{"id":1026,"date":"2005-09-22T00:00:00","date_gmt":"2005-09-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1026"},"modified":"2005-09-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-22T00:00:00","slug":"direitos-humanos-onu-questiona-guerra-contra-o-terror-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/direitos-humanos-onu-questiona-guerra-contra-o-terror-dos-eua\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: ONU questiona guerra contra o terror dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 22\/09\/2005 &ndash; O Comit&ecirc; de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas vai analisar em outubro as a&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos em sua guerra mundial contra o terrorismo, atendendo desejo de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais que acusam Washington de graves abusos. O Comit&ecirc;, integrado por 18 especialistas independentes, considerar&aacute; que em sua 85&ordf; sess&atilde;o em Genebra &quot;assuntos de preocupa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica a respeito do efeito de medidas tomadas pelo governo (dos EUA) na luta contra o terrorismo depois dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001&quot;. Nessa an&aacute;lise, que acontecer&aacute; em algum momento da sess&atilde;o entre 17 de outubro e 3 de novembro, ser&atilde;o abordadas &quot;as implica&ccedil;&otilde;es da Lei Patri&oacute;tica sobre norte-americanos e estrangeiros&quot;.<br \/> <!--more--> <br \/> O Comit&ecirc; presidido pela francesa Christine Chanet tamb&eacute;m se concentrar&aacute; no &quot;estatuto legal e tratamento de pessoas detidas no Afeganist&atilde;o, Guant&acirc;namo, Iraque e outros lugares de deten&ccedil;&atilde;o fora dos Estados Unidos&quot;. A Lei Patri&oacute;tica foi aprovada em outubro de 2001, em resposta aos atentados que um m&ecirc;s antes tiraram a vida de tr&ecirc;s mil pessoas em Nova York e Washington. Trata-se, segundo seus defensores, de &quot;ferramentas apropriadas para interceptar e obstruir o terrorismo&quot;. Por&eacute;m, virtualmente todas as organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos do mundo &#8211; dentro e fora dos Estados Unidos &#8211; consideram que essa lei constitui uma s&eacute;ria amea&ccedil;a &agrave;s liberdades civis.<\/p>\n<p> &quot;A Lei Patri&oacute;tica tinha o objetivo de incentivar abusos, pois enfraqueceu o sistema de pesos e contrapesos na aplica&ccedil;&atilde;o da lei, enquanto deixou de lado as salvaguardas do devido processo&quot;, disse o diretor jur&iacute;dico da filial norte-americana da Anistia Internacional, Jumana Musa. Por outro lado, essa norma inspirou outras sancionadas &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a em todo o mundo, o que incentivou os abusos que os Estados Unidos se comprometeram oficialmente a combater. &quot;O fato de haver uma &uacute;nica superpot&ecirc;ncia mundial deixa uma sombria ressaca aos direitos humanos. Ningu&eacute;m pode dizer aos Estados Unidos o que fazer ou o que n&atilde;o fazer, sem se importar o quanto suas crueldades s&atilde;o not&oacute;rias&quot;, disse &agrave; IPS Norman Solomon, diretor-executivo do Instituto para a Responsabilidade P&uacute;blica, com sede em Washington.<\/p>\n<p> &quot;A maioria dos governos merece a censura de um comit&ecirc; de direitos humanos. Os Estados Unidos, longe de ser exce&ccedil;&atilde;o, figura entre os mais culpados, em particular por suas gest&otilde;es internacionais de grande escala sob o selo da &quot;guerra contra o terrorismo&quot; nos &uacute;ltimos quatro anos&quot;, acrescentou Solomon. O governo de George W. Bush age de tal modo que &quot;a delega&ccedil;&atilde;o norte-americana na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas se negar&aacute; indignada a reconhecer qualquer princ&iacute;pio de direitos humanos que jogue alguma luz negativa sobre seus antecedentes&quot;, segundo o especialista. O Instituto de Liberdades Civis Mieklejohn, da Universidade da Calif&oacute;rnia em Berkeley, detalhou cerca de 180 supostas viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos cometidas por Washington, entre elas 11 tipos de viola&ccedil;&otilde;es de direitos individuais e 19 de suas obriga&ccedil;&otilde;es como governo.<\/p>\n<p> Entre essas viola&ccedil;&otilde;es figuram a aplica&ccedil;&atilde;o da Lei Patri&oacute;tica, bem como acusa&ccedil;&otilde;es de massacre, tortura, deten&ccedil;&otilde;es ilegais e outros &quot;tratamentos desumanos&quot; no Afeganist&atilde;o e no Iraque. Nessa lista figuravam atos cometidos na pris&atilde;o de Abu Ghraib, em Bagd&aacute;, e na base naval norte-americana de Guant&acirc;namo, em Cuba. O Conselho de Governo da Cidade de Berkeley encaminhou em julho ao Comit&ecirc; de Direitos Humanos da ONU um relat&oacute;rio do Instituto Meiklejohn intitulado &quot;Desafiantes viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos dos Estados Unidos desde 11 de setembro de 2001.&quot;<\/p>\n<p> Em junho, quatro especialistas independentes da comiss&atilde;o de Direitos Humanos da ONU disseram que &quot;lamentamos profundamente que o governo dos Estados Unidos n&atilde;o nos tenha convidado a visitar aquelas pessoas presas, detidas ou processadas por suposto terrorismo ou outras viola&ccedil;&otilde;es no Iraque, Afeganist&atilde;o ou na base de Guant&acirc;namo. Tais pedidos se baseiam em informa&ccedil;&atilde;o de fontes confi&aacute;veis&quot; inclusive documentos reservados tornados p&uacute;blicos pelas autoridades norte-americanas, &quot;sobre s&eacute;rias acusa&ccedil;&otilde;es de tortura, tratamento cruel, desumano e degradante de prisioneiros; deten&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria; viola&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; sa&uacute;de e ao devido processo&quot;, disseram os especialistas.<\/p>\n<p> A comiss&atilde;o de direitos Humanos da ONU &eacute; um corpo formado por 53 pa&iacute;ses eleitos pelo Conselho Econ&ocirc;mico e Social das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, enquanto o Comit&ecirc; &eacute; formado por 18 especialistas escolhidos pelos pa&iacute;ses-parte da Conven&ccedil;&atilde;o Internacional sobre Direitos Civis e Pol&iacute;ticos. O governo Bush rejeitou pedidos semelhantes de inspe&ccedil;&atilde;o feitos pelo Grupo de Trabalho da ONU sobre Deten&ccedil;&otilde;es Arbitr&aacute;rias e pelo Relator Especial para tortura e sa&uacute;de da organiza&ccedil;&atilde;o. Prev&ecirc;-se que o Comit&ecirc; de Direitos Humanos analisar&aacute; no pr&oacute;ximo m&ecirc;s as alega&ccedil;&otilde;es do governo norte-americano, incluindo informes peri&oacute;dicos sobre a maneira com aplicou a Conven&ccedil;&atilde;o Internacional sobre Direitos Civis e Pol&iacute;ticos. Ser&aacute; a primeira vez que Washington comparecer&aacute; perante o Comit&ecirc; desde os atentados de 2001. Este organismo se re&uacute;ne tr&ecirc;s vezes ao ano. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 22\/09\/2005 &ndash; O Comit&ecirc; de Direitos Humanos da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas vai analisar em outubro as a&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos em sua guerra mundial contra o terrorismo, atendendo desejo de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais que acusam Washington de graves abusos. O Comit&ecirc;, integrado por 18 especialistas independentes, considerar&aacute; que em sua 85&ordf; sess&atilde;o em Genebra &quot;assuntos de preocupa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica a respeito do efeito de medidas tomadas pelo governo (dos EUA) na luta contra o terrorismo depois dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001&quot;. Nessa an&aacute;lise, que acontecer&aacute; em algum momento da sess&atilde;o entre 17 de outubro e 3 de novembro, ser&atilde;o abordadas &quot;as implica&ccedil;&otilde;es da Lei Patri&oacute;tica sobre norte-americanos e estrangeiros&quot;.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/mundo\/direitos-humanos-onu-questiona-guerra-contra-o-terror-dos-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1026\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}