;, que t&ecirc;m &quot;um importante papel para a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e precisam ser protegidas&quot;, e tamb&eacute;m s&atilde;o lar de dezenas de milhares de fam&iacute;lias de agricultores.<\/p>\n<p>&quot;Quando penso na minera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o estou certa de que seja algo bom&quot;, declarou para esta pesquisa a agricultora Elsie Florestan, de 41 anos, ativista do movimento T&egrave;t Kole Ti Peyizan (que em l&iacute;ngua creole significa pequenos camponeses trabalhando juntos). Ela e sua fam&iacute;lia vivem e cultivam em uma zona onde a Eurasian e a Newmont recentemente terminaram testes explorat&oacute;rios. &quot;Dizem que a empresa usar&aacute; a &aacute;gua de nosso rio por 20 anos, que ficar&aacute; contaminada e n&atilde;o poderemos permanecer aqui. Se n&atilde;o nos organizarmos e fizermos barulho, nada de bom vai nos acontecer&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O Haiti n&atilde;o assinou a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Seguran&ccedil;a e Sa&uacute;de nas Minas, nem a Iniciativa sobre Transpar&ecirc;ncia nas Ind&uacute;strias Extrativas, instrumentos que oferecem algum grau de prote&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, est&aacute; classificado como um dos pa&iacute;ses mais corruptos do mundo. At&eacute; agora, foram concedidas concess&otilde;es a portas fechadas, selados acordos secretos e realizadas tarefas de prospec&ccedil;&atilde;o sem fiscaliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e com pouco controle governamental, admitiu a pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia estatal de minera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;O governo n&atilde;o nos d&aacute; os meios para fiscalizar as empresas&quot;, argumentou Anglade quando ainda dirigia a entidade. Al&eacute;m disso, o Haiti cobra uma das menores taxas do continente: apenas 2,5% do valor de cada on&ccedil;a extra&iacute;da. &quot;&Eacute; muito pouco. Abaixo de 5% &eacute; rid&iacute;culo para um pa&iacute;s como este&quot;, disse a especialista em minera&ccedil;&atilde;o Claire Kumar, da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Christian Aid.<\/p>\n<p>As mineradoras tamb&eacute;m t&ecirc;m amigos em postos estrat&eacute;gicos. O ex-ministro das Finan&ccedil;as Ronald Baudin, que precisou sentar-se &agrave; mesa de negocia&ccedil;&atilde;o com a Newmont em 2010 e 2011, passou para o outro lado e agora &eacute; consultor para a sociedade Newmont-Eurasian. Perguntado pelo Terram&eacute;rica sobre o evidente conflito de interesses, respondeu: &quot;Preciso comer, certo?&quot;.<\/p>\n<p>A lei atual estipula que n&atilde;o pode ser feita nenhuma perfura&ccedil;&atilde;o antes de ser assinado um contrato de minera&ccedil;&atilde;o. O principal papel de Baudin foi facilitar um Memorando de Entendimento que permitiu &agrave; empresa contornar a legisla&ccedil;&atilde;o e perfurar de todas as maneiras. Segundo Baudin, o Memorando &eacute; uma &quot;exonera&ccedil;&atilde;o&quot; das disposi&ccedil;&otilde;es da lei. Juristas consultados confirmaram o evidente: a &uacute;nica forma de evitar burlar uma lei &eacute; mediante uma reforma legal aprovada no parlamento.<\/p>\n<p>Anglade, ent&atilde;o titular da ag&ecirc;ncia estatal de minera&ccedil;&atilde;o, negou-se a assinar o Memorando argumentando que &quot;era ilegal e contr&aacute;rio aos interesses do Haiti&quot;. Dois meses depois, foi demitido. De todo modo, no final de mar&ccedil;o o Memorando foi assinado pelos ent&atilde;o ministros das Finan&ccedil;as e de Obras P&uacute;blicas. E, no dia 23 de abril, a Eurasian informou seus acionistas que tinha permiss&atilde;o para &quot;perfurar em certos projetos&quot; espec&iacute;ficos, e que j&aacute; fazia isso.<\/p>\n<p>* ? Este artigo resume uma investiga&ccedil;&atilde;o da Haiti Grassroots Watch (HGW), intitulada Corrida do ouro no Haiti! Quem vai ficar rico?, que pode ser lida na &iacute;ntegra em (http:\/\/www.ayitikaleje.org\/18_01_ENG). A HGW &eacute; uma iniciativa das institui&ccedil;&otilde;es AlterPresse, Sociedade de Anima&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o Social (Saks), Rede de Mulheres Radialistas Comunit&aacute;rias (Refraka) e emissoras da Associa&ccedil;&atilde;o de M&iacute;dia Comunit&aacute;ria do Haiti, bem como de estudantes do Laborat&oacute;rio de Jornalismo da Universidade do Estado do Haiti. O seman&aacute;rio Ha&iuml;ti Libert&egrave; associou-se &agrave; HGW para este trabalho, parcialmente subvencionado pelo Pulitzer Center on Crisis Reporting. ?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PORTO PR&Iacute;NCIPE, Haiti, 03\/07\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Concess&otilde;es feitas a portas fechadas, acordos secretos e ilegais e trabalhos de prospec&ccedil;&atilde;o sem fiscaliza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e escasso controle governamental marcam a nova febre do ouro no Haiti. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/reportagem-febre-do-ouro-promete-eldorado-no-haiti\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[21],"class_list":["post-10255","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10255\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}