{"id":10258,"date":"2012-07-04T11:50:43","date_gmt":"2012-07-04T11:50:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10258"},"modified":"2012-07-04T11:50:43","modified_gmt":"2012-07-04T11:50:43","slug":"a-europa-no-a-amrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/colunistas\/a-europa-no-a-amrica\/","title":{"rendered":"A Europa n&atilde;o &eacute; a Am&eacute;rica"},"content":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 04\/07\/2012 &ndash; Ao longo de mais de quatro d&eacute;cadas de resid&ecirc;ncia nos Estados Unidos, detectei a persistente instala&ccedil;&atilde;o de modos pol&iacute;ticos e, sobretudo, sociais norte-americanos em territ&oacute;rio europeu, especialmente o espanhol. <!--more--> Ainda recordo, n&atilde;o faz muito tempo, como me questionava sobre a proibi&ccedil;&atilde;o de fumar em lugares p&uacute;blicos, os impostos implac&aacute;veis e as elei&ccedil;&otilde;es prim&aacute;rias &#8211; entre outras curiosidades dos Estados Unidos &#8211; chegarem &agrave; Espanha.<\/p>\n<p>Demoraram, mas depois da m&uacute;sica pop e do cinema de Hollywood, outros perfis norte-americanos estabeleceram cabe&ccedil;a-de-praia e ficaram. Inclusive, percebia-se a transforma&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica para um presidencialismo muito &agrave; maneira de John F. Kennedy ou Richard Nixon, conforme o foco. Temia-se recentemente o surgimento do populismo que nos anos 1920 levou &agrave; cat&aacute;strofe europeia. Muito parece ter ficado pelo caminho. A Europa n&atilde;o &eacute; a Am&eacute;rica.<\/p>\n<p>Esta aprecia&ccedil;&atilde;o ficou demonstrada pelo ambiente e pelos resultados das elei&ccedil;&otilde;es legislativas na Gr&eacute;cia e na Fran&ccedil;a, em diferentes modalidades de segundo turno. Por um lado, &eacute; evidente a sobreviv&ecirc;ncia da variedade europeia nas inclina&ccedil;&otilde;es de elei&ccedil;&atilde;o dos l&iacute;deres. Nada mais longe do opressor bipartidarismo que parecia instalado em alguns dos pa&iacute;ses europeus que precisamente agora s&atilde;o protagonistas ou v&iacute;timas da crise. Embora haja uma altern&acirc;ncia cl&aacute;ssica em alguns pa&iacute;ses (Reino Unido, Espanha, Fran&ccedil;a, Portugal), o certo &eacute; que para governar s&atilde;o necess&aacute;rios s&oacute;cios secund&aacute;rios, quando n&atilde;o coaliz&otilde;es ins&oacute;litas.<\/p>\n<p>Esta dimens&atilde;o foi espetacularmente dramatizada pelo novo desafio grego para formar governo, &agrave; vista do triunfo parcial dos conservadores da Nova Democracia, da derrota hist&oacute;rica dos socialistas do veterano Pasok e do avan&ccedil;o insuficiente da extrema esquerda da Syriza, dirigida pelo carism&aacute;tico Alexis Tsipras.<\/p>\n<p>O resultado &eacute; que a coaliz&atilde;o pela qual apostam tanto uma maioria de gregos como o resto do continente &eacute; a formada pelos conservadores (ajudados pelas 50 vagas a mais que o sistema eleitoral d&aacute;), que at&eacute; h&aacute; poucas semanas se opunham &agrave;s medidas de austeridade, e os social-democratas, cuja &uacute;nica alternativa era se retirarem para os quart&eacute;is de inverno.<\/p>\n<p>O mais escandaloso do favoritismo por esta coaliz&atilde;o de governo &eacute; que a evid&ecirc;ncia hist&oacute;rica demonstra que esses dois partidos s&atilde;o os principais culpados pela crise, pelas fraudulentas declara&ccedil;&otilde;es sobre o estado de sua economia e pela corrup&ccedil;&atilde;o generalizada na qual a Gr&eacute;cia se sentiu bastante c&ocirc;moda durante d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>Se voltarmos o olhar para a Fran&ccedil;a, a peculiaridade das elei&ccedil;&otilde;es legislativas, imediatamente seguida das presidenciais, &eacute; o maci&ccedil;o ganho de poder do ressuscitado Partido Socialista, no qual ningu&eacute;m apostava depois das desventuras de seu anteriormente candidato virtual Dominique Strauss-Kahn, que se autodestruiu por suas frivolidades sexuais, nunca convenientemente esclarecidas.<\/p>\n<p>Se Fran&ccedil;ois Hollande chegou a dirigir o partido depois de ter superado v&aacute;rios competidores, entre eles sua ex-companheira S&eacute;gol&egrave;ne Royal, poucos apostavam em sua vit&oacute;ria, que chegou com a ajudinha das estrid&ecirc;ncias de Nicolas Sarkozy e pelo magistral uso da oposi&ccedil;&atilde;o a Merkel e &agrave;s suas medidas de austeridade. O certo &eacute; que Hollande conseguiu a vit&oacute;ria porque a Fran&ccedil;a &eacute; uma sociedade basicamente &quot;conservadora de esquerdas&quot;, zelosa em sua maioria em se protegerem com as conquistas do estado de bem-estar e a sacralidade do Estado. Ou seja, o contr&aacute;rio dos norte-americanos, cujo ideal &eacute; um Estado reduzido.<\/p>\n<p>O triunfo presidencial foi um trampolim para dupla vit&oacute;ria eleitoral, com a conquista da Assembleia Nacional, em parte pelo sistema de jurisdi&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria, pelo qual somente os que conseguem melhores coloca&ccedil;&otilde;es passam para um segundo turno.<\/p>\n<p>Curiosamente, esse sistema foi a raz&atilde;o da ins&oacute;lita derrota de duas senhoras emblem&aacute;ticas nos &uacute;ltimos tempos da pol&iacute;tica francesa. Uma &eacute; Marine Le Pen, a sucessora de seu tem&iacute;vel pai na direita racista. A outra &eacute; exatamente a ex-companheira de Hollande, S&eacute;gol&egrave;ne, m&atilde;e de seus quatro filhos.<\/p>\n<p>Agora, a primeira-dama francesa, a jornalista Val&eacute;rie Trierweiler, se lan&ccedil;ou arriscadamente com uma mensagem digital de apoio ao opositor de Royal, o tr&acirc;nsfuga Olivier Falorni, na vaga de La Rochelle. Falorni venceu e ganhou a vaga que teria garantido a Royal nada menos do que a presid&ecirc;ncia da Assembleia Nacional, a joia da coroa para qualquer pol&iacute;tico franc&ecirc;s. Ignoram-se as consequ&ecirc;ncias futuras deste epis&oacute;dio, mas &agrave; vista da curiosidade social da pol&iacute;tica quanto &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es pessoais, nada haver&aacute; de surpreendente que tudo continue igual, em contraste com os costumes norte-americanos, onde incidentes como este gerariam uma virada pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Finalmente, o setor mais derrotado destes exerc&iacute;cios foi o sentimento antieuropeu e contr&aacute;rio &agrave; unidade europeia. N&atilde;o somente a moeda comum est&aacute; saindo refor&ccedil;ada, como a aten&ccedil;&atilde;o para estas duas elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foi apenas continental, pois ultrapassou as fronteiras da Uni&atilde;o Europeia. Se falou mais da Europa do que da Gr&eacute;cia e da Fran&ccedil;a. Pela primeira vez especulou-se no campo eleitoral sobre Europa e Uni&atilde;o Europeia. E isso &eacute; bom para todos, inclusive para os Estados Unidos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico Jean Monnet e diretor do Centro da Uni&atilde;o Europeia da Universidade de Miami (jroy@Miami.edu).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, Estados Unidos, 04\/07\/2012 &ndash; Ao longo de mais de quatro d&eacute;cadas de resid&ecirc;ncia nos Estados Unidos, detectei a persistente instala&ccedil;&atilde;o de modos pol&iacute;ticos e, sobretudo, sociais norte-americanos em territ&oacute;rio europeu, especialmente o espanhol. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/colunistas\/a-europa-no-a-amrica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[18],"class_list":["post-10258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}