{"id":10260,"date":"2012-07-04T11:57:04","date_gmt":"2012-07-04T11:57:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10260"},"modified":"2012-07-04T11:57:04","modified_gmt":"2012-07-04T11:57:04","slug":"entrada-da-venezuela-no-mercosul-causa-dvidas-e-divergncias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/entrada-da-venezuela-no-mercosul-causa-dvidas-e-divergncias\/","title":{"rendered":"Entrada da Venezuela no Mercosul causa d&uacute;vidas e diverg&ecirc;ncias"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 04\/07\/2012 &ndash; A incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul justo quando o Paraguai era suspenso criou diferen&ccedil;as entre altos funcion&aacute;rios e d&uacute;vidas no futuro da arquitetura legal do bloco.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10260\" style=\"width: 147px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/101116-20120703.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10260\" class=\"size-medium wp-image-10260\" title=\"No Mercosul &quot;j&aacute; n&atilde;o resta nenhuma norma importante que n&atilde;o seja violada&quot;\u009d, disse o vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori. - CC BY 2.5\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/101116-20120703.jpg\" alt=\"No Mercosul &quot;j&aacute; n&atilde;o resta nenhuma norma importante que n&atilde;o seja violada&quot;\u009d, disse o vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori. - CC BY 2.5\" width=\"137\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10260\" class=\"wp-caption-text\">No Mercosul &quot;j&aacute; n&atilde;o resta nenhuma norma importante que n&atilde;o seja violada&quot;\u009d, disse o vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori. - CC BY 2.5<\/p><\/div>  A inesperada resolu&ccedil;&atilde;o de permitir a entrada da Venezuela, na c&uacute;pula do dia 29 em Mendoza, na Argentina, carece do aval do Paraguai, suspenso nessa mesma reuni&atilde;o e cujo parlamento n&atilde;o havia ratificado a plena ades&atilde;o venezuelana, como exige o Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o, constitutivo do bloco.<\/p>\n<p> No Mercosul &quot;j&aacute; n&atilde;o resta nenhuma norma importante que n&atilde;o seja violada&quot;, disse o vice-presidente do Uruguai, Danilo Astori. Foto: CC BY 2.5<\/p>\n<p>A rea&ccedil;&atilde;o mais dura foi expressa ontem pelo vice-presidente uruguaio, Danio Astori, para quem constitui &quot;uma agress&atilde;o institucional muito importante para o Mercosul. &Eacute; uma ferida institucional muito importante, talvez a mais grave dos 21 anos do bloco&quot;.<\/p>\n<p>O que aconteceu em Mendoza &eacute; &quot;ir ao cora&ccedil;&atilde;o do Tratado de Assun&ccedil;&atilde;o e ignorar uma de suas normas mais importantes, pela qual o ingresso de um membro pleno deve ser aprovado por todos os membros plenos j&aacute; existentes&quot;, disse Astori em declara&ccedil;&otilde;es publicadas pelo jornal uruguaio El Observador. A partir de agora, &quot;pode acontecer qualquer coisa&quot; no Mercosul, porque &quot;j&aacute; n&atilde;o resta nenhuma norma importante que n&atilde;o seja violada&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Enquanto a crise corre dentro do governo uruguaio, cujo chanceler tamb&eacute;m expressou obje&ccedil;&otilde;es &agrave; forma de entrada da Venezuela, o professor de rela&ccedil;&otilde;es internacionais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Tullo Vigevani, considera que &quot;a quest&atilde;o &eacute; controversa e abre uma interroga&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>O Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, havia aceito a entrada da Venezuela como membro pleno em uma reuni&atilde;o presidencial de 2006. Mas essa decis&atilde;o deveria ser ratificada pelos parlamentos de cada pa&iacute;s, a&ccedil;&atilde;o que nunca conseguiu votos suficientes no Senado paraguaio.<\/p>\n<p>Com a crise institucional no Paraguai, que culminou no dia 22 de junho com a destitui&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria do presidente Fernando Lugo, os mandat&aacute;rios de Argentina, Brasil e Uruguai propuseram suspender o Paraguai, pela viola&ccedil;&atilde;o da cl&aacute;usula democr&aacute;tica do bloco, e, simultaneamente, aceitar a entrada formal da Venezuela. A decis&atilde;o tem as assinaturas das presidentes Cristina Fern&aacute;ndez, da Argentina e Dilma Rousseff, do Brasil, e do presidente uruguaio, Jos&eacute; Mujica.<\/p>\n<p>A suspens&atilde;o do Paraguai acabar&aacute; quando for restabelecida a ordem democr&aacute;tica no pr&oacute;ximo ano, depois da realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es gerais e da posse de um novo governo. O que acontecer&aacute;, ent&atilde;o, quando esse pa&iacute;s fundador do Mercosul se vir diante de um fato consumado durante sua aus&ecirc;ncia e sem aval de seu Poder Legislativo?<\/p>\n<p>Para Vigevani, &quot;se no futuro o parlamento paraguaio n&atilde;o ratificar a incorpora&ccedil;&atilde;o venezuelana haver&aacute; um novo problema&quot;, e esse pa&iacute;s &quot;poderia sair definitivamente do bloco&quot;. No &quot;quadro atual, a perspectiva &eacute; a da n&atilde;o reincorpora&ccedil;&atilde;o do Paraguai. Mas, pode haver mudan&ccedil;as j&aacute; que o isolamento pol&iacute;tico desse pa&iacute;s ter&aacute; consequ&ecirc;ncias de m&eacute;dio e longo prazos e suas autoridades podem querer negociar&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o de Na&ccedil;&otilde;es Sul-Americanas (Unasul) tamb&eacute;m decidiu suspender o Paraguai pela remo&ccedil;&atilde;o do presidente em um julgamento pol&iacute;tico que n&atilde;o respeitou o devido processo. Contudo, a unanimidade quanto ao ocorrido nesse pa&iacute;s n&atilde;o &eacute; t&atilde;o s&oacute;lida quanto &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela. Tr&ecirc;s dias depois, o chanceler uruguaio, Luis Almagro, expressou d&uacute;vidas sobre a legalidade da medida e descreveu um pol&ecirc;mico processo de tomada de decis&atilde;o na c&uacute;pula.<\/p>\n<p>&quot;No contexto negociador que t&iacute;nhamos no dia 28 de junho, fomos especialmente contr&aacute;rios &agrave; entrada da Venezuela nestas circunst&acirc;ncias&quot;, disse Almagro se referindo &agrave; reuni&atilde;o dos chanceleres antes do encontro presidencial. No entanto, &quot;tudo acabou resolvido em uma reuni&atilde;o a portas fechada dos presidentes&quot;, acrescentou durante o programa de r&aacute;dio uruguaio Em Perspectiva.<\/p>\n<p> A decis&atilde;o de incorporar o novo s&oacute;cio foi uma iniciativa da presidente Dilma, afirmou Almagro. Em sua opini&atilde;o, &quot;a &uacute;ltima palavra n&atilde;o foi dita&quot;, e acrescentou que aguardaria os informes do departamento jur&iacute;dico de seu Minist&eacute;rio. Imediatamente, Buenos Aires e Bras&iacute;lia responderam.<\/p>\n<p>A chancelaria argentina assegurou que a decis&atilde;o dos presidentes &quot;foi un&acirc;nime&quot;, adotada &quot;a s&oacute;s&quot;, ap&oacute;s ouvirem as posi&ccedil;&otilde;es dos chanceleres e de assessores jur&iacute;dicos dos tr&ecirc;s pa&iacute;ses, e que a an&aacute;lise destes tamb&eacute;m foi &quot;un&acirc;nime&quot; quanto &agrave; entrada da Venezuela &quot;cumprir estritamente&quot; as normas do bloco.<\/p>\n<p>O assessor presidencial brasileiro em pol&iacute;tica externa, Marco Aur&eacute;lio Garcia, afirmou que a ideia de somar a Venezuela a partir de 31 de julho &quot;foi proposta pelo presidente Mujica&quot;, o que foi desmentido pouco depois em Montevid&eacute;u. &quot;N&atilde;o pressionamos nenhum pa&iacute;s porque n&atilde;o &eacute; o estilo da presidente Dilma Rousseff fazer press&atilde;o. Foi uma decis&atilde;o un&acirc;nime que refletiu o consenso pol&iacute;tico&quot;, ressaltou Garcia.<\/p>\n<p>Para o advogado Santiago Deluca, ex-secret&aacute;rio do Tribunal Permanente de Revis&atilde;o do Mercosul, &quot;do ponto de vista jur&iacute;dico n&atilde;o est&aacute; totalmente claro o alcance da suspens&atilde;o de direitos do Paraguai como para incorporar a Venezuela&quot;. Tampouco se especificou se a incorpora&ccedil;&atilde;o &quot;fica sujeita a condi&ccedil;&otilde;es futuras. Mas, o direito sempre sucede os fatos&quot;, acrescentou, e &quot;qualquer solu&ccedil;&atilde;o&quot; &eacute; poss&iacute;vel no futuro se houver vontade das partes, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Mais al&eacute;m da legalidade, &quot;&eacute; a legitimidade desta esp&eacute;cie de interc&acirc;mbio&quot; o que gera d&uacute;vidas, disse &agrave; IPS o professor de estudos internacionais da Universidade Central da Venezuela, Fidel Canel&oacute;n. &quot;Isto de sai voc&ecirc; para eu entrar trar&aacute; ru&iacute;do nas rela&ccedil;&otilde;es regionais&quot; porque &quot;se percebe como um castigo ao Paraguai imposto por Brasil e Argentina&quot;, analisou o acad&ecirc;mico.<\/p>\n<p>&quot;Mesmo se este caso tem apoio das elites pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas nos pa&iacute;ses s&oacute;cios, pode alimentar for&ccedil;as dentro do Paraguai a atuarem contra o Mercosul, alimentando a instabilidade do grupo&quot;, alertou Canel&oacute;n. E deu com exemplo um risco que j&aacute; se percebe: a evoca&ccedil;&atilde;o desde Assun&ccedil;&atilde;o de epis&oacute;dios como a Guerra da Tr&iacute;plice Alian&ccedil;a (1864-1870), na qual Argentina, Brasil e Uruguai enfrentaram o Paraguai. &quot;Outra leitura &eacute; que no bloco os grandes se imp&otilde;em novamente sobre os pequenos&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Esta interpreta&ccedil;&atilde;o &quot;deixa o gosto ruim de que as presidentes de Argentina e Brasil possam ter agido aceleradamente para favorecer a entrada da Venezuela, em raz&atilde;o dos grandes neg&oacute;cios que Caracas abriu para empresas&quot; desses dois pa&iacute;ses, concluiu Canel&oacute;n. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com as colabora&ccedil;&otilde;es de Mario Osava (Rio de Janeiro) e Humberto M&aacute;rquez (Caracas).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 04\/07\/2012 &ndash; A incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul justo quando o Paraguai era suspenso criou diferen&ccedil;as entre altos funcion&aacute;rios e d&uacute;vidas no futuro da arquitetura legal do bloco. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/entrada-da-venezuela-no-mercosul-causa-dvidas-e-divergncias\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[],"class_list":["post-10260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}